sábado, 12 de maio de 2012

EU NÃO EXISTO LONGE DE VOCÊS...

Depois de quase trinta e dois anos exercendo a fantástica função de ser mãe, este será o primeiro Dia das Mães que passarei longe das minhas três filhas. Não vai ser fácil. Mas será inevitável. 


Não consigo colocar em palavras o que é ficar longe das minhas três filhas, sobretudo no dia em que costumávamos estar sempre todas juntas, na casa de minha mãe.


Por isso, separei alguns versos da música "Fico assim sem você", que dedico às minhas três princesas:




Avião sem asa
 Fogueira sem brasa
 Sou eu assim sem você!

Futebol sem bola
 Piu-piu sem Frajola
 Sou eu assim sem você!

Circo sem palhaço
 Namoro sem abraço
 Sou eu assim sem você!

Eu não existo longe de você
 E a solidão é o meu pior castigo
 eu conto as horas pra poder te ver
 Mas o relógio tá de mal comigo

Neném sem chupeta
 Romeu sem Julieta
 Sou eu assim sem você!

Carro sem a estrada
 Queijo sem goiabada
 Sou eu assim sem você!

Eu não existo longe de você
 E a solidão é o meu pior castigo
 eu conto as horas pra poder te ver
 Mas o relógio tá de mal comigo


terça-feira, 8 de maio de 2012

E SE AO LUAR QUE ATUA DESVAIRADO VEM SE UNIR UMA MÚSICA QUALQUER...

Era dia de sábado. Dia consagrado à farra. E, ainda por cima, com um atrativo: uma super lua, vejam vocês. Mas, para mim, que estava com uma daquelas gripes de derrubar avião, tudo o que eu queria mesmo era me deitar e parar de tossir. Mas daí o telefone toca e a comadre me faz uma proposta irrecusável: vamos ver a super lua na beira-mar, com violão. Entre um acesso de tosse e outro, tento explicar ao marido, também com a mesma gripe (com quem peguei, aliás), o que estava sendo combinado. O corpo doía, a garganta doía, a barriga e a cabeça então, nem comento, de tanto esforço para tossir. Mas o que é mais uma noite sem dormir, diante da possibilidade de encontrar com os amigos, para curtir a lua e tocar violão. Tudo bem, nós vamos, me vi falando ao telefone. Mas, prometi a mim mesmo que não iria cantar. Como se fosse possível.
E foi assim que um grupo de amigos que se juntou ao luar imenso, brilhante e desvairado e unido, não por uma música qualquer, mas por músicas especiais. E não foi um grupo qualquer. Foi um grupo que, este ano, completa quarenta anos de amizade. Os primeiros a se conhecerem fomos eu e Jorge, no grupo SOS, coordenado pelo querido e imensamente saudoso Pe. Ivan. Depois, eu e João, nos conhecemos no Nóbrega, onde passamos a estudar na mesma sala. Depois conheci Teca, no Encontro de Jovens do Salesiano e ficamos amigas sem ter a menor ideia que ela era irmã do meu amigo João. Empatia é assim. Passa de irmão para irmã. Como passou para toda a família deles, desde os pais,com quem eu me dava super bem até os irmãos, incluindo Ró, que esteve conosco, de passagem para ir assistir à concorrência (foi ver João Bosco e Toquinho), junto com o marido Luciano e as filhas Nathalia e Manu. Mais para o final do ano foi a vez de conhecer meu compadre Alexandre, também no EJC do Salesiano. EU e Sérgio nos conhecemos no ano seguinte, quando ele veio ajudar na realização de um curso de Parapsicologia com o Pe. Quevedo.

