quarta-feira, 5 de agosto de 2015

E ELAS CRESCEM ...


 A vida é assim, as coisas vão acontecendo e, no que lhe parece a passagem de um segundo, passaram-se anos.

Um dia desses eu estava levando Rossana pela primeira à escola, depois de ter protelado esse momento por três anos e oito meses. 
Isso mesmo. E lá estava ela, agarrada a mim, chorando, sem querer ficar na escola, que, por sinal, ficava a um quarteirão de distância. 

Foram dias de sofrimento, pra ela, que não queria ficar de jeito nenhum e, pra mim, que não queria deixá-la.

Fui pra escola com seis anos, por que ela precisava ir tão pequenininha? Tempos modernos, eu suponho. Depois de muito sofrimento, choro e desolação, aos poucos, ela foi se acostumando e, por fim, ficando sem desespero. Pelo menos da parte dela. Da minha, era um sofrimento sem fim.

Com Andrea já foi diferente. Apesar de extremamente grudada em mim, ao ponto de eu a chamar de “chicletinho”, foi ela quem pediu para ir para a escola. Toda vez que íamos deixar Rossana, ela queria ficar. E, foi assim que, com dois anos e cinco meses, ela entrou na mesma escolinha de Rossana, a maravilhosa Jardim Escola, e ficou sem problemas. Eu é que voltava pra casa arrasada, sozinha, sem as minhas duas filhas.

Com Carol, a caçula, foi um meio termo. Na Escola Parque, à época, havia deixado de ter o pré-escolar. E ela foi estudar na Casa Quintal, das filhas de Doza, uma das donas da Parque e pessoa muito querida. Aliás, como todos na Parque são muito queridos.

Embora, nos primeiros dias, Carol tenha ficado um pouco retraída e chorosa, contei com o total apoio das meninas do jardim 3, que a adotaram e entretinham ela de todas as formas para que ela ficasse bem. Essa força ajudou bastante. Isso e o fato da escola ser maravilhosa também e as diretoras e professoras serem muito especiais.

O tempo passou, elas cresceram, as duas mais velhas foram morar longe e, há um ano e meio, chegou mais uma senhorita para a família, a minha neta Victoria.

E, hoje, foi a vez dela começar a ir para a creche, dando início a um novo ciclo na vida de Andrea e Thomas e, por tabela, também na minha.

Talvez muitos achem bobagem essa história de sofrimento porque os filhos vão para a creche ou escola. Eu não acho. Vivi isso três vezes e estou vivendo mais uma vez. É aquele sentimento de preocupação ao imaginar gente cuida com tanto amor, com tanto carinho e agora elas irão ser cuidadas por pessoas estranhas, longe de nossos olhos.
Se morássemos na mesma cidade eu cuidaria dela até ficar maior, para a mãe voltar a trabalhar. Mas, infelizmente, mais de 8000 quilômetros nos separam e não tem outro jeito, a não ser ir mesmo para a creche.

Sei que será uma boa experiência, que ela vai aprender coisas que em casa seria mais difícil como brincar com outras crianças, dividir os brinquedos e coisas assim.

Só espero que as pessoas que trabalham na creche gostem do que fazem e gostem de crianças. Que sejam pacientes, gentis e amáveis. Que saiba tratar esses pequenos seres como eles devem ser tratados: com respeito, dignidade e amor.

Tomara minha querida Victoria que a creche seja maravilhosa e que deixe boas lembranças em sua cabecinha, ainda tão pequenina e cheia de interrogações.


Boa sorte minha pequena Victoria. Que a creche consiga ser um segundo lar para você. Não vejo a hora de você começar a contar como foi o seu dia, cheia de entusiasmo e de alegria.

domingo, 26 de julho de 2015

DE REPENTE AVÓS


De repente os filhos crescem se tornam independentes e não precisam mais da gente para levar na escola ou na casa dos amigos. Escolhem suas próprias roupas, seus cursos, seus amores. E a gente passa de responsável por suas vidas a espectadores e, com alegria, consultores. Digo com alegria porque filhos independentes são o coroar da missão de pais. Mas não simplesmente independentes, mas também responsáveis, com princípios sólidos e sábias decisões. Mas, vamos combinar que, uma consultoria aqui e outra ali faz bem para o ego dos pais.

