domingo, 29 de maio de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE – EPISÓDIO 12

Voltando ás nossas Desventuras Fora de Série, vamos falar da viagem de nossa garota das terras geladas da Europa à capital do país onde mora.

DISSABORES NA CAPITAL

A nossa garota é super fã de uma banda americana, cujo vocalista é do país onde nossa garota mora. Portanto, seria uma apresentação na casa do vocalista, digamos assim.

Vale salientar que a nossa garota é mais fã do vocalista do que da banda propriamente dita. Por isso, comprou os ingressos em outubro do ano passado, para garantir a sua presença.

Neste intervalo de tempo entre a compra dos ingressos e o dia do show aconteceu o inesperado: o vocalista da banda adoeceu e parou de se apresentar.

O tempo passava e as esperanças de que o vocalista voltasse ás suas atividades foram diminuindo, diminuindo, até se confirmar o seu afastamento definitivo da banda.

Bem, ingressos já comprados, para a nossa garota e seu namorado, o que fazer? Resolveram seguir em frente e ir ao show.

Tomaram o trem noturno e chegaram à capital dia claro. No albergue aonde iriam se hospedar, a diária só começava ao meio-dia. Mas eles poderiam deixar as malas lá, sair para passear e voltar depois para se instalarem.

Poderiam, é claro, se não houvesse um pequeno problema: eles se esqueceram de colocar cadeados nas malas. E, sendo assim, como poderiam deixar as malas sem nenhuma segurança?

Teriam que, primeiro, comprar cadeados, para depois deixar as malas. Mas, daí, surgiu outro probleminha. Mais um, na verdade: o shopping, onde poderiam comprar os cadeados, só abriria às 10h.

Foram então a um café, para fazer hora. Estava passando um jogo. O namorado de nossa garota se concentrou no jogo enquanto ela, não resistindo ao confortável sofá onde estava simplesmente arriou e dormiu. Isso mesmo: dormiu, bem ali, no café, no meio de todas aquelas pessoas. Mas, enfim, vexames a parte, o shopping abriu, os cadeados foram comprados e as malas deixadas no albergue.

À noite o show foi bom, mas não tanto quanto deveria, se o vocalista fosse o anterior. Realmente, sem ele, a banda perdeu parte de seu brilho. Aliás, uma boa parte.

No dia seguinte, na volta para a casa, se encaminham para a estação de trem e, ao chegar, surpresa! A estação estava fechada para conserto. Como assim fechada para conserto, se, ainda ontem, desembarcaram nela e não haviam notado nenhum aviso indicando o fechamento? Como isso estava acontecendo?

Bem, o trem deles sairia às duas e meia da tarde e a previsão de abertura da estação era ao meio-dia.

Á uma da tarde avisaram que o serviço estava atrasado e que a estação não iria abrir no horário previsto.

Tiveram então que tomar um ônibus e ir para uma cidade vizinha pegar um outro trem. Só que aí havia mais um problema: eles iriam pegar uma conexão que, a estas alturas, estava comprometida por causa do novo horário do trem que tiveram que tomar.

É claro que chegaram à estação da conexão completamente atrasados. Mas, pelo menos aí, uma boa notícia, o trem estava aguardando os passageiros da conexão.

Finalmente, embarcaram de volta para casa, depois de uma viagem pequena, mas cheia de pequenos contratempos.

Mas, em se tratando de nossas garotas, quem se surpreende?


sábado, 21 de maio de 2011

CASAMENTO: A INSTITUIÇÃO ESTÁ EM CRISE?

Li, no começo deste ano, o livro “COMPROMETIDA”, de Elizabeth Gilbert, autora do famoso “Comer, Rezar e Amar”. Apesar de não prender tanto a atenção e de não ser divertido como o primeiro, de uma forma, digamos, instrutiva, ele se torna interessante, apesar de ser escrito de uma maneira um tanto monótona.

Mas, o que o torna interessante é o estudo que ela faz sobre a instituição do matrimônio, em diversas culturas.

À medida que ia lendo sobre as visões, tão diferentes umas das outras, do casamento ao redor do mundo, fui concluindo que, pelo aqui no Brasil, graças a Deus, o casamento, pelo menos em sua maioria, ainda é visto dentro de uma visão romântica, onde o amor é a parte essencial.

Independentemente de ser casamento no civil, sacramento do matrimônio, para os católicos, união estável ou, simplesmente, morar juntos, a vida a dois é difícil, cheia de altos e baixos, mas muito gratificante.

Eu e meu marido comemoramos, nesta sexta, 20, 33 anos de casamento, de matrimônio, enfim, de partilhamento da vida.

Com três filhas, duas das quais morando longe, como todos sabem e, a caçula viajando, achei que teríamos um dia normal, sem grandes surpresas.

Mas, imaginem vocês que, enquanto esperávamos o elevador para irmos trabalhar, ouvimos passos na escada e eis que surge uma amiga das meninas, da família melhor dizendo, com um presente na mão e nos diz:”Estou aqui em nome das meninas para desejar um feliz dia e entregar este presente”. Vejam vocês, mesmo distantes, as três não deixaram passar em branco. Tiveram a preocupação de escolher um livro pela internet, pedir ao amigo, namorado da que trouxe o presente, para comprar e para nos entregarem em nome delas. Não preciso dizer que a emoção tomou conta não é?

