sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

MINHA PRINCESA FAZ UM ANO

Minha querida princesinha Victoria

Hoje você completa seu primeiro aninho. Há um ano, quando seu papai nos avisou que você estava chegando, ficamos aqui, na torcida, para que tudo corresse bem, para você e sua mamãe.

Apesar de não podermos estar sempre perto fisicamente, nossos corações estão permanentemente juntos, curtindo cada momento, cada novidade, cada descoberta, ainda que via internet, por fotos ou vídeos. E viva a tecnologia.

Minha querida princesa desejo a você todas as alegrias do mundo. Que você descubra o valor de sonhar sempre e de ir em busca dos seus sonhos.

Que vida lhe seja generosa, lhe trazendo muito amor e muito carinho, sempre.

Que ao crescer você carregue sempre a criança que você é agora, para que, dessa forma, a vida lhe seja mais leve, mais alegre e mais fácil de viver.

Não deixe que mudem a cor do cavalinho azul, que apaguem o fogo dos dragões, que cortem as asas das fadas. Carregue-os sempre em seu coração e, assim, seu coração será sempre grande o suficiente para abrigar a inocência, o sonho e a realidade, sem que ela lhe pese.

Brinque bastante e não esqueça jamais como é bom se divertir.

Sorria sempre, por qualquer motivo, para qualquer pessoa. O sorriso é sempre um instrumento poderoso para desmanchar caras feias, alegrar corações partidos e renovar a nossa alma.

E ame sempre e muito, a família, os amigos, os amores futuros. E nunca esqueça que o tamanho de Victoria será sempre o tamanho de nosso amor por você.

Com todo o meu amor


Vovó

sábado, 6 de setembro de 2014

A ALEGRIA DE SER

O ano era 1980. A data, 21 de junho. O acontecimento? A chegada de um bebê. Não de um bebê qualquer. Mas do meu primeiro bebê.

Querendo parto normal, esperava ansiosamente para entrar em trabalho de parto e nada. Talvez por não querer deixar o aconchego em que se encontrava, meu bebê só resolveu chegar nos dias finais do prazo previsto. Talvez não quisesse perder o São João, então resolveu chegar. Naquela época ultrassonografia ainda não era item obrigatório no pré-natal, então resolvi não fazer e esperar pela surpresa, se seria menino ou menina.

Tudo estava organizado. Quartinho arrumado. Mala pronta. Só aguardando a hora.
Depois de quase um dia na maternidade,  ela chegou nas primeiras horas da manhã de um sábado, cabeludo, rechonchuda e muito vermelha. A emoção de segurar um filho nos braços, pela primeira vez, não tem discrição, não tem palavras, não tem comparação. Cada filho que seguramos pela primeira vez é uma experiência ímpar, inigualável, comparada apenas à emoção de segurar a neta, pela primeira vez.

A hora de conhecer aquela pessoinha que chutava nossa barriga e se virava o tempo todo procurando um lugar mais confortável finalmente chega. E é um momento é mágico.

Quatro anos depois a experiência se repete. Há exatos trinta anos, em uma quinta-feira, começo de feriadão, entrando no oitavo mês de gravidez, logo de manhã cedo percebi que algo estava diferente.

Era uma quinta-feira, véspera de feriado, dia de sol, como eram os dias de setembro antigamente. Feriadão à vista, meus planos eram pegar Rossana na escola e descansar no feriado. Entrando no oitavo mês de gravidez, no início da semana iria começar os preparativos para a chegada da mais nova integrante da família, prevista para a partir do dia 29 de setembro.

Minha médica havia tirado férias no começo do mês para estar aqui quando a hora do parto chegasse. Tudo corria dentro do esperado. Até que alguém, com pressa de conhecer logo a sua família, resolveu se antecipar e chegar de surpresa, um mês antes do previsto.
E bota surpresa nisso. As roupinhas ainda não estavam organizadas, nem o quarto, nem nada, para falar a verdade. Foi uma correria só.

Mas deu tudo certo conseguimos arrumar tudo, eu e a família e à noite, estávamos prontos para a sua chegada.

E assim você chegou Dea, de repente, de surpresa e veio para iluminar ainda mais a nossa vida. Miudinha, pouquinho cabelo  e muito linda, você chegou pra tornar a nossa família ainda mais feliz.


