sábado, 5 de março de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 06

SUPRESAS PRIMAVERIS

E agora, vamos para o outro lado do Oceano Atlântico, encontrar uma outra garota, a irmã da nossa já tão conhecida garota das terras nórdicas.

Pois bem, a nossa outra garota também mora em terras geladas, só que pras bandas das Américas.

Morar lá foi a realização de um sonho, acalentado por 15 anos. Chegando em pleno inverno, curtiu a neve e todos os encantos que o frio lhe proporcionava, documentando cada momento com textos e fotos que iam sendo postadas e acompanhadas pela família e pelos amigos.

E, um belo dia, a tão sempre cantada em prosa e verso estação do amor, chegou, enchendo a cidade de flores e cores.

A garota, apaixonada pela cidade onde mora, continuava a curtir cada novidade, cada novo detalhes, daquela primavera que se espalhava.

Era tão legal ver as pessoas cuidando de seus jardins, revolver a terra, garantindo que as flores crescessem lindas e perfumadas.

Bem, dizem que o primeiro beijo, o primeiro amor, enfim várias primeiras coisas a gente nunca esquece.

Mas, com certeza, à lista de primeiras coisas inesquecíveis de nossa garota, será acrescentada que “a primeira primavera a gente nunca esquece”.

Com as flores e cores, a primavera trouxe também chuva, muita chuva.

E, foi em uma dessas manhãs chuvosas que nossa garota se deparou com sua primeira experiência bizarra em terras estrangeira.

Vinha ela caminhando pela calçada, lépida e fagueira, indo para o trabalho quando, de repente, a calçada lhe pareceu estar viva, se movendo, ou algo esquisito desse tipo.

Apurando a vista, olhando com mais atenção, a garota percebeu que realmente algo estava se movendo. Mas, para seu iminente estado de pânico, não era a calçada que se mexia e sim, o que estava se espalhando sobre ela, aumentando de tamanho a olhos vistos.

E o pânico realmente se instalou quando a garota percebeu que aquela massa escura que se espalhava pela calçada eram minhocas. Sim, exatamente isso: MINHOCAS, enormes, gosmentas, nojentas, apinhando-se umas sobre as outras, saindo aos milhares da terra dos jardins, ao longo do caminho por onde passava a garota.

Apavorada e com nojo, via as minhocas se arrastarem em todas as direções, inclusive na sua, chegando a passar por cima de suas botas.

Situação sinistra essa, de ser atacada por minhocas enormes. Na verdade, talvez não fossem nem tão enormes assim. Afinal, sendo irmã da garota nórdica, com certeza também tem uma leve tendência a exagerar no tamanho das coisas que assustam. Talvez, mas ressalto, talvez, nesse item elas tenham puxado à mãe. Mas só talvez. Nesse lance de exagerar um pouco o tamanho das coisas assustadoras...

Para onde se virava, a garota via minhocas e mais minhocas. Mas, corajosa, conseguiu passar por aquelas criaturas medonhas e chegar ao metrô sã e salva, antes de ser devorada (rrsss).

E onde estavam os passarinhos? Com aquela fartura de minhocas dando a maior sopa e nenhum passarinho, nenhuma galinha apareceu para se fartar e ajudar a garota. Vida real e desenhos realmente não se cruzam...

Só mais tarde soube que a chuva forte escavou a terra e libertou das profundezas para a superfície aqueles seres horripilantes.

No dia seguinte e até por vários dias, a garota passava meio desconfiada em frente a jardins. Precisava ter tanta minhoca assim? Que exagero!