Às vezes, quando não estou assim nos meus melhores dias, fico me perguntando se fizemos tudo como deveria ser feito; se criamos nossas filhas da maneira correta; se fomos e se somos um bom exemplo para elas. Mas, basta ler as mensagens que escreveram no dia das mães e o que fizeram, escreveram e falaram sobre o aniversário de casamento, para ter as minhas perguntas respondidas positivamente.

Completar 33 anos de casados está se tornando uma façanha cada vez maior e mais difícil. O dia a dia, a luta pela sobrevivência, as exigências que o mundo faz de cada um de nós, dificultam os relacionamentos.

Ainda esta semana uma amiga, que morou um tempo longe da família, que passou pela experiência da saudade e dar que ela provoca, me disse que cada vez que a saudade apertar e a tristeza começar a doer, eu pense que as minhas filhas estão construindo os seus sonhos, criando as suas próprias famílias e que estão felizes.

Nos emocionamos juntas, enquanto enxugávamos as lágrimas que teimavam em escorregar. Mas também sorrimos, porque a gente que é mãe sabe que, o que realmente importa é que nossos filhos sejam felizes. Ainda que distantes da gente.

Encerramos o dia assistindo a dois shows muito bons, no Manhattan Café, presente de uma amiga, que tive a alegria de conhecer no trabalho e que adotei como filha do coração. O primeiro show, dos Garçons Cantores, nos encantou pela harmonia, pelas belíssimas vozes e pelo repertório excelente. E, fechando a noite, o show da banda Beatles 4 ever, considerada a melhor cover dos Beatles no Brasil. Foi um belo dia, esta sexta-feira. Encerrada com chave de ouro, relembrando grandes sucessos de nossa banda preferida.

Depois de ler tantas histórias sobre casamentos, depois de ver, o dia todo nas TVs, trechos do casamento real do século, sabem o que importa mesmo? A nossa experiência.

Afinal, viver juntos, é como criar filhos, não tem receita, não tem manual de instrução. Tem mesmo é que ter muito amor, muito carinho e uma vontade enorme que dê certo.

Às minhas filhas, ao jovem casal de amigos, portadores do presente, á filhota adotiva e os ingressos para os shows, só temos a agradecer e dizer que o maior presentes de todos foi o carinho de vocês.

domingo, 15 de maio de 2011

AINDA SOBRE O TEMA DO MÊS; MÃE

Tenho observado, ao longo de minha vida, diversas formas de se educar (ou não) os filhos. lembro-me que, adolescente, vinha o desânimo, a falta de paciência, digamos assim, de minha mãe ou tias, quando chegava para visitá-las algum casal de amigos, trazendo os filhos mal-educados.
Diversas vezes ouvi comentários do tipo: "Gosto muito de fulaninha e fulaninho, mas seria tão bom que eles nos visitassem sem os filhos".
Ou a expressão de alívio quando as visistas indesejados iam embora, deixando um rastro de desarrumação, coisas quebradas e sujeira.
Como sempre quis ter filhos, cresci com o firme propósito de que criaria meus filhos de tal forma que ninguém jamais se sentiria incomodado com a presença deles.
Decidi, ainda na adolescência que a palavra "LIMITE" jamais sairia de meu diocionário.
E, quanto mais eu lia a respeito de educação infantil, mais me convencia da necessidade dos pais imporem limites aos filhos. a imrpotãncia de saber dizer NÃO na hora certa, sempre foi fundamental, diziam os especialistas. Mimar demais os filhos é prejudicial ao crescimento emocional da criança, diziam os mais experientes.
mas, por que será que, apesar de toda a literatura a respeito da falta de limites, de todos os debates, de todos os conselhos, a impressão que se tem é de que, na maioria das famílias, o limite foi, definitivamente, suprimido, não apenas do dicionário, mas do dia a dia.
E, mesmo com as filhas crescidas, cuidando de suas próprias vidas, continuo observando as mães e seus filhos, essa relação de amor, que às vezes ultrapassa o limite (olha ele aí) do bom senso e se torna complicada, dolorosa e difícil.
Como falei em minha postagem anterior, os filhos não vêm com manual de instrução e dai, temos que agir pela intuição, pelo instinto materno, pelo coração, mas sem, em nenhum momento, esquecermos de usar a razão e este tal de bom senso.
Ser uma boa mãe, com certeza, não é fazer tudo o que os filhos querem, deixando-os emocinalmente frágeis, dependentes e, o pior, achando que o mundo tem a obrigação de servi-los.
Sei que muita gente, sabendo de minha visão sobre como educar os filhos, poderá até me perguntar algo do tipo:quem você pensa que é para falar sobre o que é certo ou errado na educação dos filhos?
EU? Eu sou uma orgulhosa mãe de três filhas que seguem suas vidas, construindo seu próprio futuro, sabendo para onde querem ir, lutando por seus sonhos e olhando para frente, tendo o passado como referência e o presente como o momento de fazer a coisa certa.
Temso defeitos? Claro que temos. Muitos. Qual o ser humano que não tem? Mas, são apenas defeitos, uns suportáveis, outros nem tantos.
Os cartões que as três me escreveram no Dia das Mães e que me fizeram chorar de emoção, me confirmam que cada não que eu dei, cada limite que coloquei, cada concessão que fiz, valeu e muito, a pena.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

FELIZ DIA DAS MÃES


Esta semana não vou falar das Desventuras Fora de Série. Vou falar do mês que está começando: o mês de maio. O mês das mães.