Hoje, trinta anos depois, relembro aqueles momentos, a correria para arrumar tudo, a insegurança por minha médica estar fora, a ida para o hospital, e depois apenas a alegria de segurar você em meus braços. A alegria de ver minhas duas filhinhas juntas. A imensa alegria de ser novamente mãe. Alegria que voltei a ter, oito anos depois com a chegada de Carol, oito anos depois.

Ninguém esperava mais por gente nova na família. E aí, ela resolveu que queria fazer parte dessa família e sinalizou que estava vindo. Quando a gente está mais madura, fica um pouco apreensiva em estar grávida, em ter mais um filho. Confesso que no começo essas coisas me ocorreram. Uma conversa com duas amigas que tiveram filhos nessas circunstâncias e o bem que fez a elas, me acalmou e fez com que a preocupação desse lugar a alegria de ser mãe outra vez. Hoje não consigo imaginar nossa vida sem ela.

Como a turma por aqui gosta de nascer perto de feriado, com Carol não poderia ser diferente. Ela chegou no dia 14 de julho, cheia de saúde, pouco cabelo e muita fofura, apesar de miudinha também.

Não imagino minha vida sem minhas três filhas. Não poderia ser diferente, de jeito nenhum. Gosto da casa cheia, animada, com música tocando, videogame e brincadeiras rolando e muita conversa.

Há sete meses, foi Andrea quem passou a experimentar essa alegria. E que mãe linda e dedicada que ela é.

Hoje, no dia do seu aniversário, sou eu quem recebe os parabéns s pelas três filhas que tenho. E agora, parabéns pela netinha que Dea me deu.

Minhas filhas desejo a vocês que a vida sempre lhes sorria. Que vocês consigam realizar cada sonho que sonhar. E que eu sempre faça parte de suas vida.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O NINHO VAZIO

por ASSUERO GOMES




É sempre bom lembrar que um ninho vazio está sempre cheio de ar como parecia no vinho da canção. Um ninho vazio nunca está vazio, está cheio de amor.

Feito de palhas de berços esquecidos, brinquedos amarelados, rasgos de fotos e de lembranças, mesmo vazio o ninho está cheio de saudade. Meio dor, meio alegria, sempre aberto o ninho se sustenta na árvore e sobrevoa no vento do tempo, olhando com a boca aberta para o infinito azul do céu. Meio esperança, meio desespero.

O ninho vazio é feito de bonecas, quebra-cabeças inconclusos, livros de tarefas inacabadas, e dessas fotos impressas no coração, de momentos e de eternidades.

O ninho contém em si a volta e a partida. Foi construído com pedaços de si, aos poucos, aos poucos, entre metade de sorrisos e febres noturnas, tosses e noites mal dormidas e manhãs bem-vindas. Em si, em si mesmo o ninho tornou-se eterno. Enquanto durar o casal, enquanto durar a árvore e o céu, e a lembrança viajante dos que ousaram voar com as asas próprias dos humanos. Nem mais anjos, nem mais animais, apenas humanos.

É sempre bom lembrar que no ninho vazio dormiremos nosso sono, e nossos sonhos. Nele veremos a derradeira visão, a derradeira manhã e a última noite; mas é sempre bom lembrar que antes disso, a cada ciclo de voo os ninhos se enchem de novo, mesmo fugazes, serão novamente alegres, novamente cheios, novamente felizes.

Mesmo vazios os ninhos nunca se desfazem. Contorcem-se, gemem silenciosos, choram orvalhos de madrugadas, cintilam brilhos de estrelas, oram. Jamais se desfazem. São a habitação do infinito, a morada do essencial, são a própria morada do humano. Ali a humanidade renasceu, se refez, se libertou e ganhou vida pela Terra.

É sempre bom lembrar que um ninho vazio está sempre cheio de amor, como no princípio.
        
Assuero Gomes

Médico e escritor. 
Postado no blog O ANEL DE TUCUM:
http://assuerogomes.blogspot.com.br/

domingo, 26 de janeiro de 2014

ELA CHEGOU!

Foram nove meses de espera, de ansiedade, de torcida para que tudo corresse bem na espera e na chegada. Uma mistura de alegria pela nova vida que estava pra chegar e de tristeza por não estar junto para partilhar esse momento.

No meio da espera, um presente maravilhoso dos queridos primos Gisele e Gustavo: a viagem para as terras distantes para vivenciar esse momento especial.

Viagem marcada, data apertada para o nascimento, torcida para demorar um pouco e ela resolveu chegar logo, porque, puxando a mãe, já não aguentava de curiosidade em conhecer os pais.

