domingo, 30 de janeiro de 2011

O BRILHO DAS ESTRELAS

Estava falando com minhas filhas no skype quando Ró me pergunta se li o poema que Gra havia dedicado a nós. Supresa respondi que não sabia do que ela estava falando. "Ele postou no twitter, você não viu?"

Não, eu não havia entrado no twitter. Então ela me enviou por e-mail, a postagem:
@rossanamenezes @crolzinha@deamenezes #rejanemenezes esse é pra vcs!!

Entro no blog de Gra e tenho a encatadora surpresa de encontrar o poema CONSTELAÇÕES FAMILIARES, que li com lágrimas escorrendo, de emoção e alegria.

Amigo das meninas há muito tempo, sua amizade chegou até os pais. E, através de uma convivência gostosa, fraterna e carinhosa, acabou sendo adotado, como o filho e o irmão, que nunca tivemos.

Como duas das "irmãs", ele também mora longe, hoje em Macapá. E, é no mês de dezembro que todos se encontram e revivem, ainda que por um breve período, os alegres e animados tempos em que todos eram adolescentes e moravam na mesma cidade: Ró, Dea, Gra e também João Ricardo, outro amigo das meninas também muito querido, que mora já há um tempo em São Paulo e que, da mesma forma, ficou amigo de toda a família. E ainda tem Gabi, outra amiga das meninas, cuja am
izade passou também pra toda a família, que estudou com Dea desde pequena e que hoje mora em Brasília.

E meu querido afilhado Pedro e Babi,sua esposa, os dois filhos de amigos queridos e que por coincidência, se conheceram, se apaixonaram e hoje, casados, moram em São Paulo.

Quando fecho os olhos e lembro da casa cheia, primeiro de crianças, amigoos da escola, do prédio, primos, depois de adolescentes e jovens, abro os olhos e vejos adultos cheios de sonhos, de esperanças, de projetos, indo à luta, construindo o seu futuro.

Agradeço a Deus todos os dias ter vivido momentos assim, tão alegres e ainda poder vivê-los, quando a casa de se enche de alegria com as amigas de Carol. Metida, me misturo a elas para conversar, jogar e rir. Como é bom podermos sempre partilhar das alegrias dos filhos.


Essa é a beleza da vida: não criar barreiras, abrir o coração e se deixar tocar pelas pequenas coisas que tornam a vida mais leve e mais bonita. Tenho pena de mães que sentem alívio quando as férias acabam e os filhos voltam às aulas. Eu, ao contrário, sentia saudade de tê-las por perto todo o tempo.


Ainda agora, atualizando o blog "O Porta-Voz", li, na parte final do artigo de Marcelo Barros a seguinte frase:
"Milton Nascimento tem a música “Bola de Gude, Bola de meia”, na qual canta: “Dentro de mim mora uma criança, um moleque. Quando em mim, o adulto fraqueja, a criança vem e me dá a mão”.

Deve ser por isso que curto tanto esses momentos de bagunça, de jogos, de brincadeira. O adulto que vive em mim está sempre segurando a mão da criança danada de aloprada que também mora aqui.

e, é claro, não posse deixar de falar nos "inferninhos". Apesar de todos morarem por aqui, só nos vemos mesmo no final de ano, mas é sempre muito legal.

Pra vocês deixo o poema que originou este texto saudoso, um pouco melancólico, mas, acima de tudo feliz, porque, afinal de contas, quem brilha mais, se não as estrelas?

CONSTELAÇÕES FAMILIARES

Mais longe e além
Do meu curto abraço
Brilhando no céu
Em cirandas cadentes
Brilham as estrelas
Reluzem, cintilam
Tão nortes, nordestes
E eu tão aquém
Deito, me estico
Cravado no solo
Miro o espaço
Na casa celeste
De onde viemos
E desconcertado
Num sorriso agreste
Me questiono, calado:
Porque tão distantes?