As caçulinhas do grupo são mãe e filha.Márcia, a quem conheci quando namorava com Jorge e Júlia, que conheci ainda na barriga e posso dizer que vi nascer, já que estava lá na maternidade quando ela chegou. Antigamente a gente se via mais. Quando adolescentes e jovens, praticamente todos os dias. Depois, estudos, trabalhos, mudanças, idas e vindas e a gente vai se distanciando, não emocionalmente, mas fisicamente. Por isso que esse encontro da super lua foi tão significativo. Porque ele nos mostrou que, mesmo coroas, com filhos crescidos, casados, até com netos, ainda podemos nos divertir como nos velhos tempos. Com os filhos espalhados mundo afora, vai ser difícil reunir todos em uma grande serenata. Mas sonhar juntos é o começo da realidade, como dizia Dom Helder. Quem sabe, no final do ano, a gente não consiga reunir a tropa toda, pra cantar pra lua? Pois então, com amigos é assim. E entre cervejas, agulha, batatinha e macaxeira fritas, entre a curtição do show de Paul e músicas dos Beatles, Vinícius e Chico, a sensação gostosa de saber que como diz aquela antiga música de Nat King Cole “bastou se ver mais uma vez pra sentir que não passou”?

domingo, 29 de abril de 2012

UM SÓ FINAL DE SEMANA E DUAS EMOÇÕES


Posso dizer, sem qualquer sombra de dúvida, que o final de semana passado (20/21/04) foi muito especial.

Começou logo na sexta-feira pela manhã quando recebo um telefone de Maria Helena me dizendo para acessar o blog: www.memorialheldercamara.blospot.com e me deparo com o texto: “Estava a toa na vida o meu amor me chamou pra ver a banda passar”, relembrando o memorável “Encontro dos Dons”, quando tive a alegria de organizar e presenciar o reencontro de Chico Buarque e Dom Helder, em julho de 1999, pouco mais de um mês antes do Dom falecer. E, ainda por cima, com postagens de dois trechos do vídeo que fizemos do encontro. Um encontro memorável. Para Chico, que até cantou  “A Banda” para Dom Helder e para os poucos privilegiados ali presentes. Ao ler o trecho e assistir ao vídeo, me veio à lembrança todos os detalhes daquele momento, desde quando tive a idéia e partilhei com Frei Betto, que se encarregou de falar com seu compadre Chico, às conversas com Zezita, até o grande dia.

Treze anos e dois shows se passaram. E, Chico volta ao Recife para mais um show, ao qual tenho a alegria de assistir, ao lado do meu marido, testemunhando um passeio por músicas tão antigas quanto “Desalento”, passando por “Meu Amor”, “Geni e o Zepelin”, “Ana de Amsterdã” e pelas do novo CD como “Essa Pequena”.  Um belo show, com belas músicas e a voz e o violão do maior compositor brasileiro de todos os tempos. Um presente maravilhoso de Vinícius França e Mario Canivelo a quem agradeço de coração.



O Teatro Guararapes estava lotado, por pessoas de várias idades. Ate crianças. Não é fantástico ver que crianças curtem Chico Buarque? Volto pra casa feliz, embalada pela voz suave de Chico que, como se adivinhasse meu pensamento, cantou “Futuros Amantes”, a minha preferida. Poesia pura que contém na letra a palavra “escafandrista” e, mesmo assim, é encantadora. Ele a tem cantado no biz dos últimos três shows. Fantástico!

Na platéia, as mulheres continuavam assanhadas, como em 2007, talvez um pouco mais calmas. Desta vez, não invadiram o palco. Mas continuaram gritando declarações de amor e, ao final do show, correram para o pé do palco, não se importando de estar impedindo a visão de quem, como eu e meu marido, estávamos na primeira fila. Tudo isso na esperança de receber um toque de Chico em suas mãos. 

No sábado, mais emoções musicais: assistir, pela segunda vez, a um show de Paul McCartney. Meu beatle preferido. Presente das três filhotas. Mais uma vez.

O danado é que sempre fui assim, meio do contra. Quando todo mundo curtia Roberto Carlos, eu curtia Ronnie Von. Quando todo mundo preferia, de longe, John Lennon, minha preferência era Paulo.



Desta vez, fomos só eu e meu marido, porque as três filhas não estavam aqui. Mas, na falta das filhas, pegamos duas emprestadas e levamos duas amigas da filha caçula, o que foi super legal. Como no show de Chico, o de Paul reuniu pessoas de todas as idades, de todos os lugares, do Nordeste e de mais longe, até do Sul do País.