O que é afinal ser mãe? Quando pequena ouvi muito a famosa frase que “ser mãe é padecer no paraíso”.

“Havia também uma musiquinha que era cantada como homenagem ás mães, cuja letra dizia: Ela é a dona de tudo, Ela é a rainha do lar, Ela vale mais para mim, Que o céu, que a terra, que o mar.
Ela é a palavra mais linda, Que um dia o poeta escreveu, Ela é o tesouro que o pobre, Das mãos do Senhor recebeu
Mamãe, mamãe, mamãe, Tu és a razão dos meus dias, Tu és feita de amor e de esperança, Ai, ai, ai, mamãe, Eu cresci, o caminho perdi. Volto a ti e me sinto criança.
Mamãe, mamãe, mamãe, Eu te lembro o chinelo na mão, O avental todo sujo de ovo, Se eu pudesse. Eu queria, outra vez, mamãe
Começar tudo, tudo de novo”...

E eu tinha uma tia, Anita, que apesar de ser dona-de-casa, não admitia que cantassem esta música para ela. Já, naquele tempo, tinha pensamentos mais ousados do papel da mãe.

A minha mãe também nunca foi essa rainha do lar, de chinelo na mão e avental sujo. Ela é uma mulher forte, corajosa que, criada para ser “do Lar”, não hesitou em arregaçar as mangas e ir trabalhar fora para ajudar a pagar as contas. Trabalhava fora e cuidava de minha irmã e de mim, sem deixar nos faltar, sobretudo carinho.

E, vejam vocês, o meu caminho foi inverso ao dela. Pertencendo a uma geração após a revolução sexual da década de 60, fui preparada para trabalhar fora, ser independente e, jamais, ser a rainha do lar.

Pra começar, contra tudo e contra todos, cursei jornalismo, curso de comunista e mulheres liberadas, vejam só! Comecei a trabalhar aos 19 anos. No último ano da faculdade, tinha dois empregos e ainda era free lancer do Jornal da Cidade.

Mas quando minha filha mais velha tinha 8 meses de idade e meu marido foi transferido para Natal, fui eu quem não hesitou. Só que no caminho contrário ao de minha mãe, deixei de trabalhar para cuidar da minha filha e da casa, morando em uma cidade estranha, longe da família e sem a estrutura que eu tinha, quando morava aqui.

Minha mãe teve que trabalhar por questões financeiras. Não tinha outra opção. Eu tinha, mas preferi deixar de trabalhar.

Foram três anos de uma nova experiência. Confesso que, em nenhum momento me senti frustrada ou coisa parecida. Passei a ser mãe em tempo integral e esses foram momentos que jamais vou esquecer. Éramos eu, meu marido e ela, contando apenas um com o outro.

Voltei a morar em Recife, tive a segunda filha e, não voltei a trabalhar, apesar dos convites que recebi. Tinha então o propósito de só voltar a trabalhar quando minhas filhas estivessem maiores.

Fazia trabalho voluntário, um ou outro trabalho esporádico, mas nada de voltar definitivamente. Foi aí que a caçula chegou e voltei a ser mãe em tempo integral. E foi muito muito bom poder conviver com as minhas três princesas o tempo todo e participar de cada momento de suas vidas. Do primeiro dentinho aos primeiros passos. Das primeiras alegrias às primeiras decepções.

Foi muito gostoso participar das apresentações na escola, das festas das mães, das aberturas dos jogos. Quem nunca vivenciou isso não tem como saber como é maravilhoso ver as filhas cantando, dançando, entregando o presentinho feito por elas próprias para o Dia das Mães.

Só algum tempo depois voltei a trabalhar meio período.

Hoje, quando vejo as minhas filhas adultas, as mais velhas construindo as suas próprias famílias, a caçula se preparando para entrar na universidade, todas independentes, decididas, sabedoras do que querem para o seu futuro, olho para trás e não me arrependo, nem por um segundo, da opção que fiz. Cada minuto que passei ao lado delas, cada brincadeira que fizemos, cada história que contei ou inventei, cada filme ou desenho que assistimos juntas, não tem preço.

Se na época da minha mãe, a mulher que trabalhava fora enfrentava o preconceito de não ser “do lar”, para mim era o contrário. Eu enfrentava o preconceito das mulheres independentes, que me olhavam com desprezo por não trabalhar. Como as coisas mudam não é mesmo?

Ser mãe em tempo integral ou trabalhar fora deve ser uma opção, não uma imposição. Passei muitos anos fora do mercado de trabalho e, nem por isso, sou menos competente do que as mulheres que continuaram trabalhando.