E ela chegou, linda, saudável, maravilhosa, para iluminar as nossas vidas e encher de alegria a nossa família.

E acompanhamos tudo pela internet. Bendita internet. Bendito Whatsapp. O pai mandando informações e depois a primeira foto. Foi muita emoção ver aquele rostinho rosado, dormindo e reconhecer nele os traços de nossa família. Naquele rostinho pequenino e sereno, a nossa família vai continuar, vai se renovar e ser mais feliz.

Abençoada seja nossa pequena. Que ela tenha sempre muita saúde. E que saiba sonhar muito e ir em busca dos seus sonhos. Que saiba amar muito e que seja muito amada. Que seja generosa e que descubra o valor da gentileza.
Que seja feliz fazendo os outros felizes. Que seja o ar puro de nossas manhãs, a luz do nosso caminho e a alegria de quem estiver ao seu redor.
Que ao chegar seja sempre muito bem vinda e ao sair deixe saudade e um sabor de quero que fique mais.

Que o otimismo e a esperança sejam seus companheiros sempre e que vida sempre lhe sorria.

Que o seu nome, Victoria, seja a inspiração para nunca desistir de suas lutas, de seus sonhos, de seus objetivos.

E que você descubra o valor da família e dos amigos, contando sempre com a gente para cuidar de você.

E, tomando a ousadia de fazer minhas as palavras de Chico, canto pra você:
“Ai que bom que você veio e você chegou tão linda, eu não cantei em vão, bem vinda no meu coração”.

Estou já chegando.

sábado, 30 de novembro de 2013

VICTÓRIA, SEJA BEM VINDA

Foram meses de expectativa para saber se seria menino ou menina. E, quando tivemos a alegria de saber que era uma menina, mais algum tempinho aguardando a escolha do nome. Achei muito importante os pais escolherem com cuidado o nome de nossa princesinha. Afinal, carregamos o nome por toda vida e ele precisa ser, realmente, escolhido com calma e sabedoria.

E aí, chegou o dia de nossa princesinha receber seu nome, um nome bonito, forte e que por si só, já traduz todo o seu significado: VICTORIA.

E daí, em lugar de falarmos bebezinha, a bebê, bruguelinha, ela passou a ter a sua própria identidade.
Estamos na espera de sua chegada, ansiosos por conhecê-la, por ver sua carinha, seus olhinhos, mãozinhas, cabelos. Ficamos imaginando com ela será, qual será a cor dos olhos, se nascerá com muito ou pouco cabelo. Praticamente, todas as noites, sonho com bebês. Engraçado como as nossas expectativas ficam aflorando e nos surpreendendo.

Demorarei um pouco a conhecer Victoria. A distância não facilita nada, não é mesmo? Daí, ficamos por aqui fazendo planos para quando ela vier nos conhecer, torcendo par ao tempo passar bem depressa até lá e, quando ela chegar, se acalmar e passar bem devagar.
A distância será sempre cruel com a gente, nos separando por milhares de quilômetros. Mas, tenho a mais absoluta certeza de que, por maior que seja, nunca será suficiente para separar os nossos corações.


Victoria que você venha coberta de amor para encher de alegria o nosso coração. 

BEM VINDA NO MEU CORAÇÃO!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

É UMA MENINA E ELA ESTÁ QUASE CHEGANDO!

Saber que vamos ser avós é uma emoção muito grande, difícil de ser descrita. Acredito que só será superada quando vir, pela primeira vez, o rostinho daquela que vem para iluminar e alegrar a nossa família.


Entrando na 28ª semana de gestação, o bebê começa a crescer mais rapidamente e, ao pensar, nisso fico imaginando como será o seu rostinho. De vez em quando me pego olhando para bebês que passam e suspiro, imaginando ter a netinha nos braços, sorrindo e fazendo biquinho.

Quando passou em lojas, a minha atenção sempre é voltada para roupas de bebê, sapatinhos, vestidinhos. Como pode a chegada de um bebê mexer tanto com a gente?

E, mesmo de longe, acompanho cada passo da gestação de minha filha, cada novidade, cada chute, cada nova sensação e inconvenientes, como azia, por exemplo. Diz a lenda que azia é sinal de bebê cabeludo. Bem, comigo deu certo. Eu tive muita azia em minha primeira gestação e a minha filha nasceu muito cabeluda. Então, não posso contradizer a lenda.

