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quarta-feira, 1 de julho de 2015

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE – EPISÓDIO 16

Já faz um bom tempo que não volto a contar as desventuras das meninas nas terras geladas.  E, aqui estou eu outra vez. Só que dessa desventura, participaram as duas meninas, eu, o pai e o mais novo membro da família, a pequenina das terras geladas. Só não estava nas terras geladas a  minha caçulinha que ficou nas terras quentes brasileiras.

Pois muito bem.  Ao nos prepararmos para a viagem, perguntamos sobre que roupas levar e tal, nos disseram que iríamos pegar um clima muito bom, porque estava no final da primavera e o verão já estava chegando. Então me preparei para um clima gostoso, e muitos passeios ao sol.

No dia que chegamos, fomos recebidos por 17 graus maravilhosos, um sol bonito e uma primavera anunciada por belas flores e árvores repletas de verde.

E foi a última vez que sentimos esses 17 graus ao vivo. O sol, em todo o seu esplendor,  aparecia, tenho que admitir. Normalmente por volta das seis da noite, depois de ter caído muita chuva durante todo o dia. Daí ele clareava tudo e ficava assim, até perto da meia-noite. 
20:35. E o sol firme


Depois ele se recolhia. Mas não totalmente, deixando um rastro de luz que esmaecia um pouco, lá pela uma hora da manhã até umas duas, duas e meia, quando já voltava a ficar claro, como se fosse seis da manhã por aqui.

Mas, mesmo com toda chuva e os 5º graus que fazia praticamente todos os dias e do vento que entrava pelas roupas e congelava até os pensamentos, nós saíamos para turistas. Afinal, a menina da América do Norte e o pai das meninas não conheciam a cidade.

E  assim, em uma manhã chuvosa fomos todos a um restaurante que fica em uma torre, de onde podemos ver toda a cidade e os fiordes. 




Sentamos no andar que gira, uma facilidade para vermos tudo sem nos levantarmos.  Todos colocamos os casacos em uma das cadeiras e curtimos o nosso almoço e a bela vista. 

Na hora de ir embora, já quase na hora do ônibus passar, começamos a vestir nossos casacos, luvas, toucas, nos apressando para não perder o ônibus, a menina da América não consegue achar o casaco. Todos saímos andando pelo restaurante, procurando o tal casaco e nada. Falamos com um dos garçons, ele se prontifica a ajudar, mas se entretém com umas pessoas que pediram para ele tirar fotos delas e ficamos esperando uma resposta. Quando ele finalmente volta e diz que não encontrou nada, pedimos, gentilmente, para ele perguntar no balcão se alguém não teria achado o casaco e entregue lá. E, para nossa surpresa, lá volta ele com o casaco nas mãos. A menina do país gentil havia colocado o casaco na parte que fica fixa. Então, enquanto nós girávamos, o casaco ia se afastando, se afastando, se afastando... até que alguém achou e entrego no balcão.


Foi um sufoco, ainda mais porque corremos para a parada do ônibus e, ao chegar lá, não tínhamos certeza se era realmente aquela. 


Mas, no final, deu tudo certo e todos voltamos para casa devidamente agasalhados, apesar da chuva. Foi uma tarde agoniada, mas muito gostosa.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE- EPISÓDIO 15

E olha nós, de volta outra vez, com as desventuras fora de série. Desta vez, nas terras geladas europeias.

Nossa menina das terras geladas teve, recentemente mais uma de suas aventuras fora de série. Estavam ela, o namorado e a irmã do namorado voltando de uma festa na casa da outra irmã e precisavam pegar um trem e depois um ônibus para voltaram para a casa dos pais de seu namorado, em uma ilha mais ou menos próxima.

Quando chegaram à estação, ficaram aguardando o último trem da noite, cansados e com muito sono. Enquanto esperavam, uma senhora foi falar com ela. Perguntou para onde eles estavam indo. Explicou que precisava de uma carona da estação final para a ilha, que, por coincidência, era a mesma  que eles estavam  indo. 


O namorado então explicou que tem um ônibus da estação até a ilha. O problema da senhora era o tamanho enorme de sua mala. Para ela seria uma grande dificuldade carregá-la.
O namorado, que é uma pessoa extremamente gentil e educada, carregou a mala da senhora até o trem e depois do trem até o ônibus. A nossa menina e a cunhada iam andando mais devagar, acompanhando os passos da senhora, ajudando-a, inclusive, a subir e a descer do ônibus.

Daí a menina ficou pensando como a senhora iria fazer para ir para casa carregando aquela mala, porque o ônibus só passa pela estrada principal. E, parecendo ler os seus pensamentos, perguntou ao namorado para onde eles iam e propôs que eles descessem antes, com ela, para ajudar com a mala. O carro dela estava estacionado lá e, daí, ela os deixaria em casa.
Um pouco surpresos com a inusitada solicitação, a menina pensou: bem, estamos em um país do primeiro mundo,  em uma pacífica cidade do interior, ela mora na mesma ilha dos pais do namorado... enfim, as chances daquela simpática senhora querer matar os três seriam mínimas. E aí toparam.
Quando chegam ao carro e o namorado coloca a mala nele ela entrega a chaves pra ele ir dirigindo. Só que ele não tem carteira. E a carteira da menina estava vencida.  Chovia bastante e então todos entraram no carro com a senhora ao volante.

Quando ela deu ré para tirar o carro da vaga foi logo subindo a calçada. Puxa aqui, desce ali e ela conseguiu tirar o carro do estacionamento. E então, pé  na tábua. Que pé pesado que a senhora tem! Sem falar no modo que ela dirigia, andando, inclusive, na contramão, pegando a pista errada, em alguns momentos.

Os três iam tremendo no carro, morrendo de medo da forma como a senhora dirigia sem se importar de invadir a outra pista. Isso sem falar na luz alta todo o tempo, mesmo quando, ocasionalmente, passava outro carro. A loucura era tanta que ela dirigia a 80 km, mas a sensação era que estavam pelo menos a  uns 200km. Imaginem uma senhora idosa dirigindo à noite e com chuva, o que tornou a noite ainda mais escura.

Isso sem falar no perigo de atropelar um veado, abundantes na região e que costumam atravessar pela pista. E, enquanto dirigia loucamente, a senhora ainda conseguiu contar toda a história de sua vida.
Foram os 15 minutos mais longos que os três já passaram. Finalmente, a uma da manhã, chegaram em casa. A senhora ainda ficou batendo papo no portão por mais uns dez minutos.
E eles agoniados pra entrar em casa. O namorado e a cunhada estavam brancos, com as pernas bambas, praticamente em  estão de choque, pois, normalmente, a população daquele país é muito assustada com trânsito. Já a menina, acostumada com o trânsito do Recife e com alguns motoristas por aqui, só fazia rir.

Foi uma aventura e tanto mas, no final, tudo acabou bem. Agora, cá entre nós, eu acho que o namorado e a cunhada vão pensar umas três vezes quando alguma senhora oferecer carona outra vez.

Ilustração: Rossana Menezes