Gracilicano Galdino ( Gra)




sábado, 29 de janeiro de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE

Começo hoje a postar a primeira parte das "desventuras" de uma jovem vivendo a experiência de morar sozinha, no exterior. Os fatos aqui narrados são reais e sua publicação foi devidamente autorizada.
Leiam esta primeira parte e, se gostarem, acompanhem o restante destas desventuras nada corriqueiras.

PRIMEIRA PARTE

O SOL DA MEIA-NOITE

Conta-se que em uma cidade bem bem distante daqui, morava uma garota, de seus vinte e muitos anos, que ali havia se estabelecido para exercer a sua profissão.

Era uma cidade pequena, coisa de 150 mil habitantes mais ou menos. Nela estavam as melhores faculdades do país. Era, como se costuma chamar, uma cidade universitária, para onde iam estudantes de várias partes do país e do mundo.

Cidade pacata, organizada, tranquila. Comércio fechando às seis da noite. Nada de shoppings aos domingos e nem supermercado. Afinal, naquele país, trabalhar era um meio e não um fim. Que coisa maravilhosa. Nada de workholics viciados em trabalho, deixando passar o tempo sem ver, que nem a Carolina da música de Chico.

Cidade próspera, moderna, sistema de transporte público nota 10. É verdade que só funciona até a meia-noite. Mas isso é apenas um detalhe que só tem problema na hora de encerrar mais cedo as farrinhas, pra não perder o último ônibus.

Na cidade, uma mistura de nativos e estrangeiros, dava-lhe um colorido especial. E era nesta pacata cidade, onde engarrafamento é palavra que não existe nem no dicionário, que morava a tal garota, nossa conhecida do comecinho desta história.

Jovem, bonita e inteligente, era uma das poucas mulheres na empresa em que trabalhava, onde havia mais de 30 pessoas. Gostava muito da cidade, apesar da saudade que sentia da família, que morava do outro lado do oceano, nas cálidas terras brasilianas.

No começo, algumas dificuldades de adaptação, como são naturais, foram sendo superadas, algumas com soluções bem simples. E primeira grande dificuldade foi, no verão, conseguir dormir com o sol brilhando inclemente lá pelas dez da noite. Um solzinho danado que se punha por volta das onze da noite e lá pelas três da madrugada já estava de volta. Nada de conseguir pregar olhos antes das onze. E, é claro, nada de conseguir dormir depois das três. Eita solzinho pra gostar de mostrar serviço. A aflição continuou por vários dias, até ser colocada uma cortina bem escura na janela do quarto. A partir daí, todos os problemas para dormir se resolveram. Até o próximo iverno. Porque no inverno, o sol ele vai à forra e se manda lá pelas três da tarde. E aí, a dificuldade é mesmo levantar da cama....









Outras dificuldades, com soluções mais complicadas como mudar de apartamento, por exemplo, foram sendo superadas. O primeiro apartamento era dividido com mais três pessoas. Vamos combinar que morar em um apartamento onde se é obrigada a conviver com pessoas que não estão nem aí para o fato de estar incomodando os colegas ao preparar suas comidas fedidas e oleosas, não era lá muito agradável. Superada esta dificuldade com a mudança para um apartamento para duas pessoas apenas, a vida foi sendo tocada, de maneira mais amena.

Mas daí, como morava em um apartamento para estudantes, ao terminar seu período de estágio, viu-se obrigada a procurar novo local para morar.

Mas, essa parte da história, eu conto pra vocês na próxima semana. Aguardem.

Texto: Rejane Menezes

Ilustração: Rossana Menezes

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

“DEPOIS DA CHEGADA VEM SEMPRE A PARTIDA”...

Continuando a música de Vinícius e Toquinho ...porque não há nada sem separação.... sei lá, sei lá.. a vida tem sempre razão...”

Há mais ou menos uns dez anos, uma grande amiga minha sofria com a transferência, quase ao mesmo tempo, de dois filhos para Brasília. E, consequentemente, com eles, a mudança de suas famílias. Eu a consolava dizendo que o tempo passava rápido e logo chegariam as férias e todos estariam aqui de novo. Só que, quando as férias chegavam e os filhos e netos enchiam a casa de alegria, o coração de minha amiga ficava apertado, já pensando no dia da partida.