Ao chegar ao último trimestre de gravidez, as coisas ficam mais animadas, com o bebê chutando com mais frequência, mas também ficam mais complicadas, com o peso da barriga aumentando, a vontade de ir ao banheiro sempre e a ansiedade em relação à hora do nascimento e ao fato de sermos ou não capazes de cuidar de um bebê. Como eu curtia os chutes! Ficava aguardando ansiosamente estes momentos, para sentir meu bebê fazer as suas “estripulias”. Sentia como se nos comunicássemos mais naqueles momentos. Os chutes eram para mim uma espécie de linguagem de sinais. E, acreditem, depois do parto, eu sentia falta daquela movimentação toda na minha barriga.

Eu lembro que quando estava no final da primeira gravidez batia, de vez em quando, um medo do momento do nascimento. Seria tão doloroso quando dizem? Seria normal, seria cesárea? O desconhecido é mesmo assustador. Mas daí eu pensava: tem outro jeito? Não. O Bebê vai nascer mesmo, não tem volta. Então deixava os temores de lado e seguia e frente, afastando o medo e sonhando com o momento de ter o bebê em meus braços.

Outras vezes, ainda na primeira gravidez,  pensava em não conseguir dar banho em um serzinho tão frágil, em não saber amamentar ou reconhecer quando estivesse sentindo alguma dor. Mas, todas as dúvidas, todos os temores se foram, no primeiro momento que segurei minha filha em meus braços. Vermelhinha, fartos cabelos escuros e olhinhos muito vivos, me passou toda a segurança que eu precisava. É claro que os primeiros banhos foi a minha mãe quem deu. Só por garantia. Mas cuidar de um bebê faz parte da natureza de qualquer mãe, seja biológica, seja de coração. É genético, não tem como ser diferente.

Cada filho é diferente e a maneira de educar pode precisar até ser diferente também. Mas, os cuidados, o carinho, estão impregnados em cada mulher que decide ser mãe, mesmo que muitas não se deem conta disso, às vezes.

Por isso, tenho certeza que a minha filha será uma excelente mãe. Não me preocupo nem um pouco se ela vai ou não dar conta porque tenho certeza que vai.  É claro que os conselhos da mãe e da avó serão necessários. Afinal, somos mais experientes e, mais do que isso, sentimos a necessidade de ajudar. Mesmo que não seja preciso.

Aproveite cada minuto de sua gravidez minha filha, cada chute, cada movimento, cada novidade. Curta preparar o enxoval, arrumar as roupinhas, o carrinho, o berço. E esperem, com tranquilidade, a chegada dessa menininha já tão amada, tão aguardada. Vocês dois serão pais maravilhosos, tenho a mais absoluta certeza.

E eu serei uma avó coruja e totalmente dominada pela neta, que vai fazer todos os gostos e dar muito carinho. Mas isso você já em mesmo certeza.


sábado, 12 de outubro de 2013

DIA DAS CRIANÇAS

Quando vejo as matérias sobre o movimento nas lojas na compra de presentes para o Dia das Crianças, fico pensando que esse dia poderia ser melhor aproveitado se, em lugar de brinquedos caros e de última geração, todos os pais pudessem dar aos filhos algo muito mais precioso: o seu tempo.
Lembro-me bem das comemorações do Dia das Crianças de minha infância quando saía com meus pais e minha irmã, meus tios e meus primos, para fazermos alguma programação divertida. Não lembro de nenhum presente que tenha ganho nesses dias, mas lembro de como eram legais as nossas saídas, de como nos divertíamos e curtíamos a companhia um dos outros.

Como mãe, é claro, sempre gostei de dar presentes às minhas filhas, procurando descobrir o que mais queriam e, se fosse possível, fazer-lhes a surpresa. Mas o que sempre gostei foi da companhia delas, de curtir com elas, desde o primeiro choro, o primeiro dentinho, os primeiros passos, às conquistas maiores.

Participar da vida dos filhos, acompanhar de perto o seu desenvolvimento, inclusive na escola, é muito mais importante do que qualquer presente. Podem ter certeza.

Nunca perdi reunião de pais e mestres, apresentações, abertura de jogos. Documentava tudo, as dancinhas, os jogos, os desfiles, as peças. E observava o sofrimento das crianças cujos pais não estavam presentes, muitos por força do trabalho, mas também outros por falta de interesse mesmo. Conheci pais que só tomavam conhecimento das notas dos filhos quando eles já estavam nas provas finais ou no conselho de classe.