Quem pode esquecer uma experiência destas? Acredito que, na próxima primavera, a garota vá pensar duas vezes em sair de casa, depois de uma chuvarada. E talvez nem curta mais ficar olhando as pessoas arrumarem os jardins. Afinal, elas vão estar colocando na terra mais minhocas para se alvoroçarem com a chuva. Alguém merece uma coisa destas?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 05

Continuando as nossas Desventuras em Série vamos hoje ao quinto capítulo:

O PERIGO MORA AO LADO

O tempo foi passando e a nossa garota levando sua vida com tranquilidade. Encontrou um apartamento muito legal, do jeitinho que ela queria e foi tocando sua vida, sem mais nenhuma novidade desagradável. Até que um dia, no escritório, se deparou com uma estranha planta. Plantada em um jarro, no parapeito da janela, a famigerada planta tinha longos ramos, que se moviam estranhamente, como tentáculos, ameaçando nossa garota que, para seu desagrado, senta-se em uma cadeira ao lado do vegetal destrambelhado, sendo ameaçada o dia inteiro por ela. E, todo dia era a mesma coisa, a planta toda agitada, querendo por os seus tentáculos na garota.

Vejam vocês que aberração da natureza! Perguntando a um amigo, biólogo, se esse comportamento era natural, ele afirmou que de jeito nenhum. Provavelmente a planta estava em busca de um apoio. Tudo bem, mas em quem ela queria se apoiar? Na garota? Não seria o caso de procurar um psicólogo botânico?

desenhado pela garota apavorada

Passado um tempo, o monitor do PC em que trabalha a garota, começou a não querer funcionar. Examinando o dito cujo para ver se achava onde era o defeito eis que ela se depara com uma situação muito, muito inusitada: não é que a danada da planta tinha enroscado seus tentáculos no cabo do monitor? Pois é, finalmente ela havia encontrado o seu apoio. Só que estava prejudicando o bom funcionamento do monitor. Mas como a planta poderia saber disso? Estava ali, solitária, encontra um fio amigo e vai se enroscando. Quem não faria isso?

Mas se vocês pensam que a bizarrice termina aí, enganam-se. Observando melhor por onde a planta havia se espelhado, a garota percebe que a danada tinha conseguido se enfiar por um minúsculo buraquinho do monitor.

Como ela conseguiu tamanha façanha? Pois é, essa foi a pergunta que todo mundo fez.

Bem, para o monitor voltar a funcionar era necessário tirar aquele tentáculo dali. A garota começou a puxar, a puxar, um tentáculo que parecia não ter fim. Até que se rompeu e ainda ficou um pedaço lá dentro, que só foi retirado integralmente na base da pinça.

Em suas mãos ficaram uns 30 cm de tentáculo, inerte. Vocês acreditam nisso? Vamos combinar, é, sem dúvida, uma planta muito carente. Tadinha dela. Só queria um apoio.

Depois de ser mutilada, acredito que a planta carente vá pensar duas vezes antes de se meter dentro do monitor daquela valente garota outra vez. Pelo menos é o que a garota espera. Depois de ter seus projetos arruinados e ainda ter perdido um tentáculo inteiro, quem sabe a planta acalme entenda que não é assustando os outros que vai conseguir atenção?

A verdade é que aquela busca de apoio da planta prejudicou o monitor que não está mais funcionando direito.

Recolhida à sua impossibilidade de sair do lugar, à planta resta a conformidade de que terá que ficar ali, com seus tentáculos soltos, perdidos no ar, a procura de um lugar para se enroscar. Solidão é fogo mesmo.

Vitoriosa, a garota passa pela planta e olha, ameaçadora, como a dizer, “não se meta comigo que eu te corto um tentáculo de novo”. A paz se estabeleceu? Quem sabe? Só o tempo dirá se, ao esquecer a sofrida mutilação, ela não voltará a empunhar seus tentáculos, ameaçando as garotas e os fios que encontrar pela frente.

Ilustração: Rosana Menezes

Bem, com certeza essas experiências devem ter fortalecido a garota que agora, mais corajosa, já pode enfrentar aranhas, gaivotas e plantas enlouquecidas. Tudo bem que nunca estes confrontos são agradáveis. Mas, da próxima vez, garanto que ela vai logo, de cara, mostrar quem está no controle.

