sábado, 23 de abril de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 11

PLAYCENTER (OU MIRABILANDIA) NO AR

No final do ano passado a nossa garota, das terra geladas européias, veio ao Brasil para passar as férias com a família. O namorado dela, um simpático norueguês, veio junto.

Foram férias maravilhosas, pelo menos para mim. Apesar da garota das terras geladas americanas não poder ter vindo, reunimos quase toda a família.

Quando o terrível dia (para mim) da volta chegou, levamos os dois ao aeroporto e voltamos para casa para aguardar notícias.

A garota enviava torpedos, nos situando por onde estava. Só que, o aviso de que já deveria estar em casa, demorou muito a chegar. Só mais tarde soubemos o motivo.

Quando estavamno vôo de Amsterdan para a cidade onde mora, a nossa garoto e o namorado viveram uma aventura inesquecível.

Na cidade onde mora venta muito. Aterrissar por lá é sempre algo muito desagradável

Mas, desta vez, foi especialmente desagradável e apavorante.

Bem, começam os procedimentos de apertem os cintos, coloquem a cadeira na posição vertical, desliguem os laptops e os celulares, enfim, toda aquela preparação para um tranqüilo encontro com a terra.

Daí, depois de acesas as luzinhas de aviso, todo mundo organizado, o comandante começa a aproximação e, em breve, chão firme.

Que nada! A primeira tentativa de aterrissagem se frustra. Então, vamos à segunda tentativa. Aproximação, vamos conseguir e .... nada, de novo...

Foi aí que as pessoas se deram conta de que algo não ia bem. O avião começou a balançar tanto, mas tanto, que o pânico se instaurou e se espalhou pelo avião.

As começaram a ficar inquietas, a pedir informações e nada. E o avião balançando. A nossa garota se sentiu em pleno Playcenter (Mirabilandia), em um brinquedo chamado Saltamontes, onde as pessoas sacolejavam tanto que pareciam estar em uma batedeira de bolo.

E as pessoas ficando mais nervosas, falavam alto e vomitavam. A nossa garota e o namorado, preocupados com o que estava acontecendo, tentavam se manter calmos. Mas vamos combinar que não dá para se manter calmo por muito tempo quando ao seu redor as pessoas gritam e devolvem o conteúdo estomacal, enquanto o piloto tenta aterrissar por duas vezes e não consegue.

Mas, enfim, depois de muito chacoalhar, na terceira tentativa o piloto conseguiu fazer o que o pai das garotas chama de “queda controlada”, que é exatamente uma situação como esta em que o piloto consegue levar ao avião até o chão firme, mas não é bem o que se pode chamar de aterrissagem normal.

Enfim, passado o enorme susto, a calma voltou à aeronave e, apesar das cabeças zonzas e do barulhinho esquisito que alguns devem ter ficado por algum tempo no ouvido, finalmente, terra firme e uma grande dúvida se, da próxima vez, não seria melhor descer em alguma outra cidade e voltar pra casa de ônibus.

Bem, isso é um assunto realmente a se pensar.

domingo, 10 de abril de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE – CAPÍTULO 10

EPISÓDIO DE HOJE:

BARRADOS NO BAILE

Para quem foi jovem ou adolescente na década de setenta, começo da de oitenta, conhece uma família bem extravagante formada por Pepeu Gomes, Baby Consuelo e filhos. O casal de baianos, ambos cantores, se vestiam de maneira bem alegre, coloriam os cabelos e faziam o maior barulho onde chegavam. Certa feita, resolveram levar à família para conhecer os parques da Disney e pasmem: foram barrados. A entrada da alegre família foi vetada porque, coloridos como estavam, chamariam mais atenção nos parques do que as próprias atrações. Frustrados, voltaram para o Brasil e contaram o “veto” em forma de música. E olha que isso foi pelo menos uns trinta anos antes da paranóia anti-terrorista que assola os EUA.

Foi dessa bizarra desventura da família de artistas brasileiros que me lembrei quando a nossa garota das terras geladas das Américas viveu a sua desventura em terras do “tio” Sam.

Tudo começou mais ou menos dez dias antes da comemoração de lá do “Dia de Ação de graças”, quando um amigo falou que sua irmã e seu cunhado chegariam de Boston para passar o feriado de “Thanksging” com ele. Daí surgiu a ideia de irem a Niagara Falls no Sábado e, no Domingo, preparariam jantar de Ação de Graças, devidamente organizado pelo namorido da nossa garota.
Começou então a animada organização da viagem. Seriam 10 brasileiros
em dois carros, dirigidos pelos que tinham carteira internacional.