Duas horas em pé na fila, mais três horas de espera até o show começar, não impediu de curtirmos o show em todo o seu esplendor, cantando e dançando, embalados por um Paul alegre e animado, que se preocupou em falar não apenas em português mas, em dizer frases em pernambucanês como “povo arretado”.

Pessoas até mais velhas que a gente estavam ali, ao nosso lado, na arquibancada, curtindo o ídolo de sua juventude e também, de sua maturidade.

Foi um final de semana que talvez não se repita mais, quando pude assistir aos shows de meus ídolos desde os tempos de infância, E olha que faz um pouquinho de tempo!



Dois estilos diferentes, de música e de postura no palco. Um, voz e violão, intimista, tranquilo, entoando suas canções com recato e até mesmo, uma certa timidez. O outro, aloprado, tocando e cantando vários ritmos, dançando e pulando, com a camisa grudada de tanto suor e parecendo nem se importar.

Foi um final de semana memorável. Não foi perfeito. Para ser perfeito seria preciso que as três filhas estivessem com a gente, nos dois shows, curtindo e cantando, como fazíamos no carro, quando voltávamos da casa da avó ou de algum outro local.  Esse desejo ainda fica no ar, espero que não por milênios.




Para quem não teve a oportunidade de ir a estes shows ou que perdeu um ou outro, digo que perdeu dois momentos ímpares de curtir o que há de melhor na música brasileira e internacional.

Chico e Paul, o povo arretado, cabra da peste adorou ter vocês por aqui. E, pensem na gente na próxima turnê.

sábado, 14 de abril de 2012

QUANDO OS SONHOS SE TORNAM REALIDADE

Era uma vez uma família que tinha três menininhas, lindas e sonhadoras. Era uma vez uma linda garotinha de olhos azuis e louros cabelos cacheados, a filha mais velha. Aos quinze anos de idade conheceu o Canadá. Foi paixão à primeira vista. Ela dedicou os próximos quinze anos de sua à realização desse sonho. Cresceu, se formou, trabalhou e juntando seu dinheirinho em uma poupança, foi se preparando para o seu grande passo. Deu entrada no processo de imigração, fez tudo dentro dos trâmites legais e, em 15 de janeiro de 2010 levantou voo, deixou o ninho e foi em busa do seu sonho: morar no Canadá, onde reside, nos últimos dois anos,   feliz por estar na cidade que escolheu para viver. 










TORONTO - CANADÁ
Era uma vez uma linda meninha de lindos olhos azuis e cabelos cheios de cachos que ao se formar, sonhou em ir trabalhar em um outro país. Escolheu a Noruega, país distante e muito muito frio, para viver a desafiadora experiência de morar longe de casa e sozinha. Alçou voo no dia 24 de junho de 2008 e está lá até hoje, construindo o seu sonho e a sua vida. Ainda há muito a escrever nesta história. AInda há muitos sonhos a ser sonhados. Sonhos que serão buscados com muita garra e coragem. DIsso eu tenho certeza.