E, no próximo episódio , continuando as “desventuras fora de série”, vamos contar um estranho episódio acontecido com a irmã mais velha de nossa corajosa garota. Parece que episódios bizarros é mal de família. Aguardem.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 04

Porque hoje é sábado, é dia de postar mais um capítulo das DESVENTURAS FORA DE SÉRIE. Então vamos ao capítulo de hoje:


O ATAQUE DAS GAIVOTAS ENLOUQUECIDAS


Morando perto do trabalho, a nossa garota fazia o percurso de volta pra casa a pé, numa agradável tarde de verão.

Ia caminhando, apressada, milhares de coisas para fazer, quando, ao descer da ponte, percebeu uma estranha movimentação nos céus. Notou uma certa agitação nos movimentos de uma gaivota.

Mas, gaivotas são gaivotas oras. Avezinhas simpáticas, que enfeitam as praias com seus voos graciosos (???). E, assim, sem nenhum motivo aparente, do nada, se viu atacada por aquelas aves até então vistas como inofensivas.

Isso mesmo, por gaivotas, que dando voos rasantes, ameaçavam bicá-la. Amedrontada, diante de uma situação tão bizarra, a nossa garota resolveu correr.

ilustração: ROSSANA MENEZES

As gaivotas continuavam fazendo suas investidas, chegando a tocar nos cabelos da garota que, assustada, tropeçou e caiu, arranhando-se bastante . Difícl era explicar às pessoas o que tinha acontecido. Covenhamos, foi uma situação bem embaraçosa. Ser perseguida por gaivotas?

Até hoje, ela não entendende o que provocou a ira das gaivotas. Disso tudo ficou a certeza de que nunca mais vai passar perto de criaturas tão monstruosas. Eu também não passaria. Criaturinhas perigosas! Quem diria?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 03

Conforme o prometido, posto hoje o terceiro episódio das "Desventuras" de uma garota vivendo muito muito distante de casa. E o episódio de hoje é:


O ATAQUE DAS ARANHAS ASSASSINAS


Certa noite, o namorado viajando, sozinha em casa, em meio às milhares de caixas de sua mudança, ainda não tendo encontrado um apartamento para alugar, a garota viu-se frente a frente com um enorme problema: penduradas na cortina, duas enormes aranhas a encaravam, ameaçadoras e famintas, com suas patas compridas e peludas. De que será que se alimentam as aranhas em países que não têm insetos dando sopa?

Tudo bem, não era nenhuma “LARACNA”*, nem nenhuma caranguejeira, talvez nem fosse tão grande assim, mas, avessa a insetos, aracnídeos e répteis em geral, a garota se viu tomada pelo pânico, ao se ver ali, sozinha, a mercê de bichos tão perigosos e peçonhentos.

Na verdade, nem perigosos, nem peçonhentos, vá lá. Mas, assustadores. Talvez não tão assustadores assim. Mas, enfim, eram duas aranhas. E aranhas, até segunda ordem, dão medo. Não dão não? Pelo menos em algumas pessoas. E ficaram as três ali, por uma boa parte da noite, se olhando, sem saírem de seus lugares.

ilustração: Rossana Menezes


Foi então que, sorrateiramente, a garota saiu correndo do quarto, fechou a porta e dormiu no sofá da sala. Mas isso não fez com que as aranhas sumissem. Ligou para o namorado e, através do telefone, ele lhe deu instruções de como matar as aranhas. E, corajosamente, ela conseguiu resolver aquela situação perigosa. Mais perigosa para as aranhas que bailaram, no final das contas. Tadinhas, vai ver só queriam mesmo companhia.

Superada mais esta desventura, nossa garota não sabia, mas, em breve, acrescentaria á sua lista negra também as aves. Não todas. Uma em especial.

Mas isso é assunto para o próximo sábado.

Bom final de semana apra todos.


*LARACNA - Laracna (Shelob no original em inglês) é a aranha gigante que o personagem Samwise Gamgee, companheiro de Frodo, da trilogia O Senhor dos Anéis, enfrenta em sua aventura em Cirith Ungol (fronteira de Mordor).