Ouvi muito a frase: “o importante não é quantidade de tempo que se passa com os filhos, mas a qualidade”. Para mim, tudo é importante. E, se puder unir quantidade à qualidade, saímos todos ganhando.

Ser mãe é algo muito maior do que gestar ou ter um filho. Ser mãe independe de laços sanguíneos, DNA ou afins. Ser mãe é ter a capacidade de amar sem medidas, de fazer o possível e o impossível para que os filhos cresçam sentido-se um ser humano de verdade e, acima de tudo, vendo os outros como seres humanos.

Ser mãe é saber dizer não na hora certa, é saber dar sim com comedimento, é cuidar do “dodói do corpo” e do coração.

Mas, antes de sermos mães, somos mulheres, cheias de virtudes, mas também de defeitos. E aí, erramos muito ao educar os nossos filhos. Bem que eles podiam vir com manual de instrução não é mesmo? Mas não vêm. E, cada um é diferente do outro. O que nos leva á loucura sobre a forma de agir, que nem sempre é a mesma para todos.

Mas, errando ou acertando, o mais importante é que tudo o que façamos, seja por amor.

O tal do dia das mães está chegando. Na mídia, chovem as propagandas, oferecendo de tudo para presentear aquela que deu a vida aos filhos.

Uma, em especial, me tocou bastante e, podem até rir do que vou dizer, mas ela me faz chorar.

Acho que a loja não vai se importar se eu colocar aqui o LINK para que vocês possam ver.

E, quem como eu, estiver longe de seus filhos, vai entender e, como eu, vai se emocionar.

Mesmo que o Dia das Mães tenha um caráter comercial, acho que é legal ter um dia que os filhos prestam uma homenagem ás suas mães.

Mesmo que os filhos não estejam por perto e que isso deixe o coração apertado e doendo, vale e muito, a comemoração, com os que estão juntinho fisicamente e com os que estão pelo skype, pelo MSN, porque, perto ou longe, estamos todos juntos no coração.

Para a minha mãe, obrigada por tudo, por me ajudar a ser a pessoa que hoje sou.

Para as minhas filhas, todo o meu amor e também o meu agradecimento por me amarem como sou.

Então, para mim, para a minha mãe e para todas vocês que estiverem lendo este texto, UM FELIZ DIA DAS MÃES.

sábado, 23 de abril de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 11

PLAYCENTER (OU MIRABILANDIA) NO AR

No final do ano passado a nossa garota, das terra geladas européias, veio ao Brasil para passar as férias com a família. O namorado dela, um simpático norueguês, veio junto.

Foram férias maravilhosas, pelo menos para mim. Apesar da garota das terras geladas americanas não poder ter vindo, reunimos quase toda a família.

Quando o terrível dia (para mim) da volta chegou, levamos os dois ao aeroporto e voltamos para casa para aguardar notícias.

A garota enviava torpedos, nos situando por onde estava. Só que, o aviso de que já deveria estar em casa, demorou muito a chegar. Só mais tarde soubemos o motivo.

Quando estavamno vôo de Amsterdan para a cidade onde mora, a nossa garoto e o namorado viveram uma aventura inesquecível.

Na cidade onde mora venta muito. Aterrissar por lá é sempre algo muito desagradável

Mas, desta vez, foi especialmente desagradável e apavorante.

Bem, começam os procedimentos de apertem os cintos, coloquem a cadeira na posição vertical, desliguem os laptops e os celulares, enfim, toda aquela preparação para um tranqüilo encontro com a terra.

Daí, depois de acesas as luzinhas de aviso, todo mundo organizado, o comandante começa a aproximação e, em breve, chão firme.

Que nada! A primeira tentativa de aterrissagem se frustra. Então, vamos à segunda tentativa. Aproximação, vamos conseguir e .... nada, de novo...

Foi aí que as pessoas se deram conta de que algo não ia bem. O avião começou a balançar tanto, mas tanto, que o pânico se instaurou e se espalhou pelo avião.

As começaram a ficar inquietas, a pedir informações e nada. E o avião balançando. A nossa garota se sentiu em pleno Playcenter (Mirabilandia), em um brinquedo chamado Saltamontes, onde as pessoas sacolejavam tanto que pareciam estar em uma batedeira de bolo.

E as pessoas ficando mais nervosas, falavam alto e vomitavam. A nossa garota e o namorado, preocupados com o que estava acontecendo, tentavam se manter calmos. Mas vamos combinar que não dá para se manter calmo por muito tempo quando ao seu redor as pessoas gritam e devolvem o conteúdo estomacal, enquanto o piloto tenta aterrissar por duas vezes e não consegue.

Mas, enfim, depois de muito chacoalhar, na terceira tentativa o piloto conseguiu fazer o que o pai das garotas chama de “queda controlada”, que é exatamente uma situação como esta em que o piloto consegue levar ao avião até o chão firme, mas não é bem o que se pode chamar de aterrissagem normal.