Daí eles vão construindo suas vidas e nós, os pais, vamos transferindo os cuidados para os mais novos. Até que eles  crescem e começam também a cuidar de suas próprias vidas. E a gente fica assim, como diz o ditado, com as mãos abanando, sentido falta daquela movimentação própria de casa que tem criança, de pessoinhas dependendo da gente para comer, ir ao banheiro, trocar de roupa ... 

E, de repente, a gente ganha um presente e a casa volta a se encher de brinquedos, gritinhos, choros, risinhos e muita, muita alegria e a gente se vê, novamente, sentindo a ternura e a alegria de segurar os braços um bebê. É a hora dos netos chegarem e povoarem de carinho, abraços e alegrias, a nossa vida.

São diversas as fases pelas quais passamos na vida e, agora, vivo, com a imensa felicidade, a fase de ser avó.  E como é bom repartir com os amigos essa alegria, conversar sobre os netos, contar as gracinhas, mostrar as fotos. Ou trocar mensagens pelo dia dos Avós pelo whatsApp. Hoje recebi várias mensagens lindas de minhas amigas. Sim, somos avós modernas e os comunicamos pelas mídias sociais.

Uma das mensagens que recebi, foi um belo texto de Rachel de Queiros que termina assim: "E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono abre o olho e diz: "Vó!" seu coração estala de felicidade, como pão no forno!"

Como falei, sou uma avó moderna e, foi pelo Skype que ouvi, pela primeira vez, a minha neta me chamar de VOVÓ. Foi uma emoção tão grande e emocionante que não saberia descrever. E, cada vez que ela fala VOVÓ é sempre muito gostoso de ouvir. 

                                 Não posso ver a minha neta todos os dias pessoalmente. Infelizmente ela mora muito longe. Mas nos falamos no Skype e, através dele, das fotos e dos vídeos, vou acompanhando seu crescimento, nos intervalos entre um encontro ao vivo e outro.

Agradeço a minha filha e ao meu genro esse presente especial e maravilhoso que é a minha neta em minha vida. Dizem que neto é filho com açúcar e coisas assim. Neto é tudo e muito mais.

Feliz Dia dos Avós para todos os meus amigos e todas as minhas amigas que desfrutam dessa fase maravilhosa da vida e que curtem cada momento, cada novidade de seus e netas. Gostaria de enumerá-los todos, mas corro o risco de ser injusta e esquecer de alguém.

Então, para cada um de nós, avós corujas, babões e deslumbrados, um Feliz Dia.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

FELIZ DIA DO AMIGO

Homenagem a todos os meus amigos que guardo do lado esquerdo do peito, debaixo de sete chaves:

AMIGO É CASA

Capiba e Hermínio Bello de Carvalho
 
Amigo é feito casa que se faz aos poucos
e com paciência pra durar pra sempre
Mas é preciso ter muito tijolo e terra
preparar reboco, construir tramelas
Usar a sapiência de um João-de-barro
que constrói com arte a sua residência
há que o alicerce seja muito resistente
que às chuvas e aos ventos possa então a proteger
E há que fincar muito jequitibá
e vigas de jatobá
e adubar o jardim e plantar muita flor toiceiras de resedás
não falte um caramanchão pros tempos idos lembrar
que os cabelos brancos vão surgindo
Que nem mato na roceira
que mal dá pra capinar
e há que ver os pés de manacá
cheínhos de sabiás
sabendo que os rouxinóis vão trazer arrebóis
choro de imaginar!
pra festa da cumieira não faltem os violões!
muito milho ardendo na fogueira
e quentão farto em gengibre
aquecendo os corações
A casa é amizade construída aos poucos
e que a gente quer com beira e tribeira
Com gelosia feita de matéria rara
e altas platibandas, com portão bem largo
que é pra se entrar sorrindo
nas horas incertas
sem fazer alarde, sem causar transtorno
Amigo que é amigo quando quer estar presente
faz-se quase transparente sem deixar-se perceber
Amigo é pra ficar, se chegar, se achegar,
se abraçar, se beijar, se louvar, bendizer
Amigo a gente acolhe, recolhe e agasalha
e oferece lugar pra dormir e comer
Amigo que é amigo não puxa tapete
oferece pra gente o melhor que tem e o que nem tem
quando não tem, finge que tem,