J.R.R. Tolkien, autor da trilogia, deixa transparecer que ela é uma das descendentes de Ungoliant, aranha ancestral que ajudou Melkor a destruir as Duas Árvores de Valinor

sábado, 5 de fevereiro de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 2

E, como combinamos, hoje estou de volta com mais um capítulo das DESVENTURAS FORA DE SÉRIE. Vamos lá então...

O SURTO DOS SENHORIOS DESVAIRADOS

Depois de muita procura, muitos apartamentos corridos, uns muitos bons, mas fora do orçamento, outros cabendo no orçamento, mas não tão bons, finalmente parecia que o apartamento havia sido encontrado. Novinho em folha, mobiliado, esperando por suas novas moradoras.


Mas, depois do primeiro mês em seu terceiro apartamento, as coisas não foram lá muito legais. Os locatários, a princípio simpáticos, se revelaram um tanto insanos, quando, enviando sem parar mensagens paro o seu celular – SMS – exigiam que retirasse da porta de entrada, um carro verde ali estacionado. Irritados, sem a menor noção de gentileza e educação, falavam que nem ela, nem a sua colega de apartamento, tinham permissão para estacionar carro na frente da casa. Ah! Esqueci de um pequeno detalhe: Os proprietários moravam em baixo do apartamento que a garota alugou.

Bem, eles até poderiam estar contrariados e tal, mas precisava ser tão inconvenientes? E, até que a garota, mesmo horrorizada com o tratamento recebido, poderia ter ido correndo retirar o carro, se não fosse por um pequeno detalhe: ela não tem carro. Então era mesmo impossível ela tirar o carro não é mesmo? Mas os senhorios, loucos, não queriam nem saber e exigiam a retirada do carro, cegos à explicação da garota de que o carro não era dela. Só entenderem isso quando o dono, que havia ido fazer algum serviço por ali, entrou no carro e se mandou.


Mas não parou por aí. A colega de apartamento, chega um dia e comunica que os pais dela estão vindo passar uns dias na cidade e irão se hospedar com elas. Comunicou, não consultou. Simplesmente, digamos assim, avisou. Acontece que lavando roupa tarde da noite, conversando alto e coisas assim, faziam tanto barulho que deixou os “amáveis” senhorios enfurecidos. A garota, que ficou na casa do namorado durante o período em que a colega recebia a família foi, mais uma vez, injustamente responsabilizada pelos senhorios, por desmandos que ela estava longe de ter cometido.


Eles começaram a reclamar sem parar, gritando, perdendo o controle, esbravejando sobre o barulho e todas as coisas que eram proibidas de acordo com o contrato e coisas deste tipo. A colega ouviu a tudo passivamente e nem se deu ao trabalho de dizer que a garota não estava em casa e que, na verdade, haviam sido seus hóspedes que tinham feito a barulheira toda.


Assustada, a garota chegou à conclusão que não tinha sido uma boa ideia ir morar naquele apartamento. Diante deste tipo de comportamento agressivo, grosseiro e injusto, não dava mais para continuar ali. E só havia se passado dois meses. Mas, até pagaria uma multa se fosse necessário, mas ali, definitivamente, não dava pra ficar. Mas, passado o momento de descontrole, os dois se acalmaram e até consentiram em rescindir o contrato, sem nenhum prejuízo da garota. E, a partir deste momento, ela passou a ser uma sem-teto. Ou quase.

Porque encontrar apartamento em fim de período escolar era o mesmo que tirar na loteria. A procura era grande e a oferta, nem tanto. Ela juntou suas coisas e ficou, por um tempo, na casa de seu namorado, enquanto encontrava outro lugar para morar. Só que, desta vez, seria sozinha e bem longe de proprietários.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O BRILHO DAS ESTRELAS

Estava falando com minhas filhas no skype quando Ró me pergunta se li o poema que Gra havia dedicado a nós. Supresa respondi que não sabia do que ela estava falando. "Ele postou no twitter, você não viu?"