Enfim, passado o enorme susto, a calma voltou à aeronave e, apesar das cabeças zonzas e do barulhinho esquisito que alguns devem ter ficado por algum tempo no ouvido, finalmente, terra firme e uma grande dúvida se, da próxima vez, não seria melhor descer em alguma outra cidade e voltar pra casa de ônibus.

Bem, isso é um assunto realmente a se pensar.

domingo, 10 de abril de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE – CAPÍTULO 10

EPISÓDIO DE HOJE:

BARRADOS NO BAILE

Para quem foi jovem ou adolescente na década de setenta, começo da de oitenta, conhece uma família bem extravagante formada por Pepeu Gomes, Baby Consuelo e filhos. O casal de baianos, ambos cantores, se vestiam de maneira bem alegre, coloriam os cabelos e faziam o maior barulho onde chegavam. Certa feita, resolveram levar à família para conhecer os parques da Disney e pasmem: foram barrados. A entrada da alegre família foi vetada porque, coloridos como estavam, chamariam mais atenção nos parques do que as próprias atrações. Frustrados, voltaram para o Brasil e contaram o “veto” em forma de música. E olha que isso foi pelo menos uns trinta anos antes da paranóia anti-terrorista que assola os EUA.

Foi dessa bizarra desventura da família de artistas brasileiros que me lembrei quando a nossa garota das terras geladas das Américas viveu a sua desventura em terras do “tio” Sam.

Tudo começou mais ou menos dez dias antes da comemoração de lá do “Dia de Ação de graças”, quando um amigo falou que sua irmã e seu cunhado chegariam de Boston para passar o feriado de “Thanksging” com ele. Daí surgiu a ideia de irem a Niagara Falls no Sábado e, no Domingo, preparariam jantar de Ação de Graças, devidamente organizado pelo namorido da nossa garota.
Começou então a animada organização da viagem. Seriam 10 brasileiros
em dois carros, dirigidos pelos que tinham carteira internacional.

Depois de muita pesquisa conseguiram uma locadora que ainda tinha carros disponíveis e, através do site, concretizaram o aluguel.
A semana que precedeu a viagem foi super tranquila, com todos se organizando para o grande dia.

Finalmente o sábado chegou. A turma acordou cedo, se arrumou e foi para o aeroporto pegar os carros.
Então, dividos nos dois carros, partiram para Niágara, onde a garota já estava com todo o seu equipamento fotográfico pronto para fazer belas imagens.

Partiram seguindo um GPS que se mostrou mais desorientado do que a turma de estrangeiros, vejam vocês. Depois de umas ruas erradas e de voltarem para o Aeroporto, porque o GPS mandou-os fazer isso, finalmente conseguiram pegar a Highway e lá se foram rumo às cataratas.

Depois de alguns tempo chegaram em Niagara on the Lake, que é uma cidadezinha LINDA perto das cataratas. Parece uma cidade cenográfica.

O dia tava lindo, fazendo uns 10 graus. Uma delícia.
Pois muito bem, vista a bela cidadezinha, fotos tiradas, retomam o rumo para as cataratas

Ao chegarem em Niagara Falls, um dos carros passou desembestado e o carro em que ia nossa garota, ficou parado no sinal vermelho, tempo suficiente para perder o outro carro de vista.

E, em lugar dos ocupantes do carro se preocupar em ler as placas, ficaram apenas preocupados em localizar o outro carro, que, a estas alturas, já ia longe. Até que seguiram um carro que, na verdade, não era o dos amigos e sim apenas parecido.

Quando passaram do sinal, não estavam mais vendo o outro carro. E, foi aí que a vaca começou a ir para o brejo: em vez de seguirem pela DIREITA indo para o estacionamento do Cassino, entraram à ESQUERDA.

De repente, não mais que de repente entram em uma ponte... quando a nossa garota olha para a janela direita... o que ela VÊ??? As CATARATAS! Na hora ela gelou!!
Daí falou:” Gente, se as cataratas estão à nossa direita e a gente tá indo pro lado esquerdo, estamos indo para os ESTADOS UNIDOS!!!!" MEEDDOOOOO!!!!
Dito e feito minha gente! Entraram na ponte para atravessar a fronteira americana! NINGUÉM tinha visto para onde estavam indo e não tinha como dar ré ou como fazer um retorno. Nessa hora, a garota levanta a cabeça, estufa o peito, respira fundo e diz: "AGORA F&%$!"
Um casal que nem os passaportes tinha levado, pensou r
ápido e teve a brilhante ideia de descer do carro e voltar a pé pro Canadá antes que atravessassem realmente os EUA. Então ficou no carro a garota e um casal de amigos recém chegados do Brasil.

Quando chegaram ao guichê, a amiga da garota foi explicar ao guarda o que tinha acontecido. Ele mandou desligar o carro, descer e entregar a chave. E falou pra nossa garota, que estava no celular: Madame, afaste-se do seu telefone. Com aquela peculiar “gentileza” dos funcionários da imigração americana.

Pelo visto, todo estrangeiro que esteja na fronteira deles é considerado bandido, ou, atualizando, terrorista, até que prove o contrário. Os três subiram no prédio da imigração, esperaram um horror de tempo até serem chamados. Foram interrogados, fichados, tiraram impressões digitais, fotos, o diabo a quatro.