faz o que pode e o seu coração reparte que nem pão.


quarta-feira, 1 de julho de 2015

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE – EPISÓDIO 16

Já faz um bom tempo que não volto a contar as desventuras das meninas nas terras geladas.  E, aqui estou eu outra vez. Só que dessa desventura, participaram as duas meninas, eu, o pai e o mais novo membro da família, a pequenina das terras geladas. Só não estava nas terras geladas a  minha caçulinha que ficou nas terras quentes brasileiras.

Pois muito bem.  Ao nos prepararmos para a viagem, perguntamos sobre que roupas levar e tal, nos disseram que iríamos pegar um clima muito bom, porque estava no final da primavera e o verão já estava chegando. Então me preparei para um clima gostoso, e muitos passeios ao sol.

No dia que chegamos, fomos recebidos por 17 graus maravilhosos, um sol bonito e uma primavera anunciada por belas flores e árvores repletas de verde.

E foi a última vez que sentimos esses 17 graus ao vivo. O sol, em todo o seu esplendor,  aparecia, tenho que admitir. Normalmente por volta das seis da noite, depois de ter caído muita chuva durante todo o dia. Daí ele clareava tudo e ficava assim, até perto da meia-noite. 
20:35. E o sol firme


Depois ele se recolhia. Mas não totalmente, deixando um rastro de luz que esmaecia um pouco, lá pela uma hora da manhã até umas duas, duas e meia, quando já voltava a ficar claro, como se fosse seis da manhã por aqui.

Mas, mesmo com toda chuva e os 5º graus que fazia praticamente todos os dias e do vento que entrava pelas roupas e congelava até os pensamentos, nós saíamos para turistas. Afinal, a menina da América do Norte e o pai das meninas não conheciam a cidade.

E  assim, em uma manhã chuvosa fomos todos a um restaurante que fica em uma torre, de onde podemos ver toda a cidade e os fiordes. 




Sentamos no andar que gira, uma facilidade para vermos tudo sem nos levantarmos.  Todos colocamos os casacos em uma das cadeiras e curtimos o nosso almoço e a bela vista. 

Na hora de ir embora, já quase na hora do ônibus passar, começamos a vestir nossos casacos, luvas, toucas, nos apressando para não perder o ônibus, a menina da América não consegue achar o casaco. Todos saímos andando pelo restaurante, procurando o tal casaco e nada. Falamos com um dos garçons, ele se prontifica a ajudar, mas se entretém com umas pessoas que pediram para ele tirar fotos delas e ficamos esperando uma resposta. Quando ele finalmente volta e diz que não encontrou nada, pedimos, gentilmente, para ele perguntar no balcão se alguém não teria achado o casaco e entregue lá. E, para nossa surpresa, lá volta ele com o casaco nas mãos. A menina do país gentil havia colocado o casaco na parte que fica fixa. Então, enquanto nós girávamos, o casaco ia se afastando, se afastando, se afastando... até que alguém achou e entrego no balcão.


Foi um sufoco, ainda mais porque corremos para a parada do ônibus e, ao chegar lá, não tínhamos certeza se era realmente aquela. 


Mas, no final, deu tudo certo e todos voltamos para casa devidamente agasalhados, apesar da chuva. Foi uma tarde agoniada, mas muito gostosa.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

MINHA PRINCESA FAZ UM ANO

Minha querida princesinha Victoria

Hoje você completa seu primeiro aninho. Há um ano, quando seu papai nos avisou que você estava chegando, ficamos aqui, na torcida, para que tudo corresse bem, para você e sua mamãe.