Não, eu não havia entrado no twitter. Então ela me enviou por e-mail, a postagem:
@rossanamenezes @crolzinha@deamenezes #rejanemenezes esse é pra vcs!!

Entro no blog de Gra e tenho a encatadora surpresa de encontrar o poema CONSTELAÇÕES FAMILIARES, que li com lágrimas escorrendo, de emoção e alegria.

Amigo das meninas há muito tempo, sua amizade chegou até os pais. E, através de uma convivência gostosa, fraterna e carinhosa, acabou sendo adotado, como o filho e o irmão, que nunca tivemos.

Como duas das "irmãs", ele também mora longe, hoje em Macapá. E, é no mês de dezembro que todos se encontram e revivem, ainda que por um breve período, os alegres e animados tempos em que todos eram adolescentes e moravam na mesma cidade: Ró, Dea, Gra e também João Ricardo, outro amigo das meninas também muito querido, que mora já há um tempo em São Paulo e que, da mesma forma, ficou amigo de toda a família. E ainda tem Gabi, outra amiga das meninas, cuja am
izade passou também pra toda a família, que estudou com Dea desde pequena e que hoje mora em Brasília.

E meu querido afilhado Pedro e Babi,sua esposa, os dois filhos de amigos queridos e que por coincidência, se conheceram, se apaixonaram e hoje, casados, moram em São Paulo.

Quando fecho os olhos e lembro da casa cheia, primeiro de crianças, amigoos da escola, do prédio, primos, depois de adolescentes e jovens, abro os olhos e vejos adultos cheios de sonhos, de esperanças, de projetos, indo à luta, construindo o seu futuro.

Agradeço a Deus todos os dias ter vivido momentos assim, tão alegres e ainda poder vivê-los, quando a casa de se enche de alegria com as amigas de Carol. Metida, me misturo a elas para conversar, jogar e rir. Como é bom podermos sempre partilhar das alegrias dos filhos.


Essa é a beleza da vida: não criar barreiras, abrir o coração e se deixar tocar pelas pequenas coisas que tornam a vida mais leve e mais bonita. Tenho pena de mães que sentem alívio quando as férias acabam e os filhos voltam às aulas. Eu, ao contrário, sentia saudade de tê-las por perto todo o tempo.


Ainda agora, atualizando o blog "O Porta-Voz", li, na parte final do artigo de Marcelo Barros a seguinte frase:
"Milton Nascimento tem a música “Bola de Gude, Bola de meia”, na qual canta: “Dentro de mim mora uma criança, um moleque. Quando em mim, o adulto fraqueja, a criança vem e me dá a mão”.

Deve ser por isso que curto tanto esses momentos de bagunça, de jogos, de brincadeira. O adulto que vive em mim está sempre segurando a mão da criança danada de aloprada que também mora aqui.

e, é claro, não posse deixar de falar nos "inferninhos". Apesar de todos morarem por aqui, só nos vemos mesmo no final de ano, mas é sempre muito legal.

Pra vocês deixo o poema que originou este texto saudoso, um pouco melancólico, mas, acima de tudo feliz, porque, afinal de contas, quem brilha mais, se não as estrelas?

CONSTELAÇÕES FAMILIARES

Mais longe e além
Do meu curto abraço
Brilhando no céu
Em cirandas cadentes
Brilham as estrelas
Reluzem, cintilam
Tão nortes, nordestes
E eu tão aquém
Deito, me estico
Cravado no solo
Miro o espaço
Na casa celeste
De onde viemos
E desconcertado
Num sorriso agreste
Me questiono, calado:
Porque tão distantes?

Gracilicano Galdino ( Gra)




sábado, 29 de janeiro de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE

Começo hoje a postar a primeira parte das "desventuras" de uma jovem vivendo a experiência de morar sozinha, no exterior. Os fatos aqui narrados são reais e sua publicação foi devidamente autorizada.
Leiam esta primeira parte e, se gostarem, acompanhem o restante destas desventuras nada corriqueiras.