E, mais uma vez, eu me arvorava de conselheira e lhe dizia para curtir o momento, para não deixar que o futuro estragasse o presente.

Os anos foram passando e, há dois anos e meio, no dia 24 de junho de 2008, foi a minha vez de ver a primeira filha partir para morar bem longe. Naquele momento, a dor que eu sentia era tão grande que pensei que nunca ia passar. Foi quando descobri que saudade é uma dor física, que às vezes, parece que não vai dar pra aguentar.

É uma dor opressora. Não encontro outra palavra. Ela aperta o peito, parecendo que não há mais espaço para o nosso coração bater. Comprime os pulmões até a gente não conseguir mais respirar de maneira normal. Obstrui a nossa garganta, formando uma espécie de nó tão grande, que não conseguimos mais engolir ou falar.

Passei um ano e meio sem ver minha filha. Quem nunca passou por isso, realmente não sabe o que é. Eu sei que vocês devem estar dizendo: que bobagem, tem a internet. É verdade. Graças a Deus existe a internet, o MSN e o skype, com sua mágica da gente poder ver e ouvir quem está do outro lado do mundo. Mas, de vez em quando, como faz falta um aperto, um abraço, um cheiro...

E foi quando, no final de 2009 a minha filha veio passar as férias aqui, eu pude, finalmente, entender o que a minha amiga sentia, porque como diz outra canção “ a hora do encontro é também despedida, na plataforma desta estação que é a vida” ...

E, ainda por cima, ao chegar meados de janeiro, a outra filha também iria embora, pra morar também bem longe. Nesta sexta-feira, 14 de janeiro, fez um ano que não nos vemos pessoalmente. Foi o segundo natal em que a família não estava toda reunida.
A que foi embora primeiro, veio passar as férias. Que alegria o dia da chegada. Que alegria ouvir sua voz no quarto ao lado, sem precisar ligar o computador. Como foi bom poder abraçá-la sempre que tivesse vontade. Mas o inevitável dia da volta chegou, hoje faz uma semana.

Sempre gostei da casa cheia dos amigos delas. Desde pequenas, todas as três traziam as amigas pra brincar aqui. Mesmo adultas, era sempre aqui o ponto de encontro da turma.

Ficamos eu, o pai e a caçula. A caçula que já fez 18 anos e que, com certeza, um dia também irá alçar seu próprio voo. Foi pra isso que nós as criamos, para serem independentes e, acima de tudo, felizes.

Quando a caçula passa uns dias longe de mim, fica ainda mais difícil conviver com o silêncio, com o vazio do ninho. Nunca consegui entender as mães que preferiam a época das aulas, porque com os filhos fora de casa, tinham mais sossego. Ao contrário, sempre curti as férias, quando podíamos ficar juntas mais tempo.

O tempo passou, elas cresceram e cada uma está construindo a sua própria vida, a sua própria família. Saber que elas estão bem, que estão felizes, é o que me ajuda a seguir em frente, é o que me consola nos momentos de maior tristeza.

Mas, rebelde e às vezes, inconsolável, não é que esta danada dessa saudade não quer saber de nada disso?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Free Hugs

Finalmente organizada!
Viagem perfeita, pessoas e paisagens urbanas maravilhosas, cidades antigas e cenas emocionantes.
Assistimos o jogo Brasil x Portugal num restaurante português! Diversão garantida!
Mas como é bom voltar para nosso "cantinho", para as coisas com o nosso cheiro, reconhecer os rostos pela cidade, admirar o céu mais azul do mundo, encontrar vizinhos no mercado e ouvir a língua materna.
São tantos os pequenos detalhes que fazem nosso dia a dia e que apenas percebemos quando somos privados.
Pequenos gestos, como o ABRAÇO!
Sim, um abraço, que para nós latinos, especialmente brasileiros é tão especial e faz parte do nosso dia a dia.
Abraço que é símbolo de solidariedade, de conforto, de amizade, de fraternidade e o gesto-símbolo mais estreito entre pais e filhos.
Pois é, nesta viagem ao Canadá, me dei esta tarefa agradável: Distribuir abraços!
Além de abraçar e acarinhar meu filho fiz questão de abraçar todos que com aquele brilho no olhar nos reconheciam nas ruas como brasileiros.
Sinto que cumpri minha missão , abracei cariocas, baianos, pernambucanos, cearenses, e até "canadenses abrasileirados"
Percebi que nos tornamos um pouco mãe e pátria para os que por opção ou não estão longe da casa brasileira.
Obrigada Canadá por todo carinho que durante muito tempo vai alimentar nossas almas.