Apesar de não podermos estar sempre perto fisicamente, nossos corações estão permanentemente juntos, curtindo cada momento, cada novidade, cada descoberta, ainda que via internet, por fotos ou vídeos. E viva a tecnologia.

Minha querida princesa desejo a você todas as alegrias do mundo. Que você descubra o valor de sonhar sempre e de ir em busca dos seus sonhos.

Que vida lhe seja generosa, lhe trazendo muito amor e muito carinho, sempre.

Que ao crescer você carregue sempre a criança que você é agora, para que, dessa forma, a vida lhe seja mais leve, mais alegre e mais fácil de viver.

Não deixe que mudem a cor do cavalinho azul, que apaguem o fogo dos dragões, que cortem as asas das fadas. Carregue-os sempre em seu coração e, assim, seu coração será sempre grande o suficiente para abrigar a inocência, o sonho e a realidade, sem que ela lhe pese.

Brinque bastante e não esqueça jamais como é bom se divertir.

Sorria sempre, por qualquer motivo, para qualquer pessoa. O sorriso é sempre um instrumento poderoso para desmanchar caras feias, alegrar corações partidos e renovar a nossa alma.

E ame sempre e muito, a família, os amigos, os amores futuros. E nunca esqueça que o tamanho de Victoria será sempre o tamanho de nosso amor por você.

Com todo o meu amor


Vovó

sábado, 6 de setembro de 2014

A ALEGRIA DE SER

O ano era 1980. A data, 21 de junho. O acontecimento? A chegada de um bebê. Não de um bebê qualquer. Mas do meu primeiro bebê.

Querendo parto normal, esperava ansiosamente para entrar em trabalho de parto e nada. Talvez por não querer deixar o aconchego em que se encontrava, meu bebê só resolveu chegar nos dias finais do prazo previsto. Talvez não quisesse perder o São João, então resolveu chegar. Naquela época ultrassonografia ainda não era item obrigatório no pré-natal, então resolvi não fazer e esperar pela surpresa, se seria menino ou menina.

Tudo estava organizado. Quartinho arrumado. Mala pronta. Só aguardando a hora.
Depois de quase um dia na maternidade,  ela chegou nas primeiras horas da manhã de um sábado, cabeludo, rechonchuda e muito vermelha. A emoção de segurar um filho nos braços, pela primeira vez, não tem discrição, não tem palavras, não tem comparação. Cada filho que seguramos pela primeira vez é uma experiência ímpar, inigualável, comparada apenas à emoção de segurar a neta, pela primeira vez.

A hora de conhecer aquela pessoinha que chutava nossa barriga e se virava o tempo todo procurando um lugar mais confortável finalmente chega. E é um momento é mágico.

Quatro anos depois a experiência se repete. Há exatos trinta anos, em uma quinta-feira, começo de feriadão, entrando no oitavo mês de gravidez, logo de manhã cedo percebi que algo estava diferente.

Era uma quinta-feira, véspera de feriado, dia de sol, como eram os dias de setembro antigamente. Feriadão à vista, meus planos eram pegar Rossana na escola e descansar no feriado. Entrando no oitavo mês de gravidez, no início da semana iria começar os preparativos para a chegada da mais nova integrante da família, prevista para a partir do dia 29 de setembro.

Minha médica havia tirado férias no começo do mês para estar aqui quando a hora do parto chegasse. Tudo corria dentro do esperado. Até que alguém, com pressa de conhecer logo a sua família, resolveu se antecipar e chegar de surpresa, um mês antes do previsto.
E bota surpresa nisso. As roupinhas ainda não estavam organizadas, nem o quarto, nem nada, para falar a verdade. Foi uma correria só.

Mas deu tudo certo conseguimos arrumar tudo, eu e a família e à noite, estávamos prontos para a sua chegada.