PRIMEIRA PARTE

O SOL DA MEIA-NOITE

Conta-se que em uma cidade bem bem distante daqui, morava uma garota, de seus vinte e muitos anos, que ali havia se estabelecido para exercer a sua profissão.

Era uma cidade pequena, coisa de 150 mil habitantes mais ou menos. Nela estavam as melhores faculdades do país. Era, como se costuma chamar, uma cidade universitária, para onde iam estudantes de várias partes do país e do mundo.

Cidade pacata, organizada, tranquila. Comércio fechando às seis da noite. Nada de shoppings aos domingos e nem supermercado. Afinal, naquele país, trabalhar era um meio e não um fim. Que coisa maravilhosa. Nada de workholics viciados em trabalho, deixando passar o tempo sem ver, que nem a Carolina da música de Chico.

Cidade próspera, moderna, sistema de transporte público nota 10. É verdade que só funciona até a meia-noite. Mas isso é apenas um detalhe que só tem problema na hora de encerrar mais cedo as farrinhas, pra não perder o último ônibus.

Na cidade, uma mistura de nativos e estrangeiros, dava-lhe um colorido especial. E era nesta pacata cidade, onde engarrafamento é palavra que não existe nem no dicionário, que morava a tal garota, nossa conhecida do comecinho desta história.

Jovem, bonita e inteligente, era uma das poucas mulheres na empresa em que trabalhava, onde havia mais de 30 pessoas. Gostava muito da cidade, apesar da saudade que sentia da família, que morava do outro lado do oceano, nas cálidas terras brasilianas.

No começo, algumas dificuldades de adaptação, como são naturais, foram sendo superadas, algumas com soluções bem simples. E primeira grande dificuldade foi, no verão, conseguir dormir com o sol brilhando inclemente lá pelas dez da noite. Um solzinho danado que se punha por volta das onze da noite e lá pelas três da madrugada já estava de volta. Nada de conseguir pregar olhos antes das onze. E, é claro, nada de conseguir dormir depois das três. Eita solzinho pra gostar de mostrar serviço. A aflição continuou por vários dias, até ser colocada uma cortina bem escura na janela do quarto. A partir daí, todos os problemas para dormir se resolveram. Até o próximo iverno. Porque no inverno, o sol ele vai à forra e se manda lá pelas três da tarde. E aí, a dificuldade é mesmo levantar da cama....









Outras dificuldades, com soluções mais complicadas como mudar de apartamento, por exemplo, foram sendo superadas. O primeiro apartamento era dividido com mais três pessoas. Vamos combinar que morar em um apartamento onde se é obrigada a conviver com pessoas que não estão nem aí para o fato de estar incomodando os colegas ao preparar suas comidas fedidas e oleosas, não era lá muito agradável. Superada esta dificuldade com a mudança para um apartamento para duas pessoas apenas, a vida foi sendo tocada, de maneira mais amena.

Mas daí, como morava em um apartamento para estudantes, ao terminar seu período de estágio, viu-se obrigada a procurar novo local para morar.

Mas, essa parte da história, eu conto pra vocês na próxima semana. Aguardem.

Texto: Rejane Menezes

Ilustração: Rossana Menezes

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

“DEPOIS DA CHEGADA VEM SEMPRE A PARTIDA”...

Continuando a música de Vinícius e Toquinho ...porque não há nada sem separação.... sei lá, sei lá.. a vida tem sempre razão...”

Há mais ou menos uns dez anos, uma grande amiga minha sofria com a transferência, quase ao mesmo tempo, de dois filhos para Brasília. E, consequentemente, com eles, a mudança de suas famílias. Eu a consolava dizendo que o tempo passava rápido e logo chegariam as férias e todos estariam aqui de novo. Só que, quando as férias chegavam e os filhos e netos enchiam a casa de alegria, o coração de minha amiga ficava apertado, já pensando no dia da partida.

E, mais uma vez, eu me arvorava de conselheira e lhe dizia para curtir o momento, para não deixar que o futuro estragasse o presente.