Depois de muita pesquisa conseguiram uma locadora que ainda tinha carros disponíveis e, através do site, concretizaram o aluguel.
A semana que precedeu a viagem foi super tranquila, com todos se organizando para o grande dia.

Finalmente o sábado chegou. A turma acordou cedo, se arrumou e foi para o aeroporto pegar os carros.
Então, dividos nos dois carros, partiram para Niágara, onde a garota já estava com todo o seu equipamento fotográfico pronto para fazer belas imagens.

Partiram seguindo um GPS que se mostrou mais desorientado do que a turma de estrangeiros, vejam vocês. Depois de umas ruas erradas e de voltarem para o Aeroporto, porque o GPS mandou-os fazer isso, finalmente conseguiram pegar a Highway e lá se foram rumo às cataratas.

Depois de alguns tempo chegaram em Niagara on the Lake, que é uma cidadezinha LINDA perto das cataratas. Parece uma cidade cenográfica.

O dia tava lindo, fazendo uns 10 graus. Uma delícia.
Pois muito bem, vista a bela cidadezinha, fotos tiradas, retomam o rumo para as cataratas

Ao chegarem em Niagara Falls, um dos carros passou desembestado e o carro em que ia nossa garota, ficou parado no sinal vermelho, tempo suficiente para perder o outro carro de vista.

E, em lugar dos ocupantes do carro se preocupar em ler as placas, ficaram apenas preocupados em localizar o outro carro, que, a estas alturas, já ia longe. Até que seguiram um carro que, na verdade, não era o dos amigos e sim apenas parecido.

Quando passaram do sinal, não estavam mais vendo o outro carro. E, foi aí que a vaca começou a ir para o brejo: em vez de seguirem pela DIREITA indo para o estacionamento do Cassino, entraram à ESQUERDA.

De repente, não mais que de repente entram em uma ponte... quando a nossa garota olha para a janela direita... o que ela VÊ??? As CATARATAS! Na hora ela gelou!!
Daí falou:” Gente, se as cataratas estão à nossa direita e a gente tá indo pro lado esquerdo, estamos indo para os ESTADOS UNIDOS!!!!" MEEDDOOOOO!!!!
Dito e feito minha gente! Entraram na ponte para atravessar a fronteira americana! NINGUÉM tinha visto para onde estavam indo e não tinha como dar ré ou como fazer um retorno. Nessa hora, a garota levanta a cabeça, estufa o peito, respira fundo e diz: "AGORA F&%$!"
Um casal que nem os passaportes tinha levado, pensou r
ápido e teve a brilhante ideia de descer do carro e voltar a pé pro Canadá antes que atravessassem realmente os EUA. Então ficou no carro a garota e um casal de amigos recém chegados do Brasil.

Quando chegaram ao guichê, a amiga da garota foi explicar ao guarda o que tinha acontecido. Ele mandou desligar o carro, descer e entregar a chave. E falou pra nossa garota, que estava no celular: Madame, afaste-se do seu telefone. Com aquela peculiar “gentileza” dos funcionários da imigração americana.

Pelo visto, todo estrangeiro que esteja na fronteira deles é considerado bandido, ou, atualizando, terrorista, até que prove o contrário. Os três subiram no prédio da imigração, esperaram um horror de tempo até serem chamados. Foram interrogados, fichados, tiraram impressões digitais, fotos, o diabo a quatro.

QUATRO HORAS E MEIA DEPOIS é que foram liberados. Ou seja, a tão planejada viagem, já era.

A garota indignada só pensava no quanto os norte-americanos são realmente insuportáveis. E o pior é que eles foram barrados sem sequer ter a menor intenção de adentrar os EUA. E Sabem o que a funcionária que atendeu aos três disse: que esse engano acontece de 4 a 5 vezes POR DIA. E eles não fazem um retorno nem simplificam a burocracia para facilitar a vida de quem pegou o danado do caminho por engano? É revoltante isso. Mas, gente, são norte-americanos não é?

Fora o guarda que os atendeu na chegada que foi super grosseiro, eles até que foram bem tratados, riram, fizeram brincadeiras... mas foi uma encheção de saco só! E uma viagem quase perdida.