FIORDES NORUEGUESES

Era uma vez uma linda meninha de olhos azuis muito vivos e cachos dourados que adorava o Big Ben. Como ela descobriu o relógio símbolo de Londres? Ela ficava junto dos pais e das irmãs, enquanto eles jogavam Scotland Yard e assim, observando o tabuleiro, mexendo os piões pelas casas do jogo, ela foi descobrindo e, precocemente, se apaixonando por Londres. Londres que sempre foi a paixão de sua mãe que, desde adolescente alimentava o sonho de um dia conhecê-la. Apaixonada por Sherlock Holmes e pelos Beatles não poderia ser outra a cidade que mais queria conhecer no mundo. Muitos anos, o casamento e três filhas muito especiais depois, o sonho, finalmente, se tornou realidade.
FOTO ESPECIAL COM O BIG BEN
E, entre os pedidos de presentes das filhas, o mais inusitado partiu da caçula, a galeguinha de três aninhos de idade. Ela queria dois presentes: uma boneca com uma banheira e um chuveiro que saísse água de verdade e que os pais conhecessem o BIG BEN e tirassem uma foto para ela. Eles poderiam deixar de ir a qualquer lugar, menos ao BIG BEN. É claro que o pedido foi atendido e a pequena ganhou a sua foto. E a boneca também.  
REALIZAÇÃO DO SONHO DO PAI E DA MÃE
A menininha que, como seus pais e suas irmãs ama os Beatles e também ama o BIG BEN cresceu e, dezessete anos depois foi realizar o seu sonho, desta vez, sem intermediários: conhecer Londres. E, como não poderia ser diferente, encontrar seu velho e querido relógio, sem antes, no entanto, assistir ao Fantasma da Ópera, passear pela Back Street e, é claro, atravessar a faixa de pedestres mais famosa do mundo, em frente a ABBEY ROAD, a antiga gravadora dos Beatles - APPLE.
REALIZAÇÃO DO SONHO SEM INTERMEDIÁRIOS
E, graças aos avanços tecnológicos e a magia da internet, a travessia da famosa faixa pôde ser assistida, ao vivo, com direito a fotos e tudo, a 7.413 Km de distância. Aliás, a travessia foi acompanhada pelos pais, no Brasil e pela irmã na Noruega. Viva à Internet e seu poder de, como se fosse magia, nos transportar para o outro lado do mundo.


MAIS UM SONHO REALIZADO: ATRAVESSAR A FAIXA MAIS FAMOSA DO MUNDO
Esta viagem, com a mais absoluta certeza, será inesquecível e irá acompanhar a minha garotinha pelo resto de sua vida. Não apenas pela beleza, pela cultura, pelas novidades as quais está tendo acesso, mas, sobretudo, por ter um dia sonhado e ter conseguido realizar esse sonho. Assim como a opção das duas irmãs mais velhas de morar em outro país está fazendo delas pessoas mais maduras, mais responsáveis, vivendo uma experiência única, que fará parte da história de vida que estão escrevendo.


O ninho ficou vazio. Não é fácil viver esta experiência que sempre chega para toda mãe, todo pai, de uma forma ou de outra. Mas qual o pai ou qual a mãe que não sonha em ter a família toda por perto, para abraçar sempre que tiver vontade? Para sentir o cheiro, o calor de sua cria? Para cuidar quando estiver doente, consolar quando estiver triste ou gargalhar juntos nas horas de alegria? Ou ver os netos correndo pela casa, fazer-lhes as vontades, enchê-los de dengo e manha? Em mais algumas (longas) semanas a caçulinha volta. O seu próximo sonho ainda será realizado por aqui.


O futuro? Nem quero pensar nele e nos sonhos que ele trará. Também eu tenho os meus próprios sonhos. Deixar de sonhar é se entregar à dura realidade da vida e perder a esperança em nossa própria capacidade de mudar e transformar o que não está bom. Como dizia Dom Helder “Sonho que a gente sonha sozinho é só um sonhos. Sonho que a gente sonha juntos é o começo da realidade”. Continuemos pois, cada um de nós a sonhar. Quem sabe, um deles não coincide sendo o mesmo para muitos e se torna realidade?

sábado, 7 de abril de 2012

FAMÍLIA: REGRAS

Este cartaz foi fotografado por minha filha mais velha, em uma loja de decoração, no complexo turístico Blue Mountain, na cidade de Collingwood, no Canadá. Achei tão lindo que resolvi postar aqui, com a tradução, para que todos possam entender e, quem sabe, adotar as regras, quem ainda não as praticam. Estas eu adoto com toda alegria.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

QUANDO FEVEREIRO CHEGAR ...

...“Saudade já não mata a gente”... diz a musica cantada por Geraldo Azevedo. Mas, fevereiro chegou e a saudade continuou, danada de doída, apertando o coração e dando nó na garganta, como se nenhum dia tivesse se passado, desde o final de janeiro, quando o ninho que estava cheio, voltou a ficar mais vazio, quando dois pares de asas bateram novamente e voaram pra longe.