Os anos foram passando e, há dois anos e meio, no dia 24 de junho de 2008, foi a minha vez de ver a primeira filha partir para morar bem longe. Naquele momento, a dor que eu sentia era tão grande que pensei que nunca ia passar. Foi quando descobri que saudade é uma dor física, que às vezes, parece que não vai dar pra aguentar.

É uma dor opressora. Não encontro outra palavra. Ela aperta o peito, parecendo que não há mais espaço para o nosso coração bater. Comprime os pulmões até a gente não conseguir mais respirar de maneira normal. Obstrui a nossa garganta, formando uma espécie de nó tão grande, que não conseguimos mais engolir ou falar.

Passei um ano e meio sem ver minha filha. Quem nunca passou por isso, realmente não sabe o que é. Eu sei que vocês devem estar dizendo: que bobagem, tem a internet. É verdade. Graças a Deus existe a internet, o MSN e o skype, com sua mágica da gente poder ver e ouvir quem está do outro lado do mundo. Mas, de vez em quando, como faz falta um aperto, um abraço, um cheiro...

E foi quando, no final de 2009 a minha filha veio passar as férias aqui, eu pude, finalmente, entender o que a minha amiga sentia, porque como diz outra canção “ a hora do encontro é também despedida, na plataforma desta estação que é a vida” ...

E, ainda por cima, ao chegar meados de janeiro, a outra filha também iria embora, pra morar também bem longe. Nesta sexta-feira, 14 de janeiro, fez um ano que não nos vemos pessoalmente. Foi o segundo natal em que a família não estava toda reunida.
A que foi embora primeiro, veio passar as férias. Que alegria o dia da chegada. Que alegria ouvir sua voz no quarto ao lado, sem precisar ligar o computador. Como foi bom poder abraçá-la sempre que tivesse vontade. Mas o inevitável dia da volta chegou, hoje faz uma semana.

Sempre gostei da casa cheia dos amigos delas. Desde pequenas, todas as três traziam as amigas pra brincar aqui. Mesmo adultas, era sempre aqui o ponto de encontro da turma.

Ficamos eu, o pai e a caçula. A caçula que já fez 18 anos e que, com certeza, um dia também irá alçar seu próprio voo. Foi pra isso que nós as criamos, para serem independentes e, acima de tudo, felizes.

Quando a caçula passa uns dias longe de mim, fica ainda mais difícil conviver com o silêncio, com o vazio do ninho. Nunca consegui entender as mães que preferiam a época das aulas, porque com os filhos fora de casa, tinham mais sossego. Ao contrário, sempre curti as férias, quando podíamos ficar juntas mais tempo.

O tempo passou, elas cresceram e cada uma está construindo a sua própria vida, a sua própria família. Saber que elas estão bem, que estão felizes, é o que me ajuda a seguir em frente, é o que me consola nos momentos de maior tristeza.

Mas, rebelde e às vezes, inconsolável, não é que esta danada dessa saudade não quer saber de nada disso?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Free Hugs

Finalmente organizada!
Viagem perfeita, pessoas e paisagens urbanas maravilhosas, cidades antigas e cenas emocionantes.
Assistimos o jogo Brasil x Portugal num restaurante português! Diversão garantida!
Mas como é bom voltar para nosso "cantinho", para as coisas com o nosso cheiro, reconhecer os rostos pela cidade, admirar o céu mais azul do mundo, encontrar vizinhos no mercado e ouvir a língua materna.
São tantos os pequenos detalhes que fazem nosso dia a dia e que apenas percebemos quando somos privados.
Pequenos gestos, como o ABRAÇO!
Sim, um abraço, que para nós latinos, especialmente brasileiros é tão especial e faz parte do nosso dia a dia.
Abraço que é símbolo de solidariedade, de conforto, de amizade, de fraternidade e o gesto-símbolo mais estreito entre pais e filhos.
Pois é, nesta viagem ao Canadá, me dei esta tarefa agradável: Distribuir abraços!
Além de abraçar e acarinhar meu filho fiz questão de abraçar todos que com aquele brilho no olhar nos reconheciam nas ruas como brasileiros.
Sinto que cumpri minha missão , abracei cariocas, baianos, pernambucanos, cearenses, e até "canadenses abrasileirados"
Percebi que nos tornamos um pouco mãe e pátria para os que por opção ou não estão longe da casa brasileira.
Obrigada Canadá por todo carinho que durante muito tempo vai alimentar nossas almas.

sábado, 3 de julho de 2010

PATRIOTA: SER OU NÃO SER?