E a danada da funcionária que nos interrogou, apesar de ser simpática, ficou fazendo terrorismo, dizendo que teriam problemas para voltar pro Canadá. Americano é uma raça complicada mesmo.
Enfim, depois de todo este bafafá, finalmente foram li
berados. Na volta, ao entrar em território canadense, a funcionária do guichê pediu para estacionarem o carro e entrar no prédio.

Apesar de muito educada, os três pensaram: Vamos passar mais outras quatro ou cinco horas aqui, pra poder voltar para o Canadá. Mas, para sua surpresa e alegria foram liberados em 20 minutos e voltaram ao lugar de onde nunca deveriam ter saído, livres da arrogância e da prepotência dos norte-americanos.
Enfim, quando finalmente conseguiram chegar a Niágara já estava escuro. Mas até que deu pra tirar umas fotos e dar um passeio rápido.

É isso aí gente: se for dirigir, leve um bom e velho mapa. E se for passar perto de alguma fronteira norte-americana, leiam as placas, antes que seja tarde.

domingo, 3 de abril de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE – CAPÍTULO 09

Episódio de hoje: GHOST WHISPERER

Voltando agora para as outras terras geladas, as nórdicas, pertinho da terra do Papai Noel, vamos reencontrar a nossa primeira garota.

Depois de todas as desventuras com o apartamento anterior, ela, finalmente, encontrou um apartamento legal, localizado onde ela queria, perto do trabalho, perto do centro, perto do namorado, perto de tudo afinal.

Mobiliado, organizado, uma gracinha, o apartamento parecia atender a todas as expectativas da nossa garota.

Bem, quase todas. Porque, digamos assim, ela não estava ansiosa por vivenciar mais experiências esquisitas.

Mas vamos lá. Tudo começou em um dia em que ela foi colocar o lixo do lado de fora. Não havia mais ninguém no apartamento. Apenas ela. Quando entrou, do nada, um pirex que estava quietinho em cima de uma prateleira, resolveu voar e pimba, cair na cabeça da nossa menina.

Além da dor, o espanto ainda maior. Como foi que o pirex caiu de cima da prateleira?

Encucada com o acontecido, a menina olhou por todo canto da cozinha, mas não viu nada, nem ninguém que pudesse explicar como o pirex voou sozinho e acertou a sua cabeça.

Deixando de lado o episódio, a garota foi levando sua vida normalmente, sem pensar mais no episódio.

Passados vários dias, ela estava sentada, usando o computador, enquanto assistia a um DVD. Não estranhem, as pessoas desta família são assim mesmo, não conseguem assistir a TV sem estar fazendo uma outra coisa, tipo usando PC, fazendo as unhas, lendo alguma coisa, enfim, confesso que somos um tanto estranhas mesmo.

Mas enfim, estava a nossa garota na dela, tranqüila, quando, assim, do nada, a TV mudou de canal sozinha. Novamente ela estava sozinha em casa. Eu tenho uma teoria que talvez a TV tenha aquele tipo de problema de que precisa ser o centro das atenções e não suportando o fato da garota estar também o usando o PC, resolveu mudar de canal pra chamar a atenção. Poder ser não pode?

Bem, mais uma vez, atônita, a nossa garota não achou explicação para o acontecido. Também não acho que ela vá concordar com a minha explicação. Mas, enfim, foi mais um episódio sem explicação que foi deixado pra lá.

Algum tempo depois, estava a garota e o namorado cozinhando quando, de repente, do nada, a luz do apartamento apagou. SÓ A DO APARTAMENTO DELA. Nem no hall falou luz.

Sei não viu. Alguma coisa me diz que este apartamento é esquisito.

Mas, enfim, a luz voltou e o episódio foi se juntar aos outros, no arquivo dos casos insolúveis.

Vamos combinar que a garota está criando uma espécie de arquivo “X” próprio.

Daí, esta semana, o namorado estava viajando e ela, sozinha no apartamento. De repente, começou a ouvir um barulho que vinha debaixo da geladeira. Ela, corajosamente foi investigar. Passou vassoura em baixo da geladeira, olhou com uma lanterna e não encontrou nada.

E lá se foi mais um caso para o arquivo “X”.

Bem, acho que a explicação da TV mudando de canal sozinha não foi lá muito boa. Então, estou sendo levada a acreditar que é um caso de Poltergeist. Sabe, daquele tipo de evento sobrenatural que movimenta objetos?