QUATRO HORAS E MEIA DEPOIS é que foram liberados. Ou seja, a tão planejada viagem, já era.

A garota indignada só pensava no quanto os norte-americanos são realmente insuportáveis. E o pior é que eles foram barrados sem sequer ter a menor intenção de adentrar os EUA. E Sabem o que a funcionária que atendeu aos três disse: que esse engano acontece de 4 a 5 vezes POR DIA. E eles não fazem um retorno nem simplificam a burocracia para facilitar a vida de quem pegou o danado do caminho por engano? É revoltante isso. Mas, gente, são norte-americanos não é?

Fora o guarda que os atendeu na chegada que foi super grosseiro, eles até que foram bem tratados, riram, fizeram brincadeiras... mas foi uma encheção de saco só! E uma viagem quase perdida.

E a danada da funcionária que nos interrogou, apesar de ser simpática, ficou fazendo terrorismo, dizendo que teriam problemas para voltar pro Canadá. Americano é uma raça complicada mesmo.
Enfim, depois de todo este bafafá, finalmente foram li
berados. Na volta, ao entrar em território canadense, a funcionária do guichê pediu para estacionarem o carro e entrar no prédio.

Apesar de muito educada, os três pensaram: Vamos passar mais outras quatro ou cinco horas aqui, pra poder voltar para o Canadá. Mas, para sua surpresa e alegria foram liberados em 20 minutos e voltaram ao lugar de onde nunca deveriam ter saído, livres da arrogância e da prepotência dos norte-americanos.
Enfim, quando finalmente conseguiram chegar a Niágara já estava escuro. Mas até que deu pra tirar umas fotos e dar um passeio rápido.

É isso aí gente: se for dirigir, leve um bom e velho mapa. E se for passar perto de alguma fronteira norte-americana, leiam as placas, antes que seja tarde.

domingo, 3 de abril de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE – CAPÍTULO 09

Episódio de hoje: GHOST WHISPERER

Voltando agora para as outras terras geladas, as nórdicas, pertinho da terra do Papai Noel, vamos reencontrar a nossa primeira garota.

Depois de todas as desventuras com o apartamento anterior, ela, finalmente, encontrou um apartamento legal, localizado onde ela queria, perto do trabalho, perto do centro, perto do namorado, perto de tudo afinal.

Mobiliado, organizado, uma gracinha, o apartamento parecia atender a todas as expectativas da nossa garota.

Bem, quase todas. Porque, digamos assim, ela não estava ansiosa por vivenciar mais experiências esquisitas.

Mas vamos lá. Tudo começou em um dia em que ela foi colocar o lixo do lado de fora. Não havia mais ninguém no apartamento. Apenas ela. Quando entrou, do nada, um pirex que estava quietinho em cima de uma prateleira, resolveu voar e pimba, cair na cabeça da nossa menina.

Além da dor, o espanto ainda maior. Como foi que o pirex caiu de cima da prateleira?

Encucada com o acontecido, a menina olhou por todo canto da cozinha, mas não viu nada, nem ninguém que pudesse explicar como o pirex voou sozinho e acertou a sua cabeça.

Deixando de lado o episódio, a garota foi levando sua vida normalmente, sem pensar mais no episódio.

Passados vários dias, ela estava sentada, usando o computador, enquanto assistia a um DVD. Não estranhem, as pessoas desta família são assim mesmo, não conseguem assistir a TV sem estar fazendo uma outra coisa, tipo usando PC, fazendo as unhas, lendo alguma coisa, enfim, confesso que somos um tanto estranhas mesmo.

Mas enfim, estava a nossa garota na dela, tranqüila, quando, assim, do nada, a TV mudou de canal sozinha. Novamente ela estava sozinha em casa. Eu tenho uma teoria que talvez a TV tenha aquele tipo de problema de que precisa ser o centro das atenções e não suportando o fato da garota estar também o usando o PC, resolveu mudar de canal pra chamar a atenção. Poder ser não pode?

Bem, mais uma vez, atônita, a nossa garota não achou explicação para o acontecido. Também não acho que ela vá concordar com a minha explicação. Mas, enfim, foi mais um episódio sem explicação que foi deixado pra lá.

Algum tempo depois, estava a garota e o namorado cozinhando quando, de repente, do nada, a luz do apartamento apagou. SÓ A DO APARTAMENTO DELA. Nem no hall falou luz.

Sei não viu. Alguma coisa me diz que este apartamento é esquisito.

Mas, enfim, a luz voltou e o episódio foi se juntar aos outros, no arquivo dos casos insolúveis.

Vamos combinar que a garota está criando uma espécie de arquivo “X” próprio.

Daí, esta semana, o namorado estava viajando e ela, sozinha no apartamento. De repente, começou a ouvir um barulho que vinha debaixo da geladeira. Ela, corajosamente foi investigar. Passou vassoura em baixo da geladeira, olhou com uma lanterna e não encontrou nada.

E lá se foi mais um caso para o arquivo “X”.