Quando se está longe de nossa terra, seja em outra cidade, outro estado ou outro país, principalmente, ficamos mais sensíveis às nossas raízes deixadas para trás.
Qual é o recifense que longe de casa não sente saudade do feijão que comia quase diariamente, do mar azul batendo nos arrecifes, da água de coco nas barraquinhas do calçadão, da tapioca na Praça da Sé de Olinda, do cuscuz com leite e açúcar ou então com uma carninha guisada com muito molho?
Como não sentir saudade da carninha de sol com feijão verde, do arrumadinho ou do escondinho de charque? Da macaxeira se desmanchando, com a manteiguinha escorrendo? E das comprinhas na feirinha da pracinha de Boa Viagem, do queijo coalho assado na brasa, da canjica, pamonha e pé-de-moleque no São João, do feijão de coco da Semana Santa, da agulha frita torradinha... da FENEARTE e seus artesanato da melhor qualidade... ?
Isso, é claro, não seria exatamente patriotismo, mas seria alguma coisa entre patriotismo, raízes culturais e até DNA, porque gostar de tudo isso ou, pelo menos de uma boa parte disso, está no sangue do recifense.
Dizia um antigo jingle da VARIG que “quem chega em Recife logo fica apaixonado, beleza por todo lado, Recife é linda demais, o frevo é quente, alegria de toda essa gente, com muito orgulho de lá.
Praia de Boa Viagem, Capibaribe e pontes, históricos montes, Guararapes, Igreja de São Pedro, museus e monumentos, Olinda e suas tradições, conheça o Recife, e leve o Recife pra sempre no seu coração”.
Poderia até dizer, apelando para uma frase bem batida, que “você pode sair de Recife, mas o Recife não sai de você”.
O que é a minha pátria? “A minha pátria é como se não fosse, é íntima Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria”, escreveu o poetinha Vincícius para sua pátria tão distante.
Eram outros tempos, tempos difíceis, onde a para ele a “Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta Lábaro não; a minha pátria é desolação De caminhos, a minha pátria é terra sedenta E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra E urina mar”.
No próximo dia 09 de julho vai fazer 30 anos que o poetinha partiu, deixando uma magnífica obra, entre poesia para ser lida, recitada ou cantada. Se vivo fosse, talvez reescrevesse seu poema escrito quando morava longe de sua terra. Sua pátria não é mais desolação e a sede está mais aplacada. Hoje está menos descalça e mais alimentada. Hoje poetinha, há muita coisa do que nos orgulharmos de nossa pátria. Não somos mais o país apenas do futebol e do carnaval.
Imagino que, talvez por isso, por hoje vivermos em um país melhor do que o deixado por Vinícius, há 30 anos, para quem está distante, a saudade seja ainda maior.
“Mais do que a mais garrida a minha pátria tem Uma quentura, um querer bem, um bem Um libertas quae sera tamem .... Não te direi o nome, pátria minha Teu nome é pátria amada, é patriazinha”...
És o solo fértil e gentil que acolhe a todos com seus longos e afetivos braços. Com suas cores, seus sabores e sua gente sempre otimista, alegre, sorridente, fica difícil não amar uma pátria assim.
Ser patriota é muito mais que exibir a bandeira na parede de casa, como vemos em filmes estrangeiros. Ser patriota é acreditar que o país tem jeito; é carregá-lo onde for, bem dentro do peito; é se encher de orgulho e dizer, mundo afora: eu sou brasileiro e não desisto nunca.