E assim você chegou Dea, de repente, de surpresa e veio para iluminar ainda mais a nossa vida. Miudinha, pouquinho cabelo  e muito linda, você chegou pra tornar a nossa família ainda mais feliz.


Hoje, trinta anos depois, relembro aqueles momentos, a correria para arrumar tudo, a insegurança por minha médica estar fora, a ida para o hospital, e depois apenas a alegria de segurar você em meus braços. A alegria de ver minhas duas filhinhas juntas. A imensa alegria de ser novamente mãe. Alegria que voltei a ter, oito anos depois com a chegada de Carol, oito anos depois.

Ninguém esperava mais por gente nova na família. E aí, ela resolveu que queria fazer parte dessa família e sinalizou que estava vindo. Quando a gente está mais madura, fica um pouco apreensiva em estar grávida, em ter mais um filho. Confesso que no começo essas coisas me ocorreram. Uma conversa com duas amigas que tiveram filhos nessas circunstâncias e o bem que fez a elas, me acalmou e fez com que a preocupação desse lugar a alegria de ser mãe outra vez. Hoje não consigo imaginar nossa vida sem ela.

Como a turma por aqui gosta de nascer perto de feriado, com Carol não poderia ser diferente. Ela chegou no dia 14 de julho, cheia de saúde, pouco cabelo e muita fofura, apesar de miudinha também.

Não imagino minha vida sem minhas três filhas. Não poderia ser diferente, de jeito nenhum. Gosto da casa cheia, animada, com música tocando, videogame e brincadeiras rolando e muita conversa.

Há sete meses, foi Andrea quem passou a experimentar essa alegria. E que mãe linda e dedicada que ela é.

Hoje, no dia do seu aniversário, sou eu quem recebe os parabéns s pelas três filhas que tenho. E agora, parabéns pela netinha que Dea me deu.

Minhas filhas desejo a vocês que a vida sempre lhes sorria. Que vocês consigam realizar cada sonho que sonhar. E que eu sempre faça parte de suas vida.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O NINHO VAZIO

por ASSUERO GOMES




É sempre bom lembrar que um ninho vazio está sempre cheio de ar como parecia no vinho da canção. Um ninho vazio nunca está vazio, está cheio de amor.

Feito de palhas de berços esquecidos, brinquedos amarelados, rasgos de fotos e de lembranças, mesmo vazio o ninho está cheio de saudade. Meio dor, meio alegria, sempre aberto o ninho se sustenta na árvore e sobrevoa no vento do tempo, olhando com a boca aberta para o infinito azul do céu. Meio esperança, meio desespero.

O ninho vazio é feito de bonecas, quebra-cabeças inconclusos, livros de tarefas inacabadas, e dessas fotos impressas no coração, de momentos e de eternidades.

O ninho contém em si a volta e a partida. Foi construído com pedaços de si, aos poucos, aos poucos, entre metade de sorrisos e febres noturnas, tosses e noites mal dormidas e manhãs bem-vindas. Em si, em si mesmo o ninho tornou-se eterno. Enquanto durar o casal, enquanto durar a árvore e o céu, e a lembrança viajante dos que ousaram voar com as asas próprias dos humanos. Nem mais anjos, nem mais animais, apenas humanos.

É sempre bom lembrar que no ninho vazio dormiremos nosso sono, e nossos sonhos. Nele veremos a derradeira visão, a derradeira manhã e a última noite; mas é sempre bom lembrar que antes disso, a cada ciclo de voo os ninhos se enchem de novo, mesmo fugazes, serão novamente alegres, novamente cheios, novamente felizes.

Mesmo vazios os ninhos nunca se desfazem. Contorcem-se, gemem silenciosos, choram orvalhos de madrugadas, cintilam brilhos de estrelas, oram. Jamais se desfazem. São a habitação do infinito, a morada do essencial, são a própria morada do humano. Ali a humanidade renasceu, se refez, se libertou e ganhou vida pela Terra.

É sempre bom lembrar que um ninho vazio está sempre cheio de amor, como no princípio.
        