Bem, acho que a explicação da TV mudando de canal sozinha não foi lá muito boa. Então, estou sendo levada a acreditar que é um caso de Poltergeist. Sabe, daquele tipo de evento sobrenatural que movimenta objetos?

Pois é. Não sei não. Eu se fosse a garota procurava mesmo fazer amizade com quem o que está perturbando a ordem no apartamento. Descobria o que contraria o Poltergeist e entrava em um acordo.

Afinal, ela não vai querer levar pirexa na cabeça ou ficar No escuro a cada vez que o cabra se contrariar, vai?

sábado, 19 de março de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - EPISÓDIO 08

O PRIMEIRO TERREMOTO A GENTE NUNCA ESQUECE


Pois é pessoal Ele lance de terremoto é muito estranho pra gente que vive, graças a Deus, em cima de uma única placa tectônica. Isso é que podemos chamar de privilégio, não é mesmo?

Mas, vamos voltar às terras geladas do continente americano e acompanhar o primeiro terremoto vivido por nossa outra garota.

Estava em pleno andamento de preparação da reunião do G20, com todos os babados que isso acarreta, protestos aqui e ali, esquemas de segurança, imprensa do mundo todo, enfim, a cidade prestes a ser invadida por centenas de pessoas, com os mais variados objetivos.

E foi aí, em meio ao desenrolar das prévias do G20, que a terra tremeu!

Seria o fim do mundo? Ou seria como diria uma amiga da garota: É a Kabala do G20!

A terra tremeu por aquelas paragens amiga dona de casa!. O Epicentro do babado foi na região de Buckingham, a 25 km a nordeste de Ottawa. O chão tremeu de Montreal a Toronto e nos EUA.

Nossa garota estava na sua hora de almoço quando começou a sentir um balanço... achou que estava com uma crise de labirintite, vejam vocês. Mas quando olhou pro copo que estava em cima da mesa, ele estava tremendo...

Pra quem assistiu ao Parque dos Dinossauros, dava até arrepio de lembrar daquela cena quando o T-Rex se aproxima e a menina olha o copo e vê a água reverberando?

Mesma coisa... prédios evacuados em Montreal e Ottawa e muita confusão. Mas não houve fatalidades, nem mesmo ninguém machucado. Só algumas rachaduras em prédios perto da capital... Em Toronto mesmo foi só o balancinho! Uma marolinha de anda como diria o nosso presidente Lula. Mas foi uma sensação bizarra!
Bem, pass
ado o susto e a experiência de viver o primeiro terremoto, ficam o susto e a expectativa de que da próxima vez aconteça um maior.

Enquanto isso o Fim de Semana do G20 se aproximava, causando o CAOS na cidade. 1 BILHÃO de dólares investidos em segurança - a população revoltada - o centro da cidade TODO isolado e cercado! Ninguém se aproximava! Protestos! Falavam que era a maior mobilização de segurança da história do Canadá!


A nossa garota, confessou que estava em dúvida se fuçava tranqüila por causa do esquema de segurança ou de cabelo em pé por haver necessidade de tamanho aparato!
Na verdade, ela bem que preferiu que em vez do G20, tivesse só mesmo o terremoto.

sábado, 12 de março de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - EPISÓDIO 07

ESQUIS TRAIÇOEIROS

E, voltando aos países nórdicos, encontramos á nossa outra garota vivendo o seu primeiro inverno.

Para quem morou durante toda a vida em um país tropical, onde a noite mais fria de inverno chega a 21º positivos, raramente, enfrentar o inverno nas proximidades do Pólo Norte não é bem uma experiência das muito agradáveis.

Primeiro a neve que cai loucamente. Dias após dia, noite após noite, frio, muito frio, ruas cobertas de neve e roupa, muita roupa e aquelas luvas engraçadas, com o lugar apenas para o polegar e outro para todos os dedos da mão juntos. Muito prático, por exemplo, na hora de pagar o ônibus.

Depois de muita muita neve, a chuva chega para enlamear tudo e depois, o mais dramático: a neve derretida e enlameada congela e, a partir daí, andar pelas ruas se torna uma das tarefas mais difíceis do inverno.

A nossa garota vai trabalhar levando tombos e levantando, sem entender como os nativos do país, sejam crianças ou pessoas idosas, andam lépidas e fagueiras por sobre aquele gelo, parecendo estar andando sobre uma plana e seca calçada.

Nem os sapatos com sola apropriada e nem as solas extras presenteadas pelo chefe foram suficientes para evitar as constrangedoras quedas.

Podem acreditar, às vezes a vontade era sair engatinhando, para ver se conseguia se locomover com mais equilíbrio.

Mas, se vocês acham que isso foi o pior do inverno, esperem para saber o que vem a seguir: esportes de inverno.

E, um esporte muito comum na cidade onde mora a nossa garota é esquiar. Bem, para uma garota tropical esquiar não é exatamente algo familiar.

Acontece que a empresa onde a garota trabalha faz, todos os anos, uma viagem de inverno, levando todos os funcionários para passar um final de semana em uma estação de esqui. Para esquiar, é claro.