E quando o final de março chegou, o terceiro par de asas se preparou e levantou voo, também pra longe deixando, agora, o ninho completamente vazio por dois longos e intermináveis meses.

Os amigos me perguntam o que houve, por que nunca mais escrevi nada no blog. Mas com tanta saudade machucando dentro do peito, fica difícil escrever. Mas voltei pra escrever justamente sobre saudade.

Eita sentimento danado esse. Começa a se espalhar devagar, como quem não quer nada e vai tomando conta da gente, sem pedir licença, nos lembrando, a toda hora, a falta que sentimos, o vazio que fica o ninho quando os filhotes vão embora.

E aí chega alguém e nos diz: com o tempo a gente se acostuma não é? Não! Definitivamente, eu não me acostumo. E não vou me acostumar nunca. Como podemos nos acostumar com a ausência de quem tanto amamos? Bem que gostaria de ter uma fórmula que pudesse usar e, como mágica, a saudade doesse menos.

Ser feliz com a felicidade dos filhos é uma coisa. Isso, com certeza, eu sou. Não sentir a falta deles é outra completamente diferente. Bem que eles poderiam ser felizes mais perto da gente, não é mesmo?

Em menos de dois meses, quando a caçulinha voltar, o ninho vai voltar a sentir alegre, animado, renovando as forças pra esperar pelo final do ano, por dezembro, pelo natal, quando os corações se unem e ninho volta a ficar cheio, de filhotes e de alegria.

domingo, 25 de dezembro de 2011

O MELHOR DA FESTA NÃO É ESPERAR POR ELA

Acredito que a melhor festa do ano é o Natal. Talvez por ser a celebração do nascimento de Cristo, um clima diferente paira no ar, como, se, de repente, fôssemos todos mais generosos, gentis e solidários.

Sempre curti o Natal e a espera dele. Desde pequena, dezembro era para mim um mês mágico. Comemorar o Natal sempre foi, digamos, o ponto alto do ano para mim. Enquanto algumas pessoas sentem tristeza com a chegada do final do ano, eu sinto sempre uma imensa alegria.

E, agora, esperar pelo natal tem um novo significado para mim, o que torna o mês de dezembro ainda mais especial. Porque o Natal traz para casa todos os corações e a família fica novamente reunida.

Esperar pela festa não é mais o melhor. O melhor mesmo PE a chegada da festa. Ir ao aeroporto pegar as minhas filhas que não via há um ano uma e quase dois anos a outra, foi o melhor programa deste final de semana. Como aeroporto é bom na hora da chegada!

Como é bom abraçar cada uma, encher de beijos, apertar as bochechas e ver minhas três princesas dormindo juntas outra vez, no quarto que sempre será delas.

Como esperei pelo momento vivido hoje à tarde: os cinco cantando “Believe”, acompanhando Savatage, como nos velhos tempos. Isto por acaso tem preço? Nem um mastecard sem limite poderia pagar por isso.

É claro que o meu maior presente de natal foi ter a família reunida. Mas outros três presentes, organizados com cuidado e carinho por elas três, se juntou ao rol daquilo que não tem preço: um calendário com fotos da família e datas de aniversário marcadas, um livro com nossas fotos no show de Paul McCartney e um outro com frases maravilhosas sobre família e fotos, muitas e lindas fotos.

Perceber a importância da família na vida dos filhos também não tem preço.

O melhor da festa é aproveitar cada minuto dela, com intensidade e alegria para que, quando a festa acabe, as lembranças dos bons momentos vividos nos alimentem para termos forças para esperar para passar mais um não esperamos pela próxima festa.

domingo, 11 de dezembro de 2011

DEFINIÇÃO DE FILHO

"Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem.

Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo". José Saramago


Este texto me foi enviado por Bruno, um grande amigo e, confesso que tocou bem fundo. Lá dentro onde os sentimentos se escondem para não serem perturbados em sua silenciosa dor, que abafam, escondem, para que ninguém a tire deles.