sábado, 3 de julho de 2010

PATRIOTA: SER OU NÃO SER?

Quando se está longe de nossa terra, seja em outra cidade, outro estado ou outro país, principalmente, ficamos mais sensíveis às nossas raízes deixadas para trás.
Qual é o recifense que longe de casa não sente saudade do feijão que comia quase diariamente, do mar azul batendo nos arrecifes, da água de coco nas barraquinhas do calçadão, da tapioca na Praça da Sé de Olinda, do cuscuz com leite e açúcar ou então com uma carninha guisada com muito molho?
Como não sentir saudade da carninha de sol com feijão verde, do arrumadinho ou do escondinho de charque? Da macaxeira se desmanchando, com a manteiguinha escorrendo? E das comprinhas na feirinha da pracinha de Boa Viagem, do queijo coalho assado na brasa, da canjica, pamonha e pé-de-moleque no São João, do feijão de coco da Semana Santa, da agulha frita torradinha... da FENEARTE e seus artesanato da melhor qualidade... ?
Isso, é claro, não seria exatamente patriotismo, mas seria alguma coisa entre patriotismo, raízes culturais e até DNA, porque gostar de tudo isso ou, pelo menos de uma boa parte disso, está no sangue do recifense.
Dizia um antigo jingle da VARIG que “quem chega em Recife logo fica apaixonado, beleza por todo lado, Recife é linda demais, o frevo é quente, alegria de toda essa gente, com muito orgulho de lá.
Praia de Boa Viagem, Capibaribe e pontes, históricos montes, Guararapes, Igreja de São Pedro, museus e monumentos, Olinda e suas tradições, conheça o Recife, e leve o Recife pra sempre no seu coração”.
Poderia até dizer, apelando para uma frase bem batida, que “você pode sair de Recife, mas o Recife não sai de você”.
O que é a minha pátria? “A minha pátria é como se não fosse, é íntima Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria”, escreveu o poetinha Vincícius para sua pátria tão distante.
Eram outros tempos, tempos difíceis, onde a para ele a “Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta Lábaro não; a minha pátria é desolação De caminhos, a minha pátria é terra sedenta E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra E urina mar”.
No próximo dia 09 de julho vai fazer 30 anos que o poetinha partiu, deixando uma magnífica obra, entre poesia para ser lida, recitada ou cantada. Se vivo fosse, talvez reescrevesse seu poema escrito quando morava longe de sua terra. Sua pátria não é mais desolação e a sede está mais aplacada. Hoje está menos descalça e mais alimentada. Hoje poetinha, há muita coisa do que nos orgulharmos de nossa pátria. Não somos mais o país apenas do futebol e do carnaval.
Imagino que, talvez por isso, por hoje vivermos em um país melhor do que o deixado por Vinícius, há 30 anos, para quem está distante, a saudade seja ainda maior.
“Mais do que a mais garrida a minha pátria tem Uma quentura, um querer bem, um bem Um libertas quae sera tamem .... Não te direi o nome, pátria minha Teu nome é pátria amada, é patriazinha”...
És o solo fértil e gentil que acolhe a todos com seus longos e afetivos braços. Com suas cores, seus sabores e sua gente sempre otimista, alegre, sorridente, fica difícil não amar uma pátria assim.
Ser patriota é muito mais que exibir a bandeira na parede de casa, como vemos em filmes estrangeiros. Ser patriota é acreditar que o país tem jeito; é carregá-lo onde for, bem dentro do peito; é se encher de orgulho e dizer, mundo afora: eu sou brasileiro e não desisto nunca.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O TEMPO PASSOU NA JANELA E A GENTE NEM VIU...