Sem ter a menor de idéia sequer de como colocar esquis, a nossa garota foi presenteada, pela empresa, com aulas práticas, como preparação para a tal viagem.

As aulas foram um verdadeiro desastre. Parece que existem coisas que estão no DNA. Dançar frevo e sambar, por exemplo, é para pernambucano e carioca. E, esquiar, definitivamente, é para europeu.

Depois de algumas aulas, um dos chefes convidou alguns funcionários para ir esquiar depois do trabalho. E convidou a estreante para ver como estava progredindo.

A nossa garota foi, é claro, super agoniada, com receio de não conseguir fazer as coisas direitos.

Pois é, não deu lá muito certo é verdade. Mas o pior foi na hora da saída. A garota levou um tombo daqueles dignos de efeito especial no cinema, indo parar em cima dos carros, no estacionamento.

Constrangida, molhada e sem graça, ajudada pelo chefe, a garota levantou, tirou os esquis e decidiu: esquiar não era mesmo a sua praia. Afinal de contas a perda da dignidade tem limites!

Foi por isso que naquela viagem de inverno e nas dos anos seguintes, ela não quer nem saber de esquiar.

Se é pra cair, as quedas nas calçadas, andando no gelo, já dão para o gasto.

sábado, 5 de março de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 06

SUPRESAS PRIMAVERIS

E agora, vamos para o outro lado do Oceano Atlântico, encontrar uma outra garota, a irmã da nossa já tão conhecida garota das terras nórdicas.

Pois bem, a nossa outra garota também mora em terras geladas, só que pras bandas das Américas.

Morar lá foi a realização de um sonho, acalentado por 15 anos. Chegando em pleno inverno, curtiu a neve e todos os encantos que o frio lhe proporcionava, documentando cada momento com textos e fotos que iam sendo postadas e acompanhadas pela família e pelos amigos.

E, um belo dia, a tão sempre cantada em prosa e verso estação do amor, chegou, enchendo a cidade de flores e cores.

A garota, apaixonada pela cidade onde mora, continuava a curtir cada novidade, cada novo detalhes, daquela primavera que se espalhava.

Era tão legal ver as pessoas cuidando de seus jardins, revolver a terra, garantindo que as flores crescessem lindas e perfumadas.

Bem, dizem que o primeiro beijo, o primeiro amor, enfim várias primeiras coisas a gente nunca esquece.

Mas, com certeza, à lista de primeiras coisas inesquecíveis de nossa garota, será acrescentada que “a primeira primavera a gente nunca esquece”.

Com as flores e cores, a primavera trouxe também chuva, muita chuva.

E, foi em uma dessas manhãs chuvosas que nossa garota se deparou com sua primeira experiência bizarra em terras estrangeira.

Vinha ela caminhando pela calçada, lépida e fagueira, indo para o trabalho quando, de repente, a calçada lhe pareceu estar viva, se movendo, ou algo esquisito desse tipo.

Apurando a vista, olhando com mais atenção, a garota percebeu que realmente algo estava se movendo. Mas, para seu iminente estado de pânico, não era a calçada que se mexia e sim, o que estava se espalhando sobre ela, aumentando de tamanho a olhos vistos.

E o pânico realmente se instalou quando a garota percebeu que aquela massa escura que se espalhava pela calçada eram minhocas. Sim, exatamente isso: MINHOCAS, enormes, gosmentas, nojentas, apinhando-se umas sobre as outras, saindo aos milhares da terra dos jardins, ao longo do caminho por onde passava a garota.

Apavorada e com nojo, via as minhocas se arrastarem em todas as direções, inclusive na sua, chegando a passar por cima de suas botas.

Situação sinistra essa, de ser atacada por minhocas enormes. Na verdade, talvez não fossem nem tão enormes assim. Afinal, sendo irmã da garota nórdica, com certeza também tem uma leve tendência a exagerar no tamanho das coisas que assustam. Talvez, mas ressalto, talvez, nesse item elas tenham puxado à mãe. Mas só talvez. Nesse lance de exagerar um pouco o tamanho das coisas assustadoras...

Para onde se virava, a garota via minhocas e mais minhocas. Mas, corajosa, conseguiu passar por aquelas criaturas medonhas e chegar ao metrô sã e salva, antes de ser devorada (rrsss).

E onde estavam os passarinhos? Com aquela fartura de minhocas dando a maior sopa e nenhum passarinho, nenhuma galinha apareceu para se fartar e ajudar a garota. Vida real e desenhos realmente não se cruzam...

Só mais tarde soube que a chuva forte escavou a terra e libertou das profundezas para a superfície aqueles seres horripilantes.

No dia seguinte e até por vários dias, a garota passava meio desconfiada em frente a jardins. Precisava ter tanta minhoca assim? Que exagero!

Quem pode esquecer uma experiência destas? Acredito que, na próxima primavera, a garota vá pensar duas vezes em sair de casa, depois de uma chuvarada. E talvez nem curta mais ficar olhando as pessoas arrumarem os jardins. Afinal, elas vão estar colocando na terra mais minhocas para se alvoroçarem com a chuva. Alguém merece uma coisa destas?