Porque os sentimentos são assim mesmo, estranhos, esquisitos. Sentem vergonha de se mostrar. Talvez seja porque, desde muito pequenos, quando ainda em formação, ouviam vozes exteriores dizendo para se recolherem, engolirem o choro ou até mesmo moderarem o riso, em situações de extrema alegria.


Como ter esta clareza, esta maturidade, que os filhos não nos pertencem? Como explicar isso a estes tais sentimentos, às vezes de posse, às vezes domínio ou às vezes de pura cumplicidade?


Como abrir o coração e falar pra ele: olha, aquelas pessoinhas que nos foram confiadas e que, antes mesmo de nascer, nos apaixonamos por elas, não são nossas não viu? São apenas emprestadas?


Como dizer pro nosso útero, abrigo primeiro destas pessoinhas, que foi apenas uma etapa e que, tal como a casca de um ovo ou um casulo, foi o berço de uma fantástica transformação de uma vida, testemunha do milagre da vida.

“Nossos filhos não são nossos filhos, são os filhos do amanhã”, diz Gibran, em O Profeta. Mas não poderiam ser os filhos do amanhã e, mesmo assim, continuarem nossos?

Como cortar, outra vez o cordão umbelical, desta vez da afetividade e deixar os filhos partirem em busca de si mesmos? Como se expor a dor de abrir a porta do coração e deixá-los partir para alçar seu próprio voo?


É preciso que seja assim. É preciso que tenhamos a consciência que, ao acolhermos os filhos em nossos corações, estamos assumindo a maior missão de nossas vidas: a de transformar pequenos seres em grandes seres humanos.


E, quando os vemos crescidos e senhores de si, prontos para construir o seu próprio caminho, sentimos um nós na garganta por não nos acháramos mais assim tão importantes em suas vidas.


Mas, basta um gesto deles, uma palavra, um carinho, pra percebermos se cumprimos bem ou não a nossa missão.


E, quando de repente, nos pedem um conselho, nos descrevem sua saudade ou nos dão, do nada, uma abraço apertado a gente se pergunta: Eles não são nossos? Quem disse que não?

domingo, 6 de novembro de 2011

OS CORAÇÕES SE REÚNEM NO NATAL

Sempre que vai chegando o final do ano, a cidade vai se enchendo, cada vez mais cedo, do clima de natal. Bolas coloridas enfeitam as árvores, luzes piscam nas varandas e nas lojas, os símbolos natalinos enchem as vitrines e os corredores de cores, dando um ar de magia e encantamento para quem chega.


Aqui em casa, este ano, resolvemos enfeitar a casa mais cedo. Por que deixar para ornamentar só em dezembro? Então hoje, dia 06 de novembro, foi a data escolhida para retirar as caixas do armário e, pelo menos, passarmos dois meses com a decoração.

Se o Natal sempre foi para mim a festa mais especial do ano, agora se tornou mais especial ainda. Porque é a época em que a família se encontra, depois de um ano inteiro de saudade. Se bem que, no caso da minha filha mais velha, são quase dois anos sem nos vermos.

Ontem à noite, falando com ela ao telefone ela me disse que havia comprado um enfeite de natal para mim que achou a minha cara. Nele está escrito que “todos os corações se reúnem no natal. E, é por isso que celebrar o natal está cada vez mais importante para mim, pois, nada é mais importante do que a família.


Então, à tardinha, eu e a caçula descemos as caixas de enfeites e fomos decorar a sala, ao som do disco de natal de Simone. Desde que ela era bem pequena que temos esta “tradição”: de armar a árvore e colocar os enfeites de natal ouvindo Simone.


A gente canta, dança e deixa que o espírito do natal nos invada, semeando sementes de alegria e festa.


Desde 2008 que fazer isso ficou desfalcado. Desde então, com duas filhas fora, só ficamos eu e a caçula para ornamentar a casa.