Pois é. Não sei não. Eu se fosse a garota procurava mesmo fazer amizade com quem o que está perturbando a ordem no apartamento. Descobria o que contraria o Poltergeist e entrava em um acordo.

Afinal, ela não vai querer levar pirexa na cabeça ou ficar No escuro a cada vez que o cabra se contrariar, vai?

sábado, 19 de março de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - EPISÓDIO 08

O PRIMEIRO TERREMOTO A GENTE NUNCA ESQUECE


Pois é pessoal Ele lance de terremoto é muito estranho pra gente que vive, graças a Deus, em cima de uma única placa tectônica. Isso é que podemos chamar de privilégio, não é mesmo?

Mas, vamos voltar às terras geladas do continente americano e acompanhar o primeiro terremoto vivido por nossa outra garota.

Estava em pleno andamento de preparação da reunião do G20, com todos os babados que isso acarreta, protestos aqui e ali, esquemas de segurança, imprensa do mundo todo, enfim, a cidade prestes a ser invadida por centenas de pessoas, com os mais variados objetivos.

E foi aí, em meio ao desenrolar das prévias do G20, que a terra tremeu!

Seria o fim do mundo? Ou seria como diria uma amiga da garota: É a Kabala do G20!

A terra tremeu por aquelas paragens amiga dona de casa!. O Epicentro do babado foi na região de Buckingham, a 25 km a nordeste de Ottawa. O chão tremeu de Montreal a Toronto e nos EUA.

Nossa garota estava na sua hora de almoço quando começou a sentir um balanço... achou que estava com uma crise de labirintite, vejam vocês. Mas quando olhou pro copo que estava em cima da mesa, ele estava tremendo...

Pra quem assistiu ao Parque dos Dinossauros, dava até arrepio de lembrar daquela cena quando o T-Rex se aproxima e a menina olha o copo e vê a água reverberando?

Mesma coisa... prédios evacuados em Montreal e Ottawa e muita confusão. Mas não houve fatalidades, nem mesmo ninguém machucado. Só algumas rachaduras em prédios perto da capital... Em Toronto mesmo foi só o balancinho! Uma marolinha de anda como diria o nosso presidente Lula. Mas foi uma sensação bizarra!
Bem, pass
ado o susto e a experiência de viver o primeiro terremoto, ficam o susto e a expectativa de que da próxima vez aconteça um maior.

Enquanto isso o Fim de Semana do G20 se aproximava, causando o CAOS na cidade. 1 BILHÃO de dólares investidos em segurança - a população revoltada - o centro da cidade TODO isolado e cercado! Ninguém se aproximava! Protestos! Falavam que era a maior mobilização de segurança da história do Canadá!


A nossa garota, confessou que estava em dúvida se fuçava tranqüila por causa do esquema de segurança ou de cabelo em pé por haver necessidade de tamanho aparato!
Na verdade, ela bem que preferiu que em vez do G20, tivesse só mesmo o terremoto.

sábado, 12 de março de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - EPISÓDIO 07

ESQUIS TRAIÇOEIROS

E, voltando aos países nórdicos, encontramos á nossa outra garota vivendo o seu primeiro inverno.

Para quem morou durante toda a vida em um país tropical, onde a noite mais fria de inverno chega a 21º positivos, raramente, enfrentar o inverno nas proximidades do Pólo Norte não é bem uma experiência das muito agradáveis.

Primeiro a neve que cai loucamente. Dias após dia, noite após noite, frio, muito frio, ruas cobertas de neve e roupa, muita roupa e aquelas luvas engraçadas, com o lugar apenas para o polegar e outro para todos os dedos da mão juntos. Muito prático, por exemplo, na hora de pagar o ônibus.

Depois de muita muita neve, a chuva chega para enlamear tudo e depois, o mais dramático: a neve derretida e enlameada congela e, a partir daí, andar pelas ruas se torna uma das tarefas mais difíceis do inverno.

A nossa garota vai trabalhar levando tombos e levantando, sem entender como os nativos do país, sejam crianças ou pessoas idosas, andam lépidas e fagueiras por sobre aquele gelo, parecendo estar andando sobre uma plana e seca calçada.

Nem os sapatos com sola apropriada e nem as solas extras presenteadas pelo chefe foram suficientes para evitar as constrangedoras quedas.

Podem acreditar, às vezes a vontade era sair engatinhando, para ver se conseguia se locomover com mais equilíbrio.

Mas, se vocês acham que isso foi o pior do inverno, esperem para saber o que vem a seguir: esportes de inverno.

E, um esporte muito comum na cidade onde mora a nossa garota é esquiar. Bem, para uma garota tropical esquiar não é exatamente algo familiar.

Acontece que a empresa onde a garota trabalha faz, todos os anos, uma viagem de inverno, levando todos os funcionários para passar um final de semana em uma estação de esqui. Para esquiar, é claro.

Sem ter a menor de idéia sequer de como colocar esquis, a nossa garota foi presenteada, pela empresa, com aulas práticas, como preparação para a tal viagem.

As aulas foram um verdadeiro desastre. Parece que existem coisas que estão no DNA. Dançar frevo e sambar, por exemplo, é para pernambucano e carioca. E, esquiar, definitivamente, é para europeu.

Depois de algumas aulas, um dos chefes convidou alguns funcionários para ir esquiar depois do trabalho. E convidou a estreante para ver como estava progredindo.

A nossa garota foi, é claro, super agoniada, com receio de não conseguir fazer as coisas direitos.

Pois é, não deu lá muito certo é verdade. Mas o pior foi na hora da saída. A garota levou um tombo daqueles dignos de efeito especial no cinema, indo parar em cima dos carros, no estacionamento.

Constrangida, molhada e sem graça, ajudada pelo chefe, a garota levantou, tirou os esquis e decidiu: esquiar não era mesmo a sua praia. Afinal de contas a perda da dignidade tem limites!

Foi por isso que naquela viagem de inverno e nas dos anos seguintes, ela não quer nem saber de esquiar.

Se é pra cair, as quedas nas calçadas, andando no gelo, já dão para o gasto.

sábado, 5 de março de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 06

SUPRESAS PRIMAVERIS

E agora, vamos para o outro lado do Oceano Atlântico, encontrar uma outra garota, a irmã da nossa já tão conhecida garota das terras nórdicas.

Pois bem, a nossa outra garota também mora em terras geladas, só que pras bandas das Américas.

Morar lá foi a realização de um sonho, acalentado por 15 anos. Chegando em pleno inverno, curtiu a neve e todos os encantos que o frio lhe proporcionava, documentando cada momento com textos e fotos que iam sendo postadas e acompanhadas pela família e pelos amigos.

E, um belo dia, a tão sempre cantada em prosa e verso estação do amor, chegou, enchendo a cidade de flores e cores.

A garota, apaixonada pela cidade onde mora, continuava a curtir cada novidade, cada novo detalhes, daquela primavera que se espalhava.

Era tão legal ver as pessoas cuidando de seus jardins, revolver a terra, garantindo que as flores crescessem lindas e perfumadas.

Bem, dizem que o primeiro beijo, o primeiro amor, enfim várias primeiras coisas a gente nunca esquece.

Mas, com certeza, à lista de primeiras coisas inesquecíveis de nossa garota, será acrescentada que “a primeira primavera a gente nunca esquece”.

Com as flores e cores, a primavera trouxe também chuva, muita chuva.

E, foi em uma dessas manhãs chuvosas que nossa garota se deparou com sua primeira experiência bizarra em terras estrangeira.

Vinha ela caminhando pela calçada, lépida e fagueira, indo para o trabalho quando, de repente, a calçada lhe pareceu estar viva, se movendo, ou algo esquisito desse tipo.

Apurando a vista, olhando com mais atenção, a garota percebeu que realmente algo estava se movendo. Mas, para seu iminente estado de pânico, não era a calçada que se mexia e sim, o que estava se espalhando sobre ela, aumentando de tamanho a olhos vistos.

E o pânico realmente se instalou quando a garota percebeu que aquela massa escura que se espalhava pela calçada eram minhocas. Sim, exatamente isso: MINHOCAS, enormes, gosmentas, nojentas, apinhando-se umas sobre as outras, saindo aos milhares da terra dos jardins, ao longo do caminho por onde passava a garota.

Apavorada e com nojo, via as minhocas se arrastarem em todas as direções, inclusive na sua, chegando a passar por cima de suas botas.

Situação sinistra essa, de ser atacada por minhocas enormes. Na verdade, talvez não fossem nem tão enormes assim. Afinal, sendo irmã da garota nórdica, com certeza também tem uma leve tendência a exagerar no tamanho das coisas que assustam. Talvez, mas ressalto, talvez, nesse item elas tenham puxado à mãe. Mas só talvez. Nesse lance de exagerar um pouco o tamanho das coisas assustadoras...

Para onde se virava, a garota via minhocas e mais minhocas. Mas, corajosa, conseguiu passar por aquelas criaturas medonhas e chegar ao metrô sã e salva, antes de ser devorada (rrsss).

E onde estavam os passarinhos? Com aquela fartura de minhocas dando a maior sopa e nenhum passarinho, nenhuma galinha apareceu para se fartar e ajudar a garota. Vida real e desenhos realmente não se cruzam...

Só mais tarde soube que a chuva forte escavou a terra e libertou das profundezas para a superfície aqueles seres horripilantes.

No dia seguinte e até por vários dias, a garota passava meio desconfiada em frente a jardins. Precisava ter tanta minhoca assim? Que exagero!

Quem pode esquecer uma experiência destas? Acredito que, na próxima primavera, a garota vá pensar duas vezes em sair de casa, depois de uma chuvarada. E talvez nem curta mais ficar olhando as pessoas arrumarem os jardins. Afinal, elas vão estar colocando na terra mais minhocas para se alvoroçarem com a chuva. Alguém merece uma coisa destas?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 05

Continuando as nossas Desventuras em Série vamos hoje ao quinto capítulo:

O PERIGO MORA AO LADO

O tempo foi passando e a nossa garota levando sua vida com tranquilidade. Encontrou um apartamento muito legal, do jeitinho que ela queria e foi tocando sua vida, sem mais nenhuma novidade desagradável. Até que um dia, no escritório, se deparou com uma estranha planta. Plantada em um jarro, no parapeito da janela, a famigerada planta tinha longos ramos, que se moviam estranhamente, como tentáculos, ameaçando nossa garota que, para seu desagrado, senta-se em uma cadeira ao lado do vegetal destrambelhado, sendo ameaçada o dia inteiro por ela. E, todo dia era a mesma coisa, a planta toda agitada, querendo por os seus tentáculos na garota.

Vejam vocês que aberração da natureza! Perguntando a um amigo, biólogo, se esse comportamento era natural, ele afirmou que de jeito nenhum. Provavelmente a planta estava em busca de um apoio. Tudo bem, mas em quem ela queria se apoiar? Na garota? Não seria o caso de procurar um psicólogo botânico?

desenhado pela garota apavorada

Passado um tempo, o monitor do PC em que trabalha a garota, começou a não querer funcionar. Examinando o dito cujo para ver se achava onde era o defeito eis que ela se depara com uma situação muito, muito inusitada: não é que a danada da planta tinha enroscado seus tentáculos no cabo do monitor? Pois é, finalmente ela havia encontrado o seu apoio. Só que estava prejudicando o bom funcionamento do monitor. Mas como a planta poderia saber disso? Estava ali, solitária, encontra um fio amigo e vai se enroscando. Quem não faria isso?

Mas se vocês pensam que a bizarrice termina aí, enganam-se. Observando melhor por onde a planta havia se espelhado, a garota percebe que a danada tinha conseguido se enfiar por um minúsculo buraquinho do monitor.

Como ela conseguiu tamanha façanha? Pois é, essa foi a pergunta que todo mundo fez.

Bem, para o monitor voltar a funcionar era necessário tirar aquele tentáculo dali. A garota começou a puxar, a puxar, um tentáculo que parecia não ter fim. Até que se rompeu e ainda ficou um pedaço lá dentro, que só foi retirado integralmente na base da pinça.

Em suas mãos ficaram uns 30 cm de tentáculo, inerte. Vocês acreditam nisso? Vamos combinar, é, sem dúvida, uma planta muito carente. Tadinha dela. Só queria um apoio.

Depois de ser mutilada, acredito que a planta carente vá pensar duas vezes antes de se meter dentro do monitor daquela valente garota outra vez. Pelo menos é o que a garota espera. Depois de ter seus projetos arruinados e ainda ter perdido um tentáculo inteiro, quem sabe a planta acalme entenda que não é assustando os outros que vai conseguir atenção?

A verdade é que aquela busca de apoio da planta prejudicou o monitor que não está mais funcionando direito.

Recolhida à sua impossibilidade de sair do lugar, à planta resta a conformidade de que terá que ficar ali, com seus tentáculos soltos, perdidos no ar, a procura de um lugar para se enroscar. Solidão é fogo mesmo.

Vitoriosa, a garota passa pela planta e olha, ameaçadora, como a dizer, “não se meta comigo que eu te corto um tentáculo de novo”. A paz se estabeleceu? Quem sabe? Só o tempo dirá se, ao esquecer a sofrida mutilação, ela não voltará a empunhar seus tentáculos, ameaçando as garotas e os fios que encontrar pela frente.

Ilustração: Rosana Menezes

Bem, com certeza essas experiências devem ter fortalecido a garota que agora, mais corajosa, já pode enfrentar aranhas, gaivotas e plantas enlouquecidas. Tudo bem que nunca estes confrontos são agradáveis. Mas, da próxima vez, garanto que ela vai logo, de cara, mostrar quem está no controle.

E, no próximo episódio , continuando as “desventuras fora de série”, vamos contar um estranho episódio acontecido com a irmã mais velha de nossa corajosa garota. Parece que episódios bizarros é mal de família. Aguardem.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 04

Porque hoje é sábado, é dia de postar mais um capítulo das DESVENTURAS FORA DE SÉRIE. Então vamos ao capítulo de hoje:


O ATAQUE DAS GAIVOTAS ENLOUQUECIDAS


Morando perto do trabalho, a nossa garota fazia o percurso de volta pra casa a pé, numa agradável tarde de verão.

Ia caminhando, apressada, milhares de coisas para fazer, quando, ao descer da ponte, percebeu uma estranha movimentação nos céus. Notou uma certa agitação nos movimentos de uma gaivota.

Mas, gaivotas são gaivotas oras. Avezinhas simpáticas, que enfeitam as praias com seus voos graciosos (???). E, assim, sem nenhum motivo aparente, do nada, se viu atacada por aquelas aves até então vistas como inofensivas.

Isso mesmo, por gaivotas, que dando voos rasantes, ameaçavam bicá-la. Amedrontada, diante de uma situação tão bizarra, a nossa garota resolveu correr.

ilustração: ROSSANA MENEZES

As gaivotas continuavam fazendo suas investidas, chegando a tocar nos cabelos da garota que, assustada, tropeçou e caiu, arranhando-se bastante . Difícl era explicar às pessoas o que tinha acontecido. Covenhamos, foi uma situação bem embaraçosa. Ser perseguida por gaivotas?

Até hoje, ela não entendende o que provocou a ira das gaivotas. Disso tudo ficou a certeza de que nunca mais vai passar perto de criaturas tão monstruosas. Eu também não passaria. Criaturinhas perigosas! Quem diria?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 03

Conforme o prometido, posto hoje o terceiro episódio das "Desventuras" de uma garota vivendo muito muito distante de casa. E o episódio de hoje é:


O ATAQUE DAS ARANHAS ASSASSINAS


Certa noite, o namorado viajando, sozinha em casa, em meio às milhares de caixas de sua mudança, ainda não tendo encontrado um apartamento para alugar, a garota viu-se frente a frente com um enorme problema: penduradas na cortina, duas enormes aranhas a encaravam, ameaçadoras e famintas, com suas patas compridas e peludas. De que será que se alimentam as aranhas em países que não têm insetos dando sopa?

Tudo bem, não era nenhuma “LARACNA”*, nem nenhuma caranguejeira, talvez nem fosse tão grande assim, mas, avessa a insetos, aracnídeos e répteis em geral, a garota se viu tomada pelo pânico, ao se ver ali, sozinha, a mercê de bichos tão perigosos e peçonhentos.

Na verdade, nem perigosos, nem peçonhentos, vá lá. Mas, assustadores. Talvez não tão assustadores assim. Mas, enfim, eram duas aranhas. E aranhas, até segunda ordem, dão medo. Não dão não? Pelo menos em algumas pessoas. E ficaram as três ali, por uma boa parte da noite, se olhando, sem saírem de seus lugares.

ilustração: Rossana Menezes


Foi então que, sorrateiramente, a garota saiu correndo do quarto, fechou a porta e dormiu no sofá da sala. Mas isso não fez com que as aranhas sumissem. Ligou para o namorado e, através do telefone, ele lhe deu instruções de como matar as aranhas. E, corajosamente, ela conseguiu resolver aquela situação perigosa. Mais perigosa para as aranhas que bailaram, no final das contas. Tadinhas, vai ver só queriam mesmo companhia.

Superada mais esta desventura, nossa garota não sabia, mas, em breve, acrescentaria á sua lista negra também as aves. Não todas. Uma em especial.

Mas isso é assunto para o próximo sábado.

Bom final de semana apra todos.


*LARACNA - Laracna (Shelob no original em inglês) é a aranha gigante que o personagem Samwise Gamgee, companheiro de Frodo, da trilogia O Senhor dos Anéis, enfrenta em sua aventura em Cirith Ungol (fronteira de Mordor).

J.R.R. Tolkien, autor da trilogia, deixa transparecer que ela é uma das descendentes de Ungoliant, aranha ancestral que ajudou Melkor a destruir as Duas Árvores de Valinor

sábado, 5 de fevereiro de 2011

DESVENTURAS FORA DE SÉRIE - CAPÍTULO 2

E, como combinamos, hoje estou de volta com mais um capítulo das DESVENTURAS FORA DE SÉRIE. Vamos lá então...

O SURTO DOS SENHORIOS DESVAIRADOS

Depois de muita procura, muitos apartamentos corridos, uns muitos bons, mas fora do orçamento, outros cabendo no orçamento, mas não tão bons, finalmente parecia que o apartamento havia sido encontrado. Novinho em folha, mobiliado, esperando por suas novas moradoras.


Mas, depois do primeiro mês em seu terceiro apartamento, as coisas não foram lá muito legais. Os locatários, a princípio simpáticos, se revelaram um tanto insanos, quando, enviando sem parar mensagens paro o seu celular – SMS – exigiam que retirasse da porta de entrada, um carro verde ali estacionado. Irritados, sem a menor noção de gentileza e educação, falavam que nem ela, nem a sua colega de apartamento, tinham permissão para estacionar carro na frente da casa. Ah! Esqueci de um pequeno detalhe: Os proprietários moravam em baixo do apartamento que a garota alugou.

Bem, eles até poderiam estar contrariados e tal, mas precisava ser tão inconvenientes? E, até que a garota, mesmo horrorizada com o tratamento recebido, poderia ter ido correndo retirar o carro, se não fosse por um pequeno detalhe: ela não tem carro. Então era mesmo impossível ela tirar o carro não é mesmo? Mas os senhorios, loucos, não queriam nem saber e exigiam a retirada do carro, cegos à explicação da garota de que o carro não era dela. Só entenderem isso quando o dono, que havia ido fazer algum serviço por ali, entrou no carro e se mandou.


Mas não parou por aí. A colega de apartamento, chega um dia e comunica que os pais dela estão vindo passar uns dias na cidade e irão se hospedar com elas. Comunicou, não consultou. Simplesmente, digamos assim, avisou. Acontece que lavando roupa tarde da noite, conversando alto e coisas assim, faziam tanto barulho que deixou os “amáveis” senhorios enfurecidos. A garota, que ficou na casa do namorado durante o período em que a colega recebia a família foi, mais uma vez, injustamente responsabilizada pelos senhorios, por desmandos que ela estava longe de ter cometido.


Eles começaram a reclamar sem parar, gritando, perdendo o controle, esbravejando sobre o barulho e todas as coisas que eram proibidas de acordo com o contrato e coisas deste tipo. A colega ouviu a tudo passivamente e nem se deu ao trabalho de dizer que a garota não estava em casa e que, na verdade, haviam sido seus hóspedes que tinham feito a barulheira toda.


Assustada, a garota chegou à conclusão que não tinha sido uma boa ideia ir morar naquele apartamento. Diante deste tipo de comportamento agressivo, grosseiro e injusto, não dava mais para continuar ali. E só havia se passado dois meses. Mas, até pagaria uma multa se fosse necessário, mas ali, definitivamente, não dava pra ficar. Mas, passado o momento de descontrole, os dois se acalmaram e até consentiram em rescindir o contrato, sem nenhum prejuízo da garota. E, a partir deste momento, ela passou a ser uma sem-teto. Ou quase.

Porque encontrar apartamento em fim de período escolar era o mesmo que tirar na loteria. A procura era grande e a oferta, nem tanto. Ela juntou suas coisas e ficou, por um tempo, na casa de seu namorado, enquanto encontrava outro lugar para morar. Só que, desta vez, seria sozinha e bem longe de proprietários.