Assuero Gomes

Médico e escritor. 
Postado no blog O ANEL DE TUCUM:
http://assuerogomes.blogspot.com.br/

domingo, 26 de janeiro de 2014

ELA CHEGOU!

Foram nove meses de espera, de ansiedade, de torcida para que tudo corresse bem na espera e na chegada. Uma mistura de alegria pela nova vida que estava pra chegar e de tristeza por não estar junto para partilhar esse momento.

No meio da espera, um presente maravilhoso dos queridos primos Gisele e Gustavo: a viagem para as terras distantes para vivenciar esse momento especial.

Viagem marcada, data apertada para o nascimento, torcida para demorar um pouco e ela resolveu chegar logo, porque, puxando a mãe, já não aguentava de curiosidade em conhecer os pais.

E ela chegou, linda, saudável, maravilhosa, para iluminar as nossas vidas e encher de alegria a nossa família.

E acompanhamos tudo pela internet. Bendita internet. Bendito Whatsapp. O pai mandando informações e depois a primeira foto. Foi muita emoção ver aquele rostinho rosado, dormindo e reconhecer nele os traços de nossa família. Naquele rostinho pequenino e sereno, a nossa família vai continuar, vai se renovar e ser mais feliz.

Abençoada seja nossa pequena. Que ela tenha sempre muita saúde. E que saiba sonhar muito e ir em busca dos seus sonhos. Que saiba amar muito e que seja muito amada. Que seja generosa e que descubra o valor da gentileza.
Que seja feliz fazendo os outros felizes. Que seja o ar puro de nossas manhãs, a luz do nosso caminho e a alegria de quem estiver ao seu redor.
Que ao chegar seja sempre muito bem vinda e ao sair deixe saudade e um sabor de quero que fique mais.

Que o otimismo e a esperança sejam seus companheiros sempre e que vida sempre lhe sorria.

Que o seu nome, Victoria, seja a inspiração para nunca desistir de suas lutas, de seus sonhos, de seus objetivos.

E que você descubra o valor da família e dos amigos, contando sempre com a gente para cuidar de você.

E, tomando a ousadia de fazer minhas as palavras de Chico, canto pra você:
“Ai que bom que você veio e você chegou tão linda, eu não cantei em vão, bem vinda no meu coração”.

Estou já chegando.

sábado, 30 de novembro de 2013

VICTÓRIA, SEJA BEM VINDA

Foram meses de expectativa para saber se seria menino ou menina. E, quando tivemos a alegria de saber que era uma menina, mais algum tempinho aguardando a escolha do nome. Achei muito importante os pais escolherem com cuidado o nome de nossa princesinha. Afinal, carregamos o nome por toda vida e ele precisa ser, realmente, escolhido com calma e sabedoria.

E aí, chegou o dia de nossa princesinha receber seu nome, um nome bonito, forte e que por si só, já traduz todo o seu significado: VICTORIA.

E daí, em lugar de falarmos bebezinha, a bebê, bruguelinha, ela passou a ter a sua própria identidade.
Estamos na espera de sua chegada, ansiosos por conhecê-la, por ver sua carinha, seus olhinhos, mãozinhas, cabelos. Ficamos imaginando com ela será, qual será a cor dos olhos, se nascerá com muito ou pouco cabelo. Praticamente, todas as noites, sonho com bebês. Engraçado como as nossas expectativas ficam aflorando e nos surpreendendo.

Demorarei um pouco a conhecer Victoria. A distância não facilita nada, não é mesmo? Daí, ficamos por aqui fazendo planos para quando ela vier nos conhecer, torcendo par ao tempo passar bem depressa até lá e, quando ela chegar, se acalmar e passar bem devagar.
A distância será sempre cruel com a gente, nos separando por milhares de quilômetros. Mas, tenho a mais absoluta certeza de que, por maior que seja, nunca será suficiente para separar os nossos corações.


Victoria que você venha coberta de amor para encher de alegria o nosso coração. 