Ter filho não é obrigação, é opção. Quando se coloca uma criança no mundo, é para toda a vida, não é descartável, não se guarda no armário quando está sem paciência ou sem disposição. Portanto, faz parte do pacote dar atenção, assistência, dedicação e interesse pela vida daquele pequeno ser, cuja formação vai depender de quem os cria.

Não devemos delegar a ninguém o privilégio de educar uma criança, de contribuir para formar um cidadão, uma cidadã. Vamos tornar cada dia do ano o dia das nossas crianças, dando-lhes todo o amor e todo carinho que tivermos. Vamos forma seres humanos que possam contribuir para melhorar esse mundo tão caótico em que vivemos.

Sejamos crianças com elas, descobrindo a magia de voltar a ser criança e de brincar de bonecas ou carrinhos com os nossos filhos. Ou ainda, preparar uma bacia de pipoca e assistir a um divertido desenho.

Deixemos as crianças serem crianças o máximo de tempo que puderem. Afinal, a infância passa, mas para ser adultos, terão o resto da vida.


Aproveitemos cada dia de nossas crianças dividindo realmente, com elas, o nosso tempo.

domingo, 6 de outubro de 2013

A FÓRMULA PARA SUPORTAR A SAUDADE

Hoje uma amiga, Fátima, me disse que sua filha vai passar uma ano e meio fora do país e me perguntou qual a fórmula para aguentar a saudade.

Olhei para ela e respondi: não sei minha amiga. Depois de cinco anos que a primeira filha foi morar fora e quase quatro anos que a segunda foi também, eu ainda não consegui conviver bem com a saudade. Ainda não conseguimos fazer amizade, mesmo depois de tanto anos de convivência. A sua presença é constante em minha vida e acredite-me, infelizmente, não fica mais fácil à medida que o tempo passa. A saudade não se esforça para ser legal nem para ser amigável. Ela é durona, cruel e nos machuca sempre que aparece. Não minha amiga, não tem chance de uma boa convivência com ela.

Quando elas estavam para ir embora eu não queria pensar no assunto, para não sofre por antecipação. E, me iludia, achando que, se eu superasse os primeiros meses, depois me acostumaria.

Mas, a verdade é que, depois de todos esses anos, ainda não me acostumei. Porque minha amiga, se acostumar com a ausência não é uma tarefa fácil. Não é fácil conviver, no dia a dia, com as camas e os lugares na mesa sempre vazios. Com os almoços menores nos finais de semana.

Não venham me dizer que falar todos os dias na internet é a mesma coisa. Nada pode substituir um abraço apertado, um beijo na bochecha, uma passada de mão nos cabelos. A internet ajuda, claro, a manter contato, a saber as notícias em tempo real. Mas nunca vai substituir a presença.

Quando o coração fica muito apertado e um nó enorme sufoca a garganta, penso em como elas estão bem, felizes, morando em um lugar melhor do que aqui, com segurança, saúde, transporte público de qualidade, bons empregos, educação para os filhos ... tudo tão importante e, ao mesmo tempo, tão pequeno quando o preço a se pagar por isso é a distância.

Embora seja o curso natural da vida os filhos crescerem e deixarem o ninho, quando voam para muito distante, não existe, minha amiga, nem uma fórmula nem uma medida certa para nos consolar.
Tem dias melhores, quando estamos em contagem regressiva para a chegada delas. Tem dias piores, logo depois que vão embora. Tem dias onde a saudade dói tanto que parece que o nosso peito vai arrebentar, tem dias que ela se comporta e não nos sufoca e a gente até consegue passar o dia inteiro sem chorar. Tem lágrimas e sorrisos, ansiedade e esperança. E, misturado a tudo isso, um amor enorme que só queria chegar perto e nunca mais se afastar.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

MEU BEBÊ VAI TER BEBÊ

Em um momento elas são frágeis, pequeninhas e nos olham com aqueles olhinhos cheios de inocência e amor. Sim, amor. Porque acredito que a primeira relação de amor de todo ser humano é com sua mãe, ali, no quentinho e aconchegante útero. É sabido que quando nasce, ouvir a voz da mãe acalma o bebê, por lhe ser familiar. Então acredito que este amor é realmente o mais antigo na vida de qualquer pessoa.