Era um dia chuvoso de junho, como o eram antigamente quase todos. O São João se aproximava e uma pessoinha muito esperada teimava em não querer chegar. O prazo era até o dia 23. Se não resolvesse vir por livre vontade, viria pela livre pressão.
E, ao amanhecer do 20, a pessoinha que ainda não sabíamos quem seria exatamente, resolveu que estava na hora de chegar. Ultrassonografia ainda não era muito usada. Só em raros casos. Então a pessoainha começou se mexer e a dar sinais de que estava chegando.
Foi um dia bastante agitado, carregado de ansiedade. O avô viajando, o pai quase indo para caruaru. Não era pro forró não. Era para trabalhar mesmo. Conseguimos falar com ele, de passagem em uma agência de publicidade, encostando um telefone no outro. Naquela época não havia celular. Tempos pós-jurassícos.
Mala pronta, tudo organizado, vamos para a maternidade João XX 23, novinha, quartos espaçosos, perto de casa. Mas, situada em rua que não era calçada. Imaginem a rua Estado de Israel, na Iha do Leite, hoje cheia de prédios, ser, naquela época, sem calçamento, toda esburacada. E o carro atolou. Não preciso dizer a aflição da avó e da tia. Beirando o curto-circuito. E eu, prestes a entrar em uma sala de parto pela primeira vez, apenas ria e falava que , no máximo, eu ia por o pés na lama. era só lavar quando chegasse no quarto.
O pai, aflito, consegue uns bons e solidários rapazes, que estavam em um botequinho ali perto e o carro é empurrado para fora do atoleiro.
Mas, nem diante de tal aentura, a pessoinha se apressou em sair. Dava umas esticadas, ums viradas aqui e ali e nada.
Depois de soro de indução e 24 horas desde que o primeiro sinal apareceu, a médica, Drª Inês, um doce de pessoa, resolveu partir para a cesaria.
Na maternidade, os amigos e parentes se acovelavam e faziam apostas para ver a que horas nasceria, qual o sexo e coisas do tipo. Era uma animação só do lado de fora do quarto. e eu la dentro, mordendo o travesseiro a cada contração. Mas feliz, por ter meu povo por perto.
E, finalmente, à uma e vinte e cinco da manhã ela chegou, gloriosa, reclamando seu lugar no mundo. Vermelha como um tomate (talvez por isso goste tanto deles), de farta cabeleira preta e espetada, quando a olhei pela primeira vez perguntei se não teriam trocado o meu bebê. Não, não tinham trocado. Mas convenhamos: tendo pai e mãe de pele, olhos e cabelos claros não era lá muito natural a filha ser morena não é mesmo?
" E você chegou tão linda, eu não cantei em vão, bem vinda no meu coração". Era como um presente de Deus, segurar aquela pessoinha nos braços.
30 anos se passaram. Mas realmente, mesmo sendo lugar comum, ouso dizer que parece que foi ontem. Parece que ainda ontem eu a embalava emmeus braços ao som de valsinha, João e Maria, Acalanto e Minha História. embalava a todas assim. Será que é por isso que elas gostam tanto de Chico?
Fecho os olhos e lembro de nossa casa em Natal, da plantação de tomates no pequeno quintal, dos banhos de mangueira enquanto aguávamos o também pequeno jardim e os balanços à noitinha na rede do terraço, enquanto esperávamos papai chegar do trabalho.
E desde aquela madrugada do amanhecer do dia 21 de junho, nunca passamos esse dia separada. Sempre tinha o "tradicional" café na cama, as faixas na parede, os cartões e os presentes, sempre surpresa. Como sempre teve para todas três.
Hoje, não vou poder levar o seu café na cama, nem colar faixas na parede. Seus presentes, já mandei por Beth e Paulo. Não são mais surpresas hoje.
Hoje, a minha menininha está longe, muito longe. Realizando o seu sonho. Construindo o seu futuro. Traçando seu próprio caminho no mundo.