BEM VINDA NO MEU CORAÇÃO!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

É UMA MENINA E ELA ESTÁ QUASE CHEGANDO!

Saber que vamos ser avós é uma emoção muito grande, difícil de ser descrita. Acredito que só será superada quando vir, pela primeira vez, o rostinho daquela que vem para iluminar e alegrar a nossa família.


Entrando na 28ª semana de gestação, o bebê começa a crescer mais rapidamente e, ao pensar, nisso fico imaginando como será o seu rostinho. De vez em quando me pego olhando para bebês que passam e suspiro, imaginando ter a netinha nos braços, sorrindo e fazendo biquinho.

Quando passou em lojas, a minha atenção sempre é voltada para roupas de bebê, sapatinhos, vestidinhos. Como pode a chegada de um bebê mexer tanto com a gente?

E, mesmo de longe, acompanho cada passo da gestação de minha filha, cada novidade, cada chute, cada nova sensação e inconvenientes, como azia, por exemplo. Diz a lenda que azia é sinal de bebê cabeludo. Bem, comigo deu certo. Eu tive muita azia em minha primeira gestação e a minha filha nasceu muito cabeluda. Então, não posso contradizer a lenda.

Ao chegar ao último trimestre de gravidez, as coisas ficam mais animadas, com o bebê chutando com mais frequência, mas também ficam mais complicadas, com o peso da barriga aumentando, a vontade de ir ao banheiro sempre e a ansiedade em relação à hora do nascimento e ao fato de sermos ou não capazes de cuidar de um bebê. Como eu curtia os chutes! Ficava aguardando ansiosamente estes momentos, para sentir meu bebê fazer as suas “estripulias”. Sentia como se nos comunicássemos mais naqueles momentos. Os chutes eram para mim uma espécie de linguagem de sinais. E, acreditem, depois do parto, eu sentia falta daquela movimentação toda na minha barriga.

Eu lembro que quando estava no final da primeira gravidez batia, de vez em quando, um medo do momento do nascimento. Seria tão doloroso quando dizem? Seria normal, seria cesárea? O desconhecido é mesmo assustador. Mas daí eu pensava: tem outro jeito? Não. O Bebê vai nascer mesmo, não tem volta. Então deixava os temores de lado e seguia e frente, afastando o medo e sonhando com o momento de ter o bebê em meus braços.

Outras vezes, ainda na primeira gravidez,  pensava em não conseguir dar banho em um serzinho tão frágil, em não saber amamentar ou reconhecer quando estivesse sentindo alguma dor. Mas, todas as dúvidas, todos os temores se foram, no primeiro momento que segurei minha filha em meus braços. Vermelhinha, fartos cabelos escuros e olhinhos muito vivos, me passou toda a segurança que eu precisava. É claro que os primeiros banhos foi a minha mãe quem deu. Só por garantia. Mas cuidar de um bebê faz parte da natureza de qualquer mãe, seja biológica, seja de coração. É genético, não tem como ser diferente.

Cada filho é diferente e a maneira de educar pode precisar até ser diferente também. Mas, os cuidados, o carinho, estão impregnados em cada mulher que decide ser mãe, mesmo que muitas não se deem conta disso, às vezes.

Por isso, tenho certeza que a minha filha será uma excelente mãe. Não me preocupo nem um pouco se ela vai ou não dar conta porque tenho certeza que vai.  É claro que os conselhos da mãe e da avó serão necessários. Afinal, somos mais experientes e, mais do que isso, sentimos a necessidade de ajudar. Mesmo que não seja preciso.

Aproveite cada minuto de sua gravidez minha filha, cada chute, cada movimento, cada novidade. Curta preparar o enxoval, arrumar as roupinhas, o carrinho, o berço. E esperem, com tranquilidade, a chegada dessa menininha já tão amada, tão aguardada. Vocês dois serão pais maravilhosos, tenho a mais absoluta certeza.

E eu serei uma avó coruja e totalmente dominada pela neta, que vai fazer todos os gostos e dar muito carinho. Mas isso você já em mesmo certeza.