Daí aquele pequeno e frágil ser vai crescendo e, em um piscar de olhos, se torna uma pessoa adulta, que decide os rumos de sua vida e vai, mundo afora, construir o seu futuro.

Mas, para as mães, os filhos nunca crescem. São sempre pequenos e precisando de seus cuidados.  Aí, um belo dia, de repente, você recebe a notícia: o seu bebê vai ter um bebê! Como assim? Quando foi que meu bebê cresceu?

Daí você fica sem saber exatamente o que fazer ou o que dizer. E tudo o que consegue é chorar, de tanta emoção e alegria que a notícia lhe traz. Aquele bebê que você cuidou com tanto carinho, com tanto amor, agora terá o seu próprio bebê para cuidar.

Então lhe vem à mente todas as lembranças, desde o dia que soube o resultado do exame, das flores que recebeu do entusiasmado pai e a confirmação de que estava grávida. Vem à lembrança a gravidez, a curtição dos chutes, a expectativa se seria menino ou menina, e emoção da primeira vez em que segurou seu bebê nos braços. Passei por este momento três vezes e digo que os três foram únicos e maravilhosos.

Ser mãe, para mim, é o maior presente que a vida me deu. E tive o privilégio de receber este presente por três vezes. E, agora, um dos meus bebês vai ter o seu próprio bebê. E a emoção de saber que serei avó é tão grande que fica difícil descrever.


Que seja muito bem vindo este bebê que irá trazer muita alegria à nossa família. Que seja forte, saudável e que tenha certeza que será sempre cercado de muito amor.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Sobre a Saudade

 Por ASSUERO GOMES


A saudade às vezes pesa demais, pois nem sempre é só cinzas ou papel desbotado, nem música nem olhar; às vezes corta ou apunhala traiçoeira, como uma palavra inesperada num momento inoportuno.
Pode ser sutil ou atrevida, inconstante ou perpétua, mas lateja, arde e queima, devagarzinho assim como quem não chega, chegando, no inverso universo do espelho onde quem parte está voltando e quem vai chega, mas quem chega já partiu.

A saudade às vezes pesa tanto que tem que se dividir com alguém, uma saudade partilhada, para se sobreviver. Um vento que sopra contra a face pode trazê-la, numa tempestade ou num acalanto. Mantêm-se incógnita por muito tempo, assim latente e como um peregrino que chega ao seu destino se inflama em transe e bate no dorso como a ponta do suplício. Dói, como dói, entre partidas definitivas ou entre lapsos de tempos vazios de espera.
Saudade é a presença ausente, é o desafeto do afeto, é a dor doída e a lágrima retida.

A saudade é irmã fatal da solidão, como nesse depoimento colhido entre lágrimas secas:
“... e a solidão era tanta que eu perguntei a ela qual o momento no qual estivéramos mais unidos. Ela abanou a cabeça como se não soubesse ou como se não importasse. Eu lembrei então de toda nossa trajetória juntos. Havia se passado uns bons cinquenta anos, talvez cem, ou a eternidade, talvez trinta para não exagerar, mas é porque quando se está só, o tempo se torna turvo.

Continuei falando sozinho, como se não houvesse mais ninguém na sala, nem no quarto. E realmente havia?
A ironia é que depois de muito pensar, descobri que o momento em que estivemos mais unidos, foi no momento da separação, um pouco depois do natal, quando deixamos nosso filho e voltamos sozinhos para o outro lado. Escondíamos nosso choro silencioso um do outro e dele. Foi uma cumplicidade extrema e ela, a solidão, e eu, jamais fomos os mesmos a partir daí. Por mais que nos aproximássemos ela se afastava e eu também ...” Ou ainda: “ sempre nos restará os momentos que passamos juntos, esses ninguém nos poderá roubar”.

Há saudades suaves, mornas, tênues, que acariciam nosso coração. São lembranças de um tempo que não retorna, são momentos que pareciam tão insignificantes, gestos banais, lugares comuns, guardados amiúde, perfumes fugazes, e agora retornam para nos consolar. Saudade de pessoas que nos fizeram bem, que foram como anjos de almíscar que deixaram suas impressões benéficas nas nossas vidas e seguiram em frente.

A saudade preenche os espaços vazios dos corpos celestiais e dos nossos, é a sabedoria do sentir, o consolo do desespero, enfim, a saudade é tão humana, tão humana, que move nossos corações e destinos para o Criador.

Assuero Gomes é Médico e escritor.