"As minhas meninas pra onde é que elas vão... se já saem sozinhas as notas da minha canção.Vão as minhas meninas Levando destinos Tão iluminados de sim Passam por mim E embaraçam as linhas Da minha mão ... as minhas meninas do meu coração..."
Acho que, depois de 30 anos, o cordão umbelical foi definitivamente cortado. O mundo é o seu limite. Como dizem as músicas de Geraldo Vandré: "É só saber querer pra poder chegar" e "quem sabe faz a hora não espera acontecer".
Tomara que você sempre saiba fazer a sua hora e, sobretudo, saiba fazer acontecer os seus sonhos. Foi isso que sempre lhe ensinamos. Porque é nisso que acreditamos.
Hoje é o seu dia. Aproveite-o de forma plena. Curta cada instante. De hoje e de sempre.
Ficamos aqui, pensando em você, comemorando em pensamento com você: idade nova, vida nova, felicidade nova.
Que a sua vida seja sempre plena de emoção, carinho, solidariedade, fraternidade e muito muito amor.
Te amo muito. Sinto muito a sua falta. A saudade ainda ta doendo em mim....

FELIZ IDADE RÓ!

Com todo o carinho e amor.
Tomorrou an after
you tell me what am i to do
a stand here believing
That in the dark there is a clue

I am the way

I am the light

I am the dark insight the night

I hear your hopes

I feel your dreams

Anda in the dark I hear your screams

Don´t turn away

Just take my hand

And when you make your final stand

I'll be right there

I'll never leave

And all I ask of you believe

Your childhood eyes were so intense

While bartering your innocence

The grown-up wings

You needed


sábado, 19 de junho de 2010

PÁTRIA MINHA - VINÍCIUS DE MORAES

Em tempos de Copa do Mundo de futebol, quanto o patriostismo aflora em sua forma quadrienal, "o futriotismo", um pouco do sentimento de Vinícius, o nosso poetinha e o seu belíssimo e emocionante poema PÁTRIA MINHA, que apareceu como um pequeno livro, em 1949, numa edição de apenas cinquenta exemplares, feita por outro poeta, o nosso João Cabral de Melo Neto, em sua prensa manual, quando morava em Barcelona, sob o selo "O Livro Inconsútil"


A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes."



domingo, 13 de junho de 2010

Rejane,
Convite feito! Convite aceito!
Vamos trocar idéias, aprender e compartilhar novidades e sentimentos com todos.
Logo estarei visitando o novo ninho do meu filho, ansiosa por um abraço, depois de tanto tempo!
Também abraçarei todos os filhos que estiverem distante de suas famílias, como se também fossem meus.
Me aguardem com notícias!
Beijos, Beth

E AGORA?

De repente a casa ficou vazia.
Para onde foi aquela agitação no café da manhã, aquela correria para não se atrasar, primeiro para o colégio, depois para a faculdade e por último para o emprego?
Para onde foram todos aquelas risadas, aquele som alto e as brigas pelo banheiro ou pelo uso do carro?
Onde estão aqueles jovens que entravam e saiam sem nenhuma cerimônia, mexendo na geladeira, fazendo a maior bagunça?
De repente apenas o som do silêncio.
E a maravilhosa invenção do século XX: A INTERNET!
Abençoadas sejam as pessoas que a inentaram, que a aprimoraram e que ainda muito nos terão a mostrar.
Se a prensença física não é mais possível, que venha a virtual. Que se multipliquem os MSNs e os Skypes., que amenizam a nossa saudade, que nos permitem vermos as carinha de nossas crias e avaliarmos se estão alegres ou tristes. Que nos permitem conversarmos horas a fio, sem que a falência financeira ronde a nossa porta quando for entregue a conta telefônica.
As flechas foram lançadas, curvaram-se os arcos diante do inevitável!
O mundo é o limite. Que voem longe, que acertem alvos promissores. Que venham as alegrias e os sucessos.
E que os velhos e curvos alvos jamais sejam esquecidos em um canto qualquer.