Mas, apesar da saudade nesta hora, apesar da lembrança dos entes queridos que não vão mais estar conosco no Natal, ainda assim, damos permissão para a alegria nos contagiar e nos encher da esperança da renovação, do renascimento.


Nem todos os corações que amo estarão reunidos, pelo menos fisicamente, neste natal. Mas, os que estiverem juntos, reforçarão a minha crença de que, só o amor que une uma família pode nos fazer fortes para enfrentar o mundo e, de mãos dadas, sonhar e construir um futuro melhor.

domingo, 23 de outubro de 2011

MÃE: PROTETORA OU OPRESSORA?

Assistindo a um vídeo que uma de minhas filhas enviou e que coloco o link abaixo, fiquei olhando, enternecida, a mamãe gata que aconchegava seu filhote e de como essa imagem encantou a milhares de pessoas.

Pois é, mãe é mãe em qualquer espécie, racional ou não. Mãe quer proteger a cria, apertar nos braços e não deixar que o mundo lhe faça nenhum mal.

Quer entrar nos pesadelos dos filhos e botar pra correr os monstros que os assombram. Se felicidade, amor e alegria se vendessem, as mães comprariam um estoque enorme para que nunca faltasse aos seus rebentos um segundo sequer.

Mas não se vendem, não se encontram ao virar a esquina, nem se pode colher de nenhuma árvore.

E aí as mães viram essas feras enlouquecidas, querendo fazer milagre, contanto que os filhos não sofram.

Como a mamãe do vídeo, se pudéssemos, abraçaríamos nossos filhos sempre que estivessem tristes, angustiados, sofrendo e, com esse abraço, faríamos com que toda a dor desaparecesse, fosse física, fosse sentimental.

Tenho certeza que todo mundo que assistiu a esse vídeo se encheu de ternura, talvez até com lágrimas nos olhos, tenham achado lindo o aconchego de mãe e filho.

Mas daí, a pergunta: porque no dia a dia, as mães humanas nem sempre são vistas por seus filhos com bons olhos? Por que alguns filhos se apavoram com a presença da mãe entre seus amigos?

Não sou nenhuma especialista em mãe ou em comportamento materno. Tenho três filhas que, ao lado de meu marido, eduquei da forma que julguei correta. Afinal, nenhuma das três veio com manual de instruções. Então, só nos coube agir de acordo com a nossa formação e a nossa perspectiva diante da vida.

Mas, me atrevo a arriscar um comentário despretensioso. Porque não quero e nem sou dona da verdade.

Pois bem, acho que existe uma linha muito tênue, que é o limite entre o carinho, o cuidado, a proteção e a opressão. Podemos ser mães amorosas, cuidadosas, carinhosas, sem, no entanto, sufocar nossos filhos. Podemos lhe entregar o agasalho por achar que vai esfriar, sem cometer o exagero de que ele use cachecol e luvas em pleno inverno nordestino, por exemplo.

“Nossos filhos não são nossos filhos, são os filhos do amanhã”, já dizia Gibran. Por isso, não podemos criá-los como se fossem nossa propriedade, porque não são.

Por isso precisamos saber a medida exata entre a hora de puxar pra junto e aconchegar e a hora de levá-los até a porta e desejar-lhes felicidades em seu voo solo.

Querer saber notícias, como andam as coisas, isso é saudável e natural. Eu mesma quero estar sempre por dentro da vida das minhas filhas, participar de suas conquistas, tristezas e alegrias.

Mas, não posse atravessar a linha que invade a privacidade delas para dar aqueles pitacos que a gente acha que são a salvação da pátria. Podem até ser. Mas não temos o direito de querer que nossos filhos tomem as decisões que queremos e não a que eles querem.

Por isso, ao ver aquela mamãe gata tão protetora com seu filhote, lembrei que ela o protegerá até o momento que for preciso. QUadno chegar a hora dele ir embora, ela o deixará partir tranquilamente, pois sabe que ele precisa construir a sua própria vida.

Protetora? Sim, sempre. Opressora